sábado, 23 de maio de 2026

Flores de Laranja Tostada

 
Constantino Carneiro: Novo Manuel do Cozinheiro. Paris: Garnier Irmãos, Editores. P. 295

Flôres de Laranja Tostadas

Cozam-se levemente onze onças [315 g.] de açúcar, mesclem-se-lhes quatro [cerca de 115 g] de flôres de laranja limpas, e mexam-se fortemente. Quando as flôres houverem grangeado boa cor, lance-se-lhes em cima o sumo de um limão, e ponham-se a tostar.

Dobrada de Vaca à Moda do Porto, d'A Cozinha Moderna e do Álvaro de Campos (e até do Jacinto Ramos)

J. M. Souza Pereira: A Cozinha Moderna. Empreza Editora e Tipográfica Henrique Torres. p. 358

J. M. Souza Pereira: A Cozinha Moderna. Empreza Editora e Tipográfica Henrique Torres. p. 362

 DOBRADA DE VACA À MODA DO PORTO
(modo de a preparar)

Lave-se a dobrada em bastantes águas e limpe-se muito bem. Corte-se depois em bocados da largura de três dedos, ponha-se a ferver com um bom ramo de salsa, tomilho, louro e alho: Deite-se sal, pimenta, três cebolas regulares e coza-se durante quatro horas. Tirem-se então todos os bocados da dobrada e ponham-se a escorrer. Depois de feito isto pode cozinhar-se a dobrada de qualquer maneira.

Dobrada de vaca à moda do Porto

Preparada e cozida como se indicou (Veja modo de a preparar), corte-se em bocados que se fazem saltear em bom lume, com sal, pimenta, cebolas e salsa picadas. Depois de bem loura a dobrada, sirva-se, juntando-lhe um pouco de vinagre.

E agora um poema : Dobrada à Moda do Porto,
de Álvaro de Campos:

Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo, 
Serviram-me o amor como dobrada fria. 
Disse delicadamente ao missionário da cozinha 
Que a preferia quente, 
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.
 
Impacientaram-se comigo. 
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante. 
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta, 
E vim passear para toda a rua. 

Quem sabe o que isto quer dizer? 
Eu não sei, e foi comigo... 

(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim, 
Particular ou público, ou do vizinho. 
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele. 
E que a tristeza é de hoje). 

Sei isso muitas vezes, 
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram 
Dobrada à moda do Porto fria? 
Não é prato que se possa comer frio, 
Mas trouxeram-mo frio. 
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio. 


Jacinto Ramos lê Dobrada à Moda do Porto,
retirado do disco "Cantarei espalharei"

domingo, 17 de maio de 2026

Bolos de Arroz

O Cozinheiro Popular dos Pobres e dos Ricos. Micaela Brites de Sá Carneiro. Porto. 1908

Bolos de Arroz

Coze-se o arroz em leite suficiente até ficar bem cozido; deita-se-lhe uma pouca de manteiga e uma pitada de sal.
Estando o arroz bem cozido e tendo absorvido o leite, retira-se do lume e deixa-se arrefecer.
Deita-se-lhe depois o açúcar que se quiser, conforme o gosto de cada um, alguma farinha triga, alguns ovos, e uma pitada de canela.
Mexe-se tudo e formam-se bolos com uma colher que se frigirão [que se fritam] na sertã em manteiga ou azeite.
Polvilham-se depois de fritos com canela e açúcar.

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