sexta-feira, 27 de março de 2026

Vinho de maçãs

O Século Ilustrado, 02 de Setembro de 1939

Vinho de Maçãs

Talvez o leitor queira conhecer a maneira de fabricar vinho de maçãs. O processo é fácil e o resultado é saboroso.
Cortam-se em rodelas finas umas três ou quatro maçãs reinetas, muito sãs, e um limão. Num recipiente coloca-se uma camada de maçãs, uma de limão, uma de açúcar, e, depois, outras camadas sucessivas de maçãs, limão e açúcar, sempre pela mesma ordem. Cobre-se de bom vinho branco. Põe-se um peso qualquer em cima, para que tudo se conserve assim, e deixa-se de infusão durante dez horas. Filtra-se, depois, primeiro por um pano de "mousseline", e, em seguida, por um filtro de papal. Finalmente, emgarrafa-se.

domingo, 22 de março de 2026

Espinafres com molho

Agarena de Leão : A cosinha familiar - Tratado de culinária prática. 2ª edição. Sociedade Nacional de Tipografia - 1924. p. 49

Espinafres Com Molho

Escolhem-se e lavam-se bem os espinafres. Desmancha-se uma alface, que se lava meticulosamente, escorre-se tudo da água e coze-se em água temperada com sal. Logo que estejam cozidos, deixam-se escorrer num passador e, em seguida, deitam-se numa caçarola, com uma bоа colher de manteiga de vaca. Ferve durante quarto de hora, tempera-se de sal, junta-se uma pitada de pimenta branca e meia colher de farinha, desfeita numa chávena de caldo, deixa-se ferver ainda um pouco e serve-se numa travessa, guarnecida com lâminas de pão fritas em manteiga ou azeite.

sábado, 21 de março de 2026

Alimento dupla, corpo e alma, com Virgínia Victorino : Juvenis e Coração

Guia da Doceira em sua casa dedicado aos Artistas do Teatro Português, 
de Maria Margarida (pseud. Bernardino Alves Lopes ?), [1934], Cartaxo, Tip. Treze, pág. 40
Juvenis à Virgínia Victorino

Em 500 grs. de massa de pão, quando pronta para se tender, deita-se 300 grs. de açúcar branco, 9 gemas e 2 claras de ovos; depois de tudo bem ligado junta-se-lhe 200 grs. de manteiga sem sal, derretida e 5 grs. de canela em pó; deve-se bater tudo muito bem, mas sempre ao pé do forno, em pequenas formas de papel ou cartão, bem untadas com manteiga, vai-se deitando pequenos bocados de massa, colocam-se em tabuleiros e vão em seguida ao forno.



E porque é hoje o Dia Mundial da Poesia, uma publicação que une estes dois alimentos : Poesia e Doces. O nome escolhido foi o de Virgínia Victorino, poetisa, dramaturga, radialista, professora, jornalista. O poema foi retirado da 4ª edição do seu livro Apaixonadamente, primeiramente editado em 1923 [e este edição de 1924, espelhando o êxito da sua obra em apenas um ano, 4 edições].

domingo, 11 de janeiro de 2026

Biscoitos de ovos

Annona, ou mixto-curioso que ensina o methodo de cosinha e copa,
Tomo II, nº 16. Imprensa de Cândido António da Silva Carvalho, Lisboa: 1836. p.15

 Biscoitos de Ovos

Bota-se uma dúzia de ovos com claras, e um arrátel [460 grs.] de açúcar, um arrátel [460 grs.] de farinha, uma pouca de erva-doce escolhida, e água rosada; depois de batido este polme muito bem, deite-se com uma colher em bacias sobre obreas à porta do forno, com farinha por baixo das obreas; quando estiverem meio cozidos, tirem-se fora, cortem-se com uma faca do tamanho que se quiser, e virando-os, acabem-se de cozer no forno.

OBREA (antes Obreya), s. f. Folha de massa de farinha triga, cosida n'um ferro d'hostias. 
São portanto folhas finas de massa, sem fermento, do género hóstias.

Bolo à Magdalena do Cozinheiro Moderno, de Lucas Rigaud

Cozinheiro Moderno ou Nova Arte de Cozinha, Lucas Rigaud, 1780,
1ª edição : Offic. Patriarc. de Francisco Luiz Moreno

O final do ano de 2025 trouxe a oportunidade para a Biblioteca do Blog As Receitas da Avó Helena e da Avó Eduarda de adquirirem em leilão um exemplar do célebre Cozinheiro Moderno ou Nova Arte de Cozinha, de Lucas Rigaud, na sua primeira edição de 1780.

Este livro, que conheceu agora uma edição fac-similada na colecção Os Livros de Culto da Cozinha Portuguesa, com texto introdutório de Guida Cândido, tem uma importância fundamental, trazendo uma modernização à cozinha portuguesa, como o próprio título sugere, num diálogo interessante entre a Cozinha Francesa e os hábitos alimentares dos portugueses. É um livro que fixa, de certa forma, o vocabulário empregue e algumas das técnicas de base - molhos, caldos, etc. Sugiro que procurem mais literatura académica sobre o assunto, nomeadamente o texto de João Pedro Gomes intitulado Cozinhar "à Portuguesa" com Lucas Rigaud. Identidade alimentar portuguesa no Cozinheiro Moderno e que podem encontrar AQUI.

Para assinalar esta aquisição, uma receita simples:

Cozinheiro Moderno ou Nova Arte de Cozinha, Lucas Rigaud, 1780,
1ª edição : Offic. Patriarc. de Francisco Luiz Moreno, p. 355

Bolo à Magdalena

Amassem um arrátel [460 grs.] de farinha, oito ovos inteiros, três quartas [c. 345 grs.] de açúcar fino, um arrátel [460 grs.] de manteiga, casa de limão, e flor de laranjeira picada, e água; depois de tudo amassado, e sovado, estenda-se, que fique da grossura de uma polegada [c. 2-3 cm.], ponha-se sobre papel manteigado, coza-se no forno; depois de cozido, sirva-se vidrado com açúcar e a pá quente.


Este é o terceiro volume da colecção Os Livros de Culto da Cozinha Portuguesa, edição A Bela e o Monstro, com prefácio introdutório de Guida Cândido. Já saíram dois volumes: O Livro de Cozinha da Infanta D. Maria e o Arte de Cozinha de Domingos Rodrigues. Não percam. Podem encomendar AQUI.

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