segunda-feira, 27 de março de 2023

Rebuçados de Ovos


 Rebuçados de Ovos
 
Gemas 12, claras 2, açúcar pilé 250. Tomam-se as gemas e as claras, batem-se e deitam-se, fora do lume, numa calda feita com as 250 g. de açúcar em ponto de espadana larga. Ligam-se bem ovos e calda e leva-se a mistura ao lume mexendo sempre até que a colher de pau faça estrada no fundo da vasilha. Então tira-se esta do lume, e deixa-se arrefecer a massa. Quando esta está fria, tira-se aos bocados que se tendem em bolinhos na palma da mão polvilhada com farinha. À parte prepara-se outra calda com 400 g. de açúcar em ponto de cabelo, calda na qual se passam rapidamente os bolinhos tendidos que depois se colocam sobre o fundo de um tabuleiro untado com manteiga, indo em seguida ao forno para secar a crosta.
Tirados do forno os bolos, que ficam achatados na parte em contacto com o tabuleiro, embrulham-se cuidadosamente em rectângulos de papel de seda de cores várias e empregam-se para ornamentar pratos de bolos.

quarta-feira, 22 de março de 2023

Castelhanas


 Castelhanas
 
Toma-se 350 grs. de açúcar em ponto de cabelo, [junta-se] meio quilo de amêndoa pisada, 9 ovos, [e] deixa-se cozer até fazer bocadinho que não desmanche, [e] levam canela e limão ralado; quando a espécie está fria fazem-se os bolos, [e] vão ao forno; depois de cozidos cobrem-se com as geminhas.

terça-feira, 21 de março de 2023

Doce de Ovos à Portuguesa

João da Matta, Arte de Cosinha. Livaria Editora de Mattos Moreira & Compª, Lisboa: 1876. p. 211

 Doce de Ovos à Portuguesa
 
Batei 20 gemas de ovos, até ficarem quase brancas e muito crescidas; derretei em seguida um quilo de açúcar, clarificai-o ao lume, e deixai-o ficar quase em ponto de rebuçado; tirai-o então do lume e esperai que ele fique um pouco mais de morno; em estando assim, ligai a pouco e pouco as gemas com este açúcar, mexendo muito bem com uma colher de pau; estando bem ligado, levai-o a lume muito brando, mexendo-o sempre; em estando o ovo cozido e consistente o doce, tirai-o do lume, deixai-o esfriar, e enchei copos ou compoteiras com ele.
 
N. B. O doce de ovos feito assim pode durar 2 ou 3 meses sem se alterar.

segunda-feira, 20 de março de 2023

Broas de Limão


 Broas de Limão
 
1/2 [meio] kilo de farinha, 1/2 [meio] kilo de açúcar, 4 ovos, 1 limão verde ralado, 10 réis de soda, 10 réis de canela. Batem-se muito bem os ovos (como para pão de ló), depois deita-se o açúcar, limão, soda e canela, mexendo bem até o açúcar estar derretido, deita-se a farinha, vai-se mexendo até ficar ligado, tendem-se, vai ao forno em tabuleiros.

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sábado, 18 de março de 2023

Biscoitos


Biscoitos
 
Açúcar - 2 chávenas das do chá
Azeite - 1/2 [meia] chávena das do chá
Leite - 1/2 [meia] chávena das do chá
Ovos - 4
Manteiga - 1 colher de chá
Raspa de 2 limões
1/2 [meia] colher de chá de bicarbonato
 
Bate-se os ovos com o azeite, junte-se-lhes o leite bate-se novamente. Deita-se-lhe o açúcar e o resto das coisas e bate-se um pouco e misture-se-lhe a farinha precisa para se poder tender.
[Vai ao forno]

sexta-feira, 17 de março de 2023

Pudim de Ovos

 
 
 Pudim de Ovos
 
500 grs. de açúcar. 
Põem-se a ferver com casca de limão e um pau de canela e toucinho do tamanho de um dedo. Leva-se a ponto de espadana.
Mexem-se 16 gemas [de ovos] com 1 cálice de vinho do Porto. Juntam-se ao açúcar lentamente.
Deita-se dentro da forma, que deve estar passada com açúcar queimado [vulgo, caramelo].
Vai a cozer em banho-Maria 3 quartos de hora [45 minutos]. A forma deve estar tapada.

domingo, 12 de março de 2023

O blog esteve Em Família!

O Blog As Receitas da Avó Helena e da Avó Eduarda estiveram num dos programas da tarde da televisão portuguesa a tentar falar do trabalho, dedicação e carinho que se põe na manutenção deste espaço de partilha e história. Foi o possível. Espero que gostem.

Este video foi editado. Para ver na sua versão íntegral, ir às plataformas habituais, nomeadamente TVIPlayer.

terça-feira, 7 de março de 2023

Tarte de Coco


Maria Antónia Goes: Descobrimentos e Gastronomia Portuguesa - As minhas melhores receitas tradicionais - 
Chaves Ferreira Publicações, Lisboa, 1999, pág. 91

1/2 [meio] quilo de açúcar,  2.5 dl. de água, 7 gemas, 100 gramas de coco ralado, 3.5 dl. de leite e 75 gramas de miolo de pão. 

Faz-se uma calda com o açúcar e a água em ponto de pérola a que se junta o coco, voltando a ferver 2 ou 3 minutos. 
Dentro do leite a ferver, deita-se o miolo de pão que se desfaz com o batedor das sopas.
Junta-se tudo e deixa-se arrefecer levemente para juntar as gemas. 
Volta ao lume, mexendo sempre e fervendo um bocadinho.  Deita-se este creme num prato resistente ao calor e vai a dourar ao grelhador,  durante 15 minutos. 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Novas aquisições para a biblioteca do blog!

Roby Amorim: Da mão à boca: para uma história da alimentação em Portugal. Edições Salamandra:
distribuição, AUDIL-Distribuição de Livros e Material Audiovisual, 1987

Laura Santos: Lições de Culinária. Colecção Laura Santos da Editorial Lavores. Lisboa, 1977

Sem Autor: Culinária das Massas Alimentícias. Oferta da Sociedade Industrial do Vouga, Lda. Massas Vouga


Museu Municipal de Sever do Vouga

Fachada da Fábrica de Massas Alimentícias, em Paradela (Sever do Vouga).
Fonte: https://azulejopublicitario.pt


Fachada da Fábrica de Massas Alimentícias, em Paradela (Sever do Vouga).
Fonte: https://azulejopublicitario.pt

"Junto à antiga estação da Paradela, em Sever do Vouga, ergue-se a antiga Fábrica de Massas Alimentícias Vouga. Nesta encontram-se três painéis publicitários de grandes dimensões, recuperados em 2010 aquando da reabilitação e conver­são deste edifício no Parque Tec­nológico e de Inovação do Vouga.

As origens desta fábrica remontam aos anos 40, quando Joaquim Martins, empreendedor natural da região, aposta na construção do que viria a ser a maior fábrica do seu género na Península Ibérica. A unidade foi um caso de sucesso durante largos anos, empregando cente­nas de trabalhadores das regiões de Aveiro e Viseu. Porém, devido a desentendimentos entre os associados, Joaquim Martins viria a ser afastado da própria empresa que fundou. Já na sua ausência, a fábrica entra em declínio e acaba por fechar portas em 1982.

É na casa onde nasceu e viria a falecer, junto à janela do seu quarto, com vista para a fábrica à qual dedicou grande parte da sua vida, que Joaquim Martins colocaria um último painel de azulejos. Talvez num jeito introspectivo, neste constam as tristes palavras "Os Homens honestos são o voluptuoso coxim sobre o qual os patifes adorme­cem e engordam" (Thomas Otway)." Fonte: https://azulejopublicitario.pt

E são estas as novidades da semana da Biblioteca do Blog As Receitas da Avó Helena e da Avó Eduarda.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Bolo de Mestra, trazido por Bertha Rosa-Limpo e a Margarina "Chefe"


 Bolo de Mestra
 
Batem-se quatro gemas de ovos com duzentos e cinquenta gramas de açúcar.
Leva cento e vinte gramas de Margarina "Chefe", derretida em banho-maria, dois decilitros e meio de leite, dois cálices de rum e a raspa da casca de meia laranja.
Depois de bem ligado juntam-se duzentas gramas de farinha de trigo e sessenta gramas de farinha de arroz, peneiradas com duas colheres (de chá) de fermento em pó e bate-se até fazer bolhas.
Ligam-se na massa as quatro claras batidas em castelo firme, deita-se em forma forrada e bem untada com Margarina "Chefe" e espalha-se por cima bastante miolo de noz, cortado em pedaços pequenos.
Coze-se em forno de calor moderado.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Pudim de Doce de Frutas


 Pudim de Doce de Fruta
 
Meio quilo de pêra ou maçã cozida até ficar desfeita, tira-se do lume e em estando fria junta-se-lhe 12 gemas que devem estar batidas com meio quilo de açúcar fino, deita-se na lata untada de manteiga e vai ao forno que tenha pouco calor. Também se pode fazer de damascos ou qualquer outra fruta.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

Paul Plantier (Paulo Henrique Plantier) no Almanach Bertrand de 1903



Um curioso texto sobre Paul Plantier, o famoso autor de um dos mais extraordinários livros de cozinha em Portugal, O Cozinheiro dos Cozinheiros, presente no Almanach Bertrand de 1903.


Esta edição, a 2ª, é a que pertence à biblioteca do blog As Receitas da Avó Helena e da Avó Eduarda, e é de 1877.
Relembro um curioso texto que saiu numa publicação chamada O Binoculo : hebdomadario de caricaturas, espectaculos e litteratura - Primeiro ano, N.º 4, 10 Dez. 1870, sobre O Cozinheiro dos Cozinheiros.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

Compéres à Carlos Leal: Feliz Dia Mundial do Riso!

Guia da Doceira em sua casa dedicado aos Artistas do Teatro Português,
de Maria Margarida (pseud. Bernardino Alves Lopes ?), [1934], Cartaxo, Tip. Treze, pág.25

 Compéres à Carlos Leal
 
Amassa-se durante algum tempo 500 grs. de açúcar; 1 quilo de farinha, 10 grs. de canela em pó e 250 grs. de banha de porco; depois fazem-se broinhas em redondo que vão em tabuleiro ao forno brando.
 
 
Hoje é Dia Mundial do Riso. A escolha de Carlos Leal não foi inocente. Considerado um dos mais geniais compére de revista e teatro, era respeitado pelos seus pares e amado pelo seu público. Eis algumas curiosidades:

À prima Eduarda. Pochade de Carlos Leal e pelo mesmo pintada. Lisboa 1-10-1925














Semana portuguesa : revista de informação e crítica. N.º 14, Dezembro de 1935

A rajada : revista theatral e litteraria / dir. e propr. Joaquim de Landerset. Ano 1. N. 2 - 8 de Janeiro de 1910.

Diário de Lisboa: 1 de Outubro de 1921

O Ilustrado, nº 4, 15 de Maio de 1933



segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Esquecidos  (Receita Conimbricense)

Autores Vários: O Cozinheiro dos Cozinheiros, Edição de Paul Plantier, 
Lisboa, 1877 - 2ª Edição. Pág. 592

 Esquecidos
 (Receita Conimbricense)
 
Deite-se em um alguidar, 12 gemas de ovos, meio quilo de açúcar; bata-se tudo muito bem por espaço de meio hora, junte-se-lhe 250 gramas de farinha, e bata-se outra meia hora: untem-se as latas com manteiga, pulverizem-se com farinha, deitem-se-lhe os bocadinhos da massa com uma colher; ficando separados uns dos outros para não se pegarem. [Vão ao forno]

domingo, 15 de janeiro de 2023

Essência de Alho

Constantino Carneiro: Novo Manual do Cozinheiro. Paris: Garnier Irmãos, Editores. Sem Data

 Essência de Alho
 
Ponha-se numa caçarola sobre o fogo uma garrafa de vinho branco e meio copo de vinagre, com seis cabeças de alhos, outros tantos de cravos da Índia, um quarto de noz moscada [cerca de 115 gr.] e duas folhas de louro. Quando tudo isso esteja a ponto de ferver, modere-se-lhe o fogo, e deixe-se sobre cinza quente espaço de seis ou sete horas. Passe-se depois na peneira para conservá-lo em vidros bem tapados, e podem empregá-lo em pequenas doses em infinidade de circunstâncias.

sábado, 14 de janeiro de 2023

Coroa da Rainha de Sabá

Phulano DE THAL: Cozinha Francesa. Livraria Clássica Editora, Lisboa - [1931]. pág.603

 Coroa da Rainha de Sabá
 
Provisões: 75 centilitros de leite, 80 gramas de chocolate, 120 gramas de miolo de pão, um ovo, algumas amêndoas doces.
 
Operações: Pôr a cozer numa caçarola, remexendo-os bem com uma colher de pau, o leite e o chocolate. Quando este ultimo estiver bem derretido acrescentar o miolo de pão. Ao cabo de meia hora esta mistura deve formar uma massa espessa que se passa pela peneira. Junte-se-lhe o ovo inteiro e algumas amêndoas doces trituradas. Unte-se de manteiga abundantemente uma fôrma em forma de coroa, vaze-se nela a preparação, coloque-se a fôrma em banho-maria e deixe-se cozer durante meia-hora. Verificar o grau de cozedura, enterrando na massa a lâmina duma faca, que deve sair intacta. Colocar a fôrma num recipiente com água fresca e desenformar só no dia seguinte, antes de servir. No centro da coroa, dispor um creme inglês com baunilha ou arroz doce.
 
Rainha de Sabá de Konrad Kyeser's "Bellifortis" ("Força na Guerra"), tratado militar germânico c. 1405

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Croquetes de Arroz Doce


Croquetes de Arroz Doce

Com arroz doce frio e bem consistente fazem-se com as mãos croquetes do feitio de ovos de galinha, enrolam-se em pão ralado e passam-se por ovos batidos, tornando a passar-se por pão ralado até que tenham espessura de côdea bastante, e depois frigem-se em pingue de porco ou manteiga de vaca e pingue, conforme o gosto de cada um; servem-se quentes polvilhados com canela em pó e açúcar branco cristalizado ou refinado.

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Ovos Verdes


 Ovos Verdes
 
Cozem-se os ovos, partem-se ao meio, tira-se as gemas que se deitam numa frigideira com um pouco de manteiga, sal e um poucochinho de leite. Tira-se do lume e mistura-se salsa muito picadinha. Depois deita-se este picado dentro dos ovos. Põem-se num prato de ir ao forno com uma crema. Ou então, bate-se um ovo onde se embrulham os ovos e vão a alourar numa frigideira com azeite. Faz-se um milho de fricassé e serve-se com o fricassé em lugar da crema.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Sonhos (anteriores a 1910)


 Sonhos
 
Amassam-se muito bem com um copo de água tépida, 500 gramas de farinha, juntam-se-lhe 6 gemas de ovos e um requeijão bem fresco, derretem.se 375 gramas de manteiga e junta-se à massa com dois cálices de aguardente e casquinha de limão bem cortada, ou uma pouca de baunilha; amassa-se tudo e deixa-se repousar. Em seguida batem-se até ficarem brancas 6 claras de ovos que se deitam na massa na ocasião de cozer os sonhos.
O molde deve-se esquentar por dentro e por fora num fogo de carvão, unta-se por dentro com manteiga, deita-se-lhe uma colher de massa, e coloca-se novamente sobre o lume, tendo o cuidado de o aquecer igualmente. Cada sonho gasta ordinariamente pouco mais de 2 minutos.
Retira-se o sonho para uma travessa e polvilha-se com o açúcar areado, e assim se vai procedendo com o resto da massa.

domingo, 8 de janeiro de 2023

Calimentário da Editora Vira



Para começar bem o ano de 2023, nada melhor que pendurar o Calimentário da Vira e descobrir que alimentos são próprios de cada estação e experimentar as receitas fáceis e saborosas que podemos fazer com eles.
A Vira Editora é uma caixa de surpresas linda. Visitem o site e as redes sociais e surpreendam-se.



Referencial Gastronómico do Minho


Mais um belíssimo exemplo do que as autarquias e outros poderes locais podem fazer para valorizar, preservar e divulgar a gastronomia regional, um dos pilares turísticos e de união inter-geracional e inter-regional mais importantes.
Retirado do site da Câmara Municipal de Viana do Castelo, transcrevo:

Referencial Gastronómico do Minho

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"O Referencial Gastronómico do Minho tem como objetivo "valorizar o receituário minhoto na gastronomia local e nacional, trazendo maior visibilidade pública aos pratos tradicionais e estimulando a população e os restaurantes a recolocarem estes pratos no centro da alimentação e promovendo-os".
A organização do Receituário da Gastronomia Minhota implicou o "levantamento das especialidades gastronómicas caraterísticas do Minho, dos ingredientes regionais e dos modos de confeção regionais; a definição das matérias- primas endógenas e dos produtos não oriundos da região que são toleráveis e dos processos de produção e confeção, que garantem as caraterísticas essenciais da gastronomia Minhota; o estabelecimento das relações entre o receituário e os produtos locais".

O Referencial Gastronómico do Minho está disponível em:
http://www.minhoin.com/fotos/editor2/referencialgastrono769micodominhoaf.pdf"

 
Não deixem de consultar, ler e partilhar este trabalho e experimentem as iguarias intemporais que ali nos oferecem. Se ainda não ficaram convencidos, convido-vos a ver esta reportagem realizada pelo portal Sapo: https://24.sapo.pt/vida/artigos/carta-gastronomica-do-minho-do-pudim-abade-de-priscos-as-papas-de-serrabulho-para-provar-que-a-gastronomia-nao-e-um-museu

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