segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Barriga de Freira (receita Mª Antónia) (Belly Nun)

Barriga de Freira
(receita Mª Antónia)

Leva-se a ponto de pérola meio kilo de açúcar. Junta-se meio kilo de pão de ló esfarelado (sem côdea) e 100 gr. de amêndoa moída sem casca, deixa-se ferver um pouco e junta-se 12 gemas só com 2 claras previamente batidas e deixa-se ferver até abrir estrada no tacho. Põe-se num prato, alisa-se com a faca e depois de frio, polvilha-se com açúcar e tosta-se com o ferro em brasa.

Mais duas receitas de Barriga de Freira aqui

Belly Nun
(Recipe Mª Antónia)

It takes point of pearl half kilo of sugar. Joins half kilo of bread crumbled sponge cake (no crust) and 100 gr. of shelled almonds, allow to simmer a bit and joins 12 eggs yolks only with 2 egg white previously mixed and leave to simmer until you can opened road in the pan. Put on a dish, smoothing with a knife and then cold, sprinkle with sugar and roast with the hot iron.

Barriga de Freira (receita da Julinha) (Belly Nun)

Barriga de Freira
(receita da Julinha)

Leva-se a ponto 500 gr. de açúcar. Junta-se-lhe 8 bolachas raladas e 12 gemas com 4 claras. Deixa-se ferver um pouco abanando sempre o tacho e junta-se 125 de manteiga, uma pitada de canela e deixa-se ferver até secar. Deita-se num prato e polvilha-se com canela.

Existe outra receita de Barriga de Freira aqui

Belly Nun
(Recipe of Julinha) 

Takes a point 500 gr. sugar. Joint 8 grated crackers, and 12 egg yolks with 4 egg whites. Let it boil a little, always shaking the pan, and join 125 of butter, a pinch of cinnamon and let it boil until dry. Pour into a dish and sprinkle with cinnamon.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Bolos Arenosos

Carlos Bento da Maia, Tratado Completo de Cozinha e de Copa,
 edição de 1904, pág.497
 
Bolos Arenosos
 
Farinha de trigo - 250 gr.
Manteiga - 250 gr.
Açúcar pilado - 100 gr.
Sal refinado em pó - q.b.
Gema de ovo - q.b.
 
Misturam-se, sem mexer em demasia a mistura, os diversos elementos, à excepção da gema de ovo, e, logo que se obtem uma massa uniforme, estende-se sobre uma tábua com o rolo próprio, dando-lhe uma espessura de cerca de dois milimetros. Corta-se em seguida a massa estendida com um faca ou com a corretilha, de modo que fique em tiras com cerca de dez centimetros de comprimento, por dois de largura. Douram-se em seguida os bolos com gema de ovo e levam-se ao forno a cozer.
  

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Bolo da Laura (aldrabado) - Fotoreportagem

Faz-se uma torta (ou compra já feita, que foi o caso)


Bate-se até ficar em creme 175 gr. de manteiga sem sal, junta-se 150 de açúcar, 3 gemas


 250 de bom chocolate dissolvido em meia chávena (de café) de leite



 e as 3 claras em castelo firme

A torta, que se deve enrolar no sentido do comprimento, parte-se às fatias finas e forra-se com elas uma tigela ou forma redonda

Deita-se dentro a massa do chocolate, cobre-se com os restos da torta e deixa-se gelar dum dia para o outro.

Este Bolo da Laura é muito fácil e divertido de se fazer... quanto a opiniões, só mais à noite. Mas tenho a certeza que agradará a miudos e graúdos. O recheio de chocolate é muitissimo bom.

Se fizer, diga-me o que achou. Fotografia. Escreva.

Veja a receita aqui

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Minutos - Fotoreportagem


 
2 ovos inteiros
 
 
3 colheres de açúcar e 1 colher de manteiga derretida
 
 
6 colheres de farinha
  
 
1/2 [meia] chávena de leite, 1 colher de fermento
 
 
Põe-se em latinhas untadas
 
 
ET VOILÁ
 
E aqui está o making of dos "Minutos". Quando os fiz pensei que eram doces, tipo queques. Qual não é o meu espanto que me começou a cheirar a scones... e são, realmente, uns scones tipo queques. Muito muito bons. Recheados depois com compota ficam um óptimo acompanhamento para chás ou sumos. Um conforto também para horas tardias.
São muito fáceis de fazer, requerem poucos ingredientes. Pus o forno a 180º graus mas, provavelmente, aguentariam 200º graus.
 
Experimente e diga-me de sua justiça. Mande-me a sua experiência.
 
Veja a receita aqui.
 


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Repentes

 Repentes

Batem-se 3 ovos inteiros com 80 gr. de açúcar, 1/2 [meio] decilitro de azeite e 1 pitada de canela. Depois de bem batidos, juntam-se 250 gr. de farinha.
Depois de tudo bem amassado, fazem-se os biscoitos em forma de 8.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Chalaças


Chalaças

Batem-se 2 gemas com 160 de açúcar.
Junta-se as claras em castelo, 1 colher (de chá) de fermento e 160 de farinha. Leva-se ao forno em tabuleiro untado, pondo-se a massa aos montinhos bem separados.
Depois de prontos unem-se 2 a 2, metendo entre ele creme chantilly.
Cobrem-se por cima com este creme e espalham-se amêndoas torradas partidas aos bocadinhos.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Bolo da Laura


Bolo da Laura

Faz-se uma torta com 4 ovos, 1 chávena de açúcar e outra de farinha. Recheia-se com geleia.
Bate-se até ficar em creme 175 gr. de manteiga sem sal, junta-se 150 de açúcar, 3 gemas, 250 de bom chocolate dissolvido em meia chávena (de café) de leite e as 3 claras em castelo firme.
A torta, que se deve enrolar no sentido do comprimento, parte-se às fatias finas e forra-se com elas uma tigela ou forma redonda.
Deita-se dentro a massa do chocolate, cobre-se com os restos da torta e deixa-se gelar dum dia para o outro. Desenforma-se com o auxilio de uma faca. Também fica muito bom, utilizando em vez da torta, palitos "la reinne" humedecidos em vinho do Porto e barrado depois de desenformado, com natas batidas.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Bolo de Claras com Ovos Moles


Bolo de Claras com Ovos Moles

Batem-se 8 claras em castelo e junta-se-lhe 250 gr. de amêndoa com a pele, passada pela máquina e 250 de açúcar. Deita-se uma pequena camada desta massa numa forma redonda e baixa, só com um pequeno rebordo, e leva-se ao forno. Logo que esteja cozida, tira-se e vão-se fazendo assim cerca de 10 bolachas que se recheiam com ovos moles feitos das 8 gemas restantes.
Polvilha-se com açúcar areado.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Bolo de Noz


Bolo de Noz

6 ovos, 6 colheres (de sopa) de açúcar, 2 de pão ralado, 250 gr. de nozes raladas.
Batem-se as claras em castelo, junta-se as gemas batidas, o açúcar, as nozes e o pão ralado.
Vai ao forno em forma bem untada e polvilhada de farinha. Recheia-se com ovos moles.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Rosquinhas de Nata

Rosquinhas de Nata

Para cada 2 colheres de nata, 1 colher de açúcar. Mexe-se bem, junta-se 1 ovo, 1 pitada de canela, 1 colher (de chá) de fermento.
Junta-se farinha até poder tender sem ficar dura. Fazem-se umas rosquinhas que vão ao forno em tabuleiro polvilhado de farinha.
Depois de prontas passam-se por uma calda de açúcar e em seguida por açúcar areado.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Pudim de Amêndoa (D. Idalina) - Outra Receita


Pudim de Amêndoa
 (D. Idalina)

250 de amêndoa, 12 gemas com 1 clara, 400 de açúcar, 250 de água, 1 colher (de chá) de manteiga.
Leva-se o açúcar a ponto alto, junta-se a amêndoa pelada e ralada e deixa-se ferver até elevar o ponto. Juntam-se os ovos e a manteiga. Vai ao forno em forma bem untada e em banho-maria.
Pode fazer-se esta mesma receita substituindo a amêndoa por côco.

Existem mais duas receitas de Pudim de Amêndoa. Veja aqui e aqui.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Minutos


Minutos

6 colheres de farinha, 3 colheres de açúcar, 1 colher de manteiga derretida, 1/2 [meia] chávena de leite, 1 colher de fermento, 2 ovos inteiros. Bate-se o açúcar, os ovos e manteiga. Junta-se a farinha, o leite e fermento. Põe-se em latinhas untadas. [Vai ao forno].

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Queques de Requeijão

Queques de Requeijão

1 requeijão, 3 ovos, 250 gr. de açúcar, 250 gr. de farinha, 1 colher de chá de fermento. 
Amassa-se o requeijão com o açúcar. À parte amassam-se as gemas com 175 gr. de açúcar. Quando estiver a massa bem ligada, junta-se-lhe a massa de requeijão e bate-se bem. Junta-se a farinha que se vai deitando aos poucos.
[Vai ao forno]

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Queijadinhas de Estremoz

Brados do Alentejo

Queijadinhas de Estremoz

Toma-se uma dúzia de queijo fresco, sem sal e um requeijão. Uma "quarta" (125 gr.) de manteiga de vaca; Uma dúzia de gemas de ovo e três claras; Três mãos cheias de farinha e um arratel (500 gr.) de açúcar.
Espremem-se os queijos e o requeijão, muito bem, num pano, para onde deitam o soro fora; Passam-se depois por uma peneira ou ralador, até ficarem bem desfeitos; junta-se-lhe o açúcar, os ovos e a manteiga derretida; e amassa-se tudo muito bem até ficar um todo bem ligado.
Faz-se a massa, das folhas, com a mistura de água simples e farinha, muito bem amassada até que fique bem dura, para se estender com o rolo; e, quanto mais fina ficar a massa, melhor. Corta-se-lhe a massa depois em rodelas, do tamanho de um pires; deita-se-lhe uma colher do recheio no meio e, com um palito, fazem-se as pregas às capas das queijadas e vão ao forno a cozer.
 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Madrilenos


Madrilenos

4 ovos, 2 colheres (sopa) de farinha, 350 gr. de açúcar.
Batem-se as gemas com a farinha e juntam-se as claras em castelo.
Deita-se em latinhas untadas e vão ao forno. Depois de cozidos e frios são passados por calda de açúcar. Mergulham-se 1 a 1 até ficarem bem molhados.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Queijadinhas do Convento de Estremoz

Brados do Alentejo, 1933

Queijadinhas do Convento de Estremoz

Em meio litro de mel em ponto de pasta, deita-se meio quilo de nozes pisadas (com a pele), uma chávena de cidrão pisado, outra de gila e outra de manteiga de vacas. Logo que esteja bem misturado arreda-se do lume e liga-se a esta massa-recheio uma dúzia de gemas de ovos, canela e um cravinho da Índia bem pisado. Tira-se do tacho e logo que esteja frio, deita-se em formas forradas de massa tenra e farinha. Depois de se deitarem as gemas vai ao lume a secar um pouco.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Doce de Vinagre


 Brados do Alentejo, 1932

Doce de Vinagre

Pegue num tachinho, deite-lhe meio litro de leite, ponha ao lume e quando levantar fervura junte-lhe duzentos e cinquenta gramas de açúcar, uma pequena boneca de ervas doces e uma colher de vinagre branco. Mexa tudo, para derreter o açúcar, e deixe ferver em lume brando até reduzir o liquido e tomar ponto. Parta com a colher os farrapos que se formaram do leite, junte-lhe seis gemas e uma clara de ovo batida e vá mexendo até tomar consistência. Quando tiver fervido um pouco e estiver grossinho tire-o do lume, mas resguarde-o, porque apesar de ser de vinagre e contra o velho rifão, pode atrair as moscas e os gulosos.

domingo, 28 de julho de 2013

Tarte de Laranja - Outra Receita



Tarte de Laranja
(Outra Receita)

Para a massa:
Põe-se 2 gemas de ovos numa tigela e misturam-se com 50 gr. de açúcar peneirado, batendo bem. Junta-se 125 gr. de margarina amolecida e 250 de farinha pouco a pouco mexendo sempre e um pouquinho de sal.
Unta-se uma forma de tarte, coloca-se a massa, por cima um papel vegetal e feijões para não deixar a massa levantar. Leva-se a forno quente durante 20 minutos.

Para o creme:
80 gr. de acçúcar com 3 gemas, bate-se bem, junta-se 1 colher de farinha, 1 colher de margarina. Depois deita-se-lhe 2 decilitros e meio de leite bem quente, lentamente mexendo sempre, e leva-se ao forno a engrossar (não muito grosso).
Cortam-se 3 ou 4 laranjas em fatias grossas e levam-se a cozer durante 3 ou 4 minutos numa calda de açúcar fraca.

Tira-se a tarte do forno e depois de fria, deita-se dentro o creme, por cima alguns palitos "la reinne" partidos ao meio no sentido do comprimento, salpicam-se com umas gotas de licor ou rum. (Pode substituir-se os palitos por pão de ló).
Por cima dispõem-se as fatias de laranja partidas ao meio dispondo-se como se fosse   uma flor.

Pincela-se depois com um pouco de doce de damasco diluido em água.

Existem outras duas receitas de Tarde de Laranja. Veja aqui e aqui.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Bolos de Requeijão

Carlos Bento da Maia, Tratado Completo de Cozinha e de Copa,
 edição de 1904, pág.507

Bolos de Requeijão

Requeijão - 250 gr.
Açúcar pilado - 250 gr.
Gemas de ovos - 8
Farinha de trigo - q.b.
Gema de ovo para dourar - q.b.

Toma-se o requeijão e igual peso de açúcar e misturam-se intimamente, até formarem uma massa uniforme; juntam-se-lhe em seguida as gemas de ovos, bate-se a mistura muito bem e acrescenta-se-lhe, pouco a pouco, farinha bastante para se poderem tender bolos, ficando a massa branda. Em seguida, tendem-se bolos pequenos, que se enfeitam com sulcos feitos com uma faca de pau e se douram com gema de ovo aplicada com a rama de uma pena, depois levam-se ao forno em tabuleiro untado com azeite, a cozer.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Bolo Inglês - Outra Receita

  

Bolo Inglês
(Outra Receita)

250 de açúcar, 150 de manteiga, 320 de farinha e 6 ovos. Bate-se o açúcar com a manteiga, junta-se as gemas, as claras batidas em castelo, a farinha e 1 colher (de chá) de fermento. Bate-se bem, juntam-se as frutas cristalizadas e vai a forno brando.
Existe outra receita de Bolo Inglês aqui.

domingo, 21 de julho de 2013

Bolo de Pão


Bolo de Pão

Batem-se 3 gemas com 3 colheres de açúcar. Junta-se miolo de 1 pão e meio, previamente demolhado em 2 decilitros e meio de leite. Junta-se 125 de margarina derretida, o resto do leite e as claras em castelo.
Vai ao forno em forma bem untada.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Pãesinhos de Minuto


Pãesinhos de Minuto

8 colheres de sopa bem cheias de farinha
4 colheres de sopa bem cheias de açúcar
2 gemas de ovos - 1 clara
Meia colher de sopa de manteiga - 1 pitada de sal - 1 colher de chá de fermento.

Misturam-se os ovos com o açúcar e a manteiga. Depois de misturado, junta-se a farinha, o sal e o fermento. 
Fazem-se bolinhos pequeninos, que vão a forno forte em tabuleiro untado com manteiga.

sábado, 13 de julho de 2013

Geleia (qualquer fruta)


Geleia (qualquer fruta)

2 litros de água para 1 kilo de açúcar.
Coze-se bem a fruta e passa-se por uma peneira e depois por um pano de algodão.
Deixa-se ganhar ponto de pasta.

Manoeis


Manoeis

500 gramas de açúcar
200 gramas de manteiga
8 ovos, 4 sem claras, bem batidos. Mistura-se 300 gramas de farinha triga.
Passa-se manteiga nas formas.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Creme de Ananás


Creme de Ananás

Põe-se num tacho umas rodelas de ananás cortadas aos bocados, junta-se açúcar a gosto e leva-se ao lume a ferver um pouco.
Faz-se um creme com 2 colheres de farinha maizena e o leite suficiente para fazer o creme, acrescenta-se um pouco de sumo de ananás e 1 colher de vinho do Porto. Junta-se este líquido ao ananás que está no tacho e deixa-se ferver devagar até fazer creme.
Serve-se gelado e enfeitado com ananás.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Porque hoje faz 3 meses que nos deixou



Maria Eduarda de Ataíde Sá e Melo Amaral Marques Teixeira

A minha Avó nasceu em 1925. Morreu em 2013, pouco menos de um mês antes de completar 88 anos.

Viveu uma vida feliz, apesar dos dissabores que numa existência em pleno são inevitáveis.

Nasceu no seio de uma família grande, privilegiada (a pulso, pelo Bisavô João), de refinada inteligência e humor. E partiu rodeada de uma família igualmente grande (dois filhos, um genro, seis netos, seis bisnetos e um número que já não sei contar de sobrinhos).

Escrever sobre a Avó não é tarefa fácil. É, garanto, sempre uma tarefa inacabada. As valências da sua pessoa são inúmeras, tanto há a salientar.

A par da inteligência, a “liberdade” foi aquilo que sempre me fascinou na Avó. A liberdade de escolher, de se adaptar, de se actualizar sempre, aceitando sempre, com uma enorme dignidade, cada novo desafio da vida: a viuvez, o desaparecimento precoce de todos os irmãos, um filho que, como tantos outros, foi à guerra e voltou, para depois de novo se ausentar para o outro lado do mundo, a mudança política e social em Portugal (que eu sei que a Avó abraçou e gostou - nos seus últimos meses de vida, e por diversas vezes, “deixou escapar” alguns comentários críticos à situação pré-25 de Abril).

Mais do que tudo, a Avó acompanhou, reflexiva e inteligentemente, a modernidade dos tempos. E sempre com uma elegância e uma postura como, desculpem-me a exclusão definitiva, nunca vi em mais ninguém. E foi assim na vida como na morte.

A Avó nunca viveu refugiada nos apelidos de nascença (que eram muitos), nem de vidas que já passaram e que não foram a sua. Construiu solidamente a sua biografia pelas acções que praticou. Nunca parou. O futuro, e nunca o passado, foi a sua vida. Olhou o primeiro de frente e do passado queria apenas as histórias, lembranças e recordações do que viveu mas nunca a ele ficou presa.

Ela própria o diz numa carta enviada a uma sobrinha em 2003, referindo-se à família, para ela tão importante e da qual ela própria foi um importante pilar:

Enquanto nós existirmos, as pessoas que amamos não morreram, porque vivem sempre na nossa lembrança e no nosso coração. Vamos recordá-las sempre com muita saudade, mas sem tristeza. Temos tantas coisas, tantos momentos, tantas lembranças tão boas nas nossas memórias, que é isso que devemos sempre conservar como um bem precioso. Temos de nos sentir felizes com a Família que Deus nos deu. Com os que já partiram e com todos os que temos junto de nós.

E isto tanto servia para a família como para os amigos. A Avó sempre cultivou grandemente as amizades. E tinha-as de longuíssima data. Não dispensava, fizesse Sol ou chuva, o chá semanal na Avenida de Roma com as colegas do Colégio.

Culturalmente, a Avó mantinha-se constantemente actualizada. Tantas vezes fui com ela ao Teatro, ao Cinema e a Exposições. Lembro-me, desde miúdo, de com ela conhecer a Gulbenkian como as minhas mãos. Levou-me ao Museu Grão Vasco. O ex-libris terá sido o Museu de Cera de Fátima… muito nos rimos. Falava-me de música, dos seus tempos no Conservatório Nacional de Música. Recordava comigo as grandes peças de Teatro que vira, os Bailados que assistiu, as Óperas.

Exercitava constantemente a memória e a inteligência.

Devorava palavras cruzadas (dava-as como álibi para comprar a revista Caras e outras).

Lia imenso e sempre com sentido crítico. E era tão bom ver o entusiasmo com que falava quando encontrava um novo – no sentido de desconhecido - autor que havia gostado. O último, penso, terá sido Rentes de Carvalho. O livro chamava-se “Ernestina”. Ofereci-o porque este era o nome de um cozinheira que tivera durante anos em sua casa. Uma figura que todos estimámos.

Mas para verem o quanto era importante a literatura para a Avó, aqui fica mais um excerto, desta feita de um postal de aniversário que me enviou em 2007:

À tarde, está calor e ficamos em casa. Leio 3 livros ao mesmo tempo. Levanto-me cedo e venho ler a Divina Comédia - o Inferno de Dante. É terrível e morro de medo. À tarde, para amenizar, leio as Cartas de Inglaterra do Eça e à noite não dispenso um policial. Assim se vai passando o tempo.”

Construiu assim uma grande biblioteca. Foi, aliás, a última grande obra que realizou na casa das Eiras. Mandou fazer, onde outrora funcionava a sala de refeições dos criados, uma biblioteca. A sua biblioteca.

Falar da Avó é, também, falar do Avô Manuel. Eram perfeitos um para o outro. Havia igualdade entre ambos e não se permitiam a fretes. Se um queria ir para a esquerda e o outro para a direita, assim era e encontrar-se-iam, de novo, mais à frente.

O Avô mimava-a constantemente. Com palavras, actos e nenhumas omissões. Tinham ambos uma inteligência forte e um sentido de humor apurado que se completavam. E nos longos meses da doença terminal do Avô a Avó foi uma heroína, até à exaustão física. Um exemplo. Mas era-o sempre perante a adversidade. Era seguro que encontraríamos nela um baluarte.

O Natal era, nunca lhe perguntei mas adivinha-se, a época favorita. Primeiro os passados na sua casa de infância, em Passos de Carvalhais, e por fim os passados na casa das Eiras que ela organizava e esmerava-se sempre.

Tudo profusamente iluminado e decorado. A lareira acesa. Por cima desta um presépio grande, com musgo verdadeiro, que a Avó sempre se ria e chamava a atenção para elementos “menos próprios” que nele habitavam: desde camelos decapitados, a uma confusa banda de música, um mocho de olhos esbugalhados, entre outras. O pinheiro, sempre verdadeiro, era cortada de alguma das suas matas.

Normalmente raquítico, com meia dúzia de agulhas onde se espalhavam as bolas e as fitas de Natal.

Tudo o resto era amor e muita comida. A canja, o bacalhau e o peru. Uma obscena mesa de doces, e taças e tacinhas de frutos secos, bombons de recheio e frutas cristalizadas. Sempre uma noite especial, com muita gente – a Tia e os primos de Vouzela, os meus irmãos, os meus pais, os caseiros da quinta e quem mais que aparecesse. A mesa de camilha com a braseira ligada (a lareira era mais decorativa que calorifica).

Haviam duas coisas que fascinavam a Avó: o Mar e as searas alentejanas (como somos diferentes até nisso!). Terá percorrido Portugal de lés a lés com o Avó… mas era sempre o Mar e as searas que lhe davam tranquilidade.

Tinha Espinho no coração. Era a praia de toda uma vida. E tantas histórias me contou. Foi lá, no Casino, que o Bisavó João – para grande escândalo de alguns presentes –  a levou para provar, pela primeira vez, vodka… a pedido da Avó (lembro-me de vê-la a beber caipirinha quando existia uma espécie de restaurante italiano em Santa Cruz da Trapa, há muitos anos).

Ouvi-la a contar as histórias das viagens de São Pedro do Sul para Espinho no célebre Vouguinha era de chorar a rir. Era todo um cerimonial e muitas horas de viagem. Aliás, histórias com comboios tinha muitas. Um atentado à bomba e um descarrilamento. Um deles foi sério. Foi parar, era noite escura, a um campo de milho.

Fico-me, para já, por aqui. São muitas as coisas que vêm à cabeça, tantas que se atropelam umas às outras e dificultam a escrita. Mais tarde, outro dia, voltarei a escrever.

Fica uma espécie de apresentação, que é de saudade, de amor e de falta. A vida ainda se está a reorganizar, a preencher os vazios da ausência. Foram anos e anos com um ritmo presente sempre certo. Agora não há os almoços de Terça e Quinta-feira. Agora não há os jantares aos Sábados. Vamos lá ver os Natais.

Para já, ainda não me adaptei.

Sorvete de Champagne


Manual do Confeiteiro e Pasteleiro: Nova arte do Conserveiro e Doceiro, Enciclopédia Bordalo, 
Vol. XII, Editor Arnaldo Bordalo, Lisboa, 1904 - pág.34
 
 
Sorvete de Champagne
 
Este sorvete, um dos mais saborosos, obtem-se do seguinte modo: Misturam-se 500 gramas de xarope de açúcar, em frio, com duas colheradas (das de sopa) de sumo de laranjas, e meia garrafa de champagne; batem-se à parte 4 claras de ovos, e junta-se-lhes, pouco a pouco, aquele liquido; quando tudo estiver muito bem ligado, mete-se na sorveteira, onde gela, e serve-se depois com amêndoas torradas.

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