terça-feira, 27 de outubro de 2015

Fritos de Maçã

 

Fritos de Maçã

3 maçãs
1 limão
30 gr. de manteiga ou margarina
2 dl. e meio de leite
75 gr. de açúcar
150 gr. de farinha
1 colher de sopa de manteiga ou margarina
1/2 colher de sopa de vinho do Porto
1/2 l[itro] de leite
2 ovos

Numa tigela deita-se a margarina derretida, o vinho do Porto e a farinha. Junta-se o leite e bate-se bem. Deixa-se a massa repousar algum tempo.
Entretanto descascam-se as maçãs, tira-se o coração e partem-se em rodelas grossas. Regam-se as rodelas com limão. Junta-se à massa as gemas e por fim as claras em castelo. Enxugam-se as rodelas de maçã num pano, passam-se pelo polme e fritam-se até estarem bem douradas.
Polvilham-se com açúcar e canela.

Menús de Outrora

 

Convite para a inauguração - com almoço, claro - do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Cinfães, a 15 de Novembro de 1959.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Menús de Outrora



Almoço no Palace Hotel do Bussaco em 19 de Janeiro de 1964, de comemoração do aniversário natalício e político do Dr. Armindo Crespo, Otorrinolaringologista em Viseu.

Lá terei que ir procurar a receita dos Celestinos.

No reverso do menú as assinaturas de:
Virginia Pessanha Crespo (casada com o homenageado)
Maria da La Salette Rodrigues
Armindo Crespo (o homenageado)
José Alberto Rodrigues
Francisco Pessanha Crespo (filho do Dr. Crespo)
José Pessanha Crespo (filho do Dr. Crespo)
Maria Eduarda Marques Teixeira
Manuel Marques Teixeira

Escrito pela mão de meu Avô:
Aniversário natalício e... político do Dr. Armindo Crespo
- 19-1-964

Arroz de Substância

Arroz de Substância

1 cebola, 2 dentes de alho, 2 colheres de azeite, 2 chávenas de água, 2 chávenas de arroz, 1 chávena de feijão encarnado cozido, 1 chávenas de ervilhas cozidas, 1 chávena de caldo de legumes, coentros e hortelã a gosto.
Aloure as cebolas e os alhos no azeite. Adicione o feijão e as ervilhas e deixe cozinhar por 5 minutos. Regue com o caldo de legumes e a água e deixe levantar fervura.
Adicione o arroz e deixe cozer.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Menús de Outrora



Escrito pela mão de meu Avô Manuel a indicação: "= Lisboa - Espelho de Água = Sob a presidência do Ministro do Interior [Arnaldo Schulz], almoço de todos os governadores Civis do continente. 23-X-959 [23 de Outubro de 1959].

A indicação do Nescafé - que teve a sua época - é maravilhosa.

Torta à Francesa

 
Comércio do Porto, 23 de Fevereiro de 1936



Torta à Francesa


Ponha-se sobre a mesa 150 grs. de farinha triga, faz-se-lhe uma cova no meio onde se deita: 40 grs. de manteiga, igual peso de açúcar, uma gema de ovo e duas colheres, das de sopa, de água. Amassa-se tudo, faz-se uma bola com a massa e deixa-se repousar durante 1 hora.
Unta-se de manteiga uma forma redonda de bordos baixos, estende-se a massa com o rolo e forra-se com ela a forma, fundo e lados. Cozam-se à parte pêras descascadas num pouco de água e vinho fino (partes iguais) e açúcar ao paladar e deitem-se dentro da torta que vai ao forno até a massa estar bem cozida. Em seguida regam-se as pêras com a calda em ponto mais preso.
Também há quem substitua esta massa das tortas por massa folhada. 

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Torta de Noz


Torta de Noz

Pesa-se meio kilo de nozes com casca, partem-se e passam-se pela máquina.
Batem-se 6 gemas com 125 de açúcar, junta-se as claras em castelo, as nozes, 125 de farinha e 1 colher de fermento.
Vai ao forno em tabuleiro untado de manteiga. Depois de pronto, recheia-se com creme de chocolate bem grosso.
Cobre-se com mais creme e enfeita-se com nozes.

Menús de Outrora




Almoço oferecido pela Câmara Municipal de Lamego em honra de Sua Excelência o Chefe de Estado - Lamego, 29 de Abril de 1965.
Almoço servido pela confeitaria Cunha, do Porto e convite impresso pela Papelaria Progresso, também do Porto.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Creme de Côco e Banana

 

Creme de Côco e Banana

1 dl. de leite
1 colher (de sopa) de côco
3 gemas de ovos
1 lata de leite condensado
3 bananas
sumo de 1 limão

Põe-se o leite a ferver com o côco.
À parte, misturam-se as gemas com o leite condensado e acrescenta-se o leite quente com o côco ralado sem parar de mexer e vai a lume brando até engrossar.
Retire e deixe arrefecer.
Descascam-se as bananas em rodelas finas e põe-se numa taça. Deita-se por cima o sumo de limão e o creme. Vai ao frigorífico.

Menús de Outrora



Almoço de homenagem aos Membros do Governo e Comissão Nacional Henriquina - Presidência do Conselho - Comissão Executiva do V Centenário da Morte do Infante D. Henrique - Delegação de Viseu.
Setembro de 1960

Almoço confeccionado por Fernando Carvalho, Viseu.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Menús de Outrora - Um "Lunche" de Casamento




Menú do "Lunche" de casamento de D. Maria Elisa de Almeida Carvalhas com Dr. Abílio Rodrigues da Silva Tavares, no dia 14 de Maio de 1949, em São Pedro do Sul. Banquete servido pela famosa confeitaria Horta, de Viseu. Uma vez mais, os doces são reis e senhores do menú.

Pão de Figo

Doces e Gelados de Café, Edição da Divisão de Propaganda da Junta de Exportação do Café 
[Ministérios do Ultramar e da Economia], Oficinas Gráficas da Papelaria Fernandes, 1960 - pág.22
 
 
Pão de Figo


400 gramas de figos passados; 100 gramas de amêndoas; 50 gramas de margarina; 200 gramas de açúcar; 6 ovos; 50 gramas de farinha; 1 cálice de café bem forte; 1 cálice de rum.
 
Mergulham-se os figos passados num banho de água muito quente, durante um quarto de hora. Retiram-se do banho e enxugam-se. Limpam-se de fundos e de pé e passam-se pela máquina de picados. É preciso que estejam bem secos antes de serem moídos. Se for necessário devem secar-se no forno sem os deixar torrar, o que lhes roubaria o gosto. Bate-se a margarina derretida em banho-maria com o açúcar, depois as gemas e por fim a massa de figo. Finalmente, metade das claras batidas em castelo bem firme. Misturam-se então as amêndoas peladas e partidas à tesoura, o café, o rum e por fim o resto das claras em castelo bem firme. Vai ao forno, em forma de bolo inglês, bem untada com margarina. Coze durante meia hora, pelo menos. Serve-se frio coberto com creme de chocolate enfeitado com amêndoas inteiras e metades de figos cristalizados a que se tirou o açúcar por meio dum banho morno. Deve servir-se como lanche, nunca como sobremesa de jantar dado o seu poder alimentício. O pão de figo, se for coberto de chocolate apenas derretido, pode durar semanas sem se estragar, o que é óptimo especialmente para merendas ou pequeno almoço das crianças. Cortado em fatias e servido com chantilly ou compota é também muito bom.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Menús de Outrora



Almoço em Honra de Sua Excelência o Presidente da República (Américo Thomaz) e a Senhora D. Gertrudes Rodrigues Thomaz - Santa Comba Dão - 27 de Abril de 1965.

Pudim de Vinho Fino


Pudim de Vinho Fino

Leva-se a ponto de fio 250 de açúcar.
Deixa-se esfriar um pouco e mistura-se-lhe 8 gemas e 1 clara, previamente batidas e 1 cálice de vinho do Porto e 1 colher (de café) de canela. Coze em banho-maria, em forma barrada de açúcar queimado.

sábado, 3 de outubro de 2015

Bolachinhas

 
Comércio do Porto, 05 de Abril de 1936


Bolachinhas


Tomem-se 750 grs. de açúcar, derretam-se em água suficiente para em seguida o levar ao lume onde ferve, ficando em ponto muito brando. Seguida deixe-se arrefecer um pouco.
Numa vasilha bem seca deitem-se 2 quilos de farinha flor, abra-se um buraco no centro onde se põem 125 grs, de manteiga deitando sobre ela a calda de açúcar morna para a derreter. Depois a pouco e pouco vai-se envolvendo a farinha com a calda até se obter uma massa muito macia e perfeitamente ligada.
Trabalhe-se esta massa muito bem e por fim ponha-se sobre uma tábua de estender, corte-se em bocados que se estendem com o rolo até ficarem da espessura de papel, cortando-a em seguida com o corta-massa, dando-lhe o feitio que se quiser. Os bocadinhos cortados, que formam as bolachas levam-se ao forno a cozer em tabuleiros polvilhados de farinha.

Menús de Outrora

 

Inicio hoje a publicação de alguns menús que encontrei enquanto "vasculhava" as gavetas de casa dos Avós. São de eventos para os quais o meu Avô terá sido convidado enquanto Governador Civil de Viseu ou enquanto Deputado na Assembleia Nacional. 
São sempre um caso de estudo interessante, pois mostram a "tendência" da cozinha na época e permitem-nos perceber o que caiu em desuso e que pratos foram permanecendo nas ementas, alguns até aos dias de hoje.
Espero que gostem. E partilhem...

Banquete de Homenagem a Sua Excelência o Senhor Ministro da Saúde e Assistência (na altura seria Henrique de Miranda Vasconcelos Martins de Carvalho) - Oliveira do Conde, 01 de Novembro de 1958 - Integrado na Inauguração da Fundação Comendador José Nunes Martins.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Sobremesa da Maria Feliciana

O Vinho do Porto na Culinária. Grémio dos Exportadores de Vinho do Porto - 1962


Sobremesa da Maria Feliciana

Cortar Pão de Ló às fatias, colocar umas sobre as outras, em colunas, deixando um espaço pequeno entre elas e regar bem com Vinho do Porto de forma a ficarem embebidas. À parte prepara-se um creme delgado que se deita sobre o Pão de Ló. 
Levar ao forno a doirar.

O Vinho do Porto na Culinária


Nada como começar a abrir as gavetas de casa dos avós e aparecerem surpresas destas. Um pequeno mas bonito livro intitulado O Vinho do Porto na Culinária, numa edição do Grémio dos Exportadores do Vinho do Porto - 1962, impresso na Tipografia Rocha de Vila Nova de Gaia. 
Esperam-se muitas e boas receitas com o travo inconfundível deste verdadeiro néctar dos Deuses.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Bolo de Noiva - outra receita

Laura Santos, A Mulher na Sala e na Cozinha, Editorial Lavores, 
11. Edição, s.d., pág.217

Bolo de Noiva

Num alguidar não muito pequeno batem-se 500 gramas de açúcar com 450 gramas de manteiga, até ficar um creme; vão-se juntando, uma a uma, doze gemas de ovos.
Envolvem-se muito bem 500 gramas de farinha com 100 gramas de coco ralado, uma colher de sopa de fermento, 200 gramas de cidrão cortado aos bocadinhos, 200 gramas de nozes, 200 gramas de passas de corinto, raspa de limão e uma colherzinha de canela, três cálices de vinho do Porto e três de conhaque.
Junta-se tudo à massa já batida e a seguir as doze claras batidas em castelo.
Enchem-se, com esta massa, três formas redondas, da mesma altura mas de diâmetros diferentes, untadas de manteiga.
Levam-se a cozer em forno regular; estando cozidas as três partes, desenformam-se, colocando a de maior diâmetro em baixo, barrada de creme de ovos.
Sobre esta a de tamanho médio, igualmente barrada de creme de ovos.
Por fim, coloca-se a mais pequena.
Barra-se todo o bolo com glacê branco, enfeitando-o com confeitos prateados e, no cimo, com um ramo de flor de laranjeira.
É conveniente fazer este bolo com dois ou três dias de antecedência.
 

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Creme Arte Nova

 
Livro de Ouro das Famílias, receita nº 1683, pág. 324-325


Creme Arte Nova

A meio litro de leite junta-se doze folhas de pessegueiro, açúcar e pouco mel, e ferve-se durante cinco minutos; deixa-se amornar, adiciona-se 12 gemas de ovos bem batidos, mexe-se tudo bem, passa-se por peneira e deita-se em tigelinhas. Coze-se em banho-maria dentro do forno até corar. A água do banho não deve exceder meia altura das tigelinhas para evitar que entre nelas quando ferver. Não havendo folhas de pessegueiro emprega-se baunilha.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Biscoitos de Leça


Biscoitos de Leça

100 gr. de manteiga, 100 gr. de açúcar, 200 gr. de farinha e uma clara de ovo.
Bate-se muito bem a clara com o açúcar, depois junta-se-lhe a manteiga derretida, e bate-se bem, querendo põe-se raspa de limão.
Junta-se a farinha, amassa-se com a mão e quando a massa despegar das mãos fazem-se os biscoitos.
Vão ao forno em tabuleiro untado de manteiga e polvilhado de farinha.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Tigelada de Leite e o Livro de Cozinha da Infanta D. Maria

 
Livro de Cozinha da Infanta D. Maria: Imprensa Nacional Casa da Moeda. 1986. pág. 71-72


Tigelada de Leite

Tomarão quatro ovos e açúcar e farinha, que será cinco colheres de prata, numa escudela, tudo batido; e tomarão uma tigelinha de barro e nela derreterão uma pouca de manteiga, que será tanta como uma noz em cada tigela. E depois que for derretida, deitarão este polme, que será temperado com sal, então mandá-lo-ão ao forno; e levem uma pouca de manteiga para deitar por cima depois que se coalhar. E também se pode fazer de leite cozido e de queijo fresco. E assim se faz a tigelada de arroz cozido com o leite. E nestas tigeladas de arroz, quem quiser lhe deita por cima gemas de ovos inteiras.


Chega a parecer incrível que só agora, 600 entradas depois, é que coloco alguma coisa deste maravilhoso livro de cozinha da Infanta D. Maria. Um livro obrigatório em qualquer biblioteca que tenha os temas da cozinha e da culinária (ou até mesmo medicina, já que apresenta algumas receitas para combater certas maleitas) como prioridade.

“O Livro de Cozinha da Infanta D. Maria de Portugal” está guardado na Biblioteca Nacional de Nápoles. Pertenceu à Infanta D. Maria de Portugal, neta do rei D. Manuel I de Portugal, nasceu em Lisboa em 1538, morreu em Parma com 39 anos, em 1577. Dona Maria de Portugal casou em Bruxelas, em 1565, o duque de Parma, Alessandro Farnese, tendo sido mãe de Edoardo, cardeal de Santo Eustáquio (1565-1626), Margherita, que se casou com o duque de Mantova (1567-1643), e de Ranuccio I Farnese, duque de Parma e de Piacenza, cuja descendência se ligou por casamento às importantes dinastias dos Medici, d'Este e Colonna.

“O Livro de Cozinha da Infanta D. Maria de Portugal” faz parte de um grupo de cinco tomos de origem farnesiana. Consta de setenta e quatro fólios, divididos em quatro cadernos com setenta e quatro receitas. Um códice que, apesar dos problemas paleográficos e cronológicos que apresenta, é deveras valioso, contribuindo não só para o vocabulário histórico da linguagem nacional, como também mostrando um lado importante da vida social que é a arte de cozinhar e bem comer, numa época da história nacional portuguesa de que muito pouco se conhece e cujo mais antigo documento de receitas culinárias publicado não é anterior a 1680, que é “A Arte de Cozinha” de Domingos Rodrigues.

“O Livro de Cozinha da Infanta D. Maria de Portugal” é composto de 67 receitas distribuídas em quatro cadernos e mais seis receitas avulsas que não tratam especificamente de culinária, mas de receitas diversas de uso doméstico. O primeiro caderno é o Caderno dos manjares de carne com 26 receitas (numeradas de 4 à 29); o segundo, Caderno dos manjares de ovos, com 4 receitas (numeradas de 30 à 33); em seguida encontra-se o Caderno dos manjares de leite com 7 receitas (numeradas de 34 à 40); e, finalmente, o Caderno das cousas de conserva com 24 receitas (numeradas de 41 à 64).


Festins descritos por Garcia de Resende


Excertos da descrição feita por Garcia de Resende de dois banquetes do casamento do príncipe D. Afonso com D. Isabel:

« [...] E a mesa de El-Rei com tôdolos oficiais vestidos de brocados, e servida por moços fidalgos que serviam de tochas e bacios, ricamente vestidos. E as outras mesas todas com trinchantes e oficiais vestidos de ricas sedas e brocados e mui galantes, e assim os moços da câmara ordenados a cada mesa, todos vestidos de veludo preto. No qual banquete houve infinitas e diversas iguarias e manjares, e singular concerto e abastança e muitas e assignadas cerimónias.

E quando levaram à mesa de El-Rei as iguarias principais e fruta primeira e derradeira, e de beber a ele e à Rainha, e ao Príncipe e Princesa, íam sempre diante, dois e dois, muitos porteiros de maça, reis de armas, arautos e passavantes, os porteiros-mores, quatro mestres-salas, o veador, e os veadores da fazenda, e detrás de todos o Mordomo-mor, e todos iam com os barretes na mão até o estrado, onde faziam suas grandes mesuras, e os veadores da fazenda iam com os barretes na cabeça até o meio da sala, e do meio por diante os levavam na mão, e o Mordomo-mor ia sempre coberto até o fazer da mesura, que juntamente fazia e tirava o barrete. E era tamanha cerimónia que durava muito cada vez que iam à mesa. [...] E logo à entrada da mesa veio uma grande carreta dourada, e traziam-na dois grandes bois assados inteiros, com os cornos e mãos e pés dourados, e o carro vinha cheio de muitos carneiros assados inteiros com os cornos dourados, e vinha tudo posto num cadafalso tão baixo com rodetas por fundo dele, que não se viam, que os bois pareciam vivos e que andavam.

E diante vinha um moço fidalgo com uma aguilhada nas mãos picando os bois, que pareciam que andavam e levavam a carreta, e vinha vestido como carreteiro com um pelote e um gabão de veludo branco forrado de brocado, e assim a carapuça, que de longe parecia próprio carreteiro, e assim foi oferecer os bois e carneiros à Princesa e feito o serviço os tornou a virar com sua aguilhada por toda a sala até sair fora, e deixou tudo ao povo, que com grande grita e prazer foram espedaçados, e levava cada um quanto mais podia.

E assim vieram juntamente a tôdalas mesas muitos pavões assados com os rabos inteiros, e os pescoços e cabeça com toda a sua pena, que pareceram muito bem por serem muitos, e outras muitas sortes de aves e caças, manjares e frutas, tudo em muito grande abundância e grande perfeição».

« [...] E era cousa formosa para ver as mesas como estavam ordenadas, que em cada uma havia três grandes bacios de iguarias cobertos, e em cima dos dois dos cabos estavam tendas de damasco branco e roxo, que eram as cores da Princesa; as tendas eram borladas e muito galantes, com muitas bandeirinhas douradas, e eram grandes de dez côvados cada uma. E na iguaria do meio estava um castelo de feição de tríbulo, feito de madeira subtil, e pano de tafetá dourado, que era muito formosa cousa, e de muito custo.

[...] E toda a gente da corte e da cidade que estava em pé entre as grades, que era muita, todos comiam do que se tirava das mesas, que era em tanta abundância que muito mais era o que sobejava que o que se comia, e por isso não havia pessoa que deitasse mão de cousa alguma, nem fizesse mau ensino, e também pelos muitos oficiais que nisso faziam tento, e pelo castigo que sabiam que haviam de haver se o fizessem, e mais sobejando tudo a todos; que certo foi em tanta abastança e tanta perfeição, tanta honra, tanto estado, quanto no mundo podia ser».

Fonte: Resende G. Crónica de D. João II. In: Crónica de D. João II e Miscelânea. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda; 1973. (Retirado da página de Facebook da Associação dos Professores de História)

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Lamberetes

Thesouro de Cosinha - Colecção de Manuaes Modernos
por Jorge Cavalheiro, Imprensa Nacional, Porto, 1928, pág.55
 
Lamberetes
 
Tomem-se seis ovos e separem-se as gemas das claras, batendo cada qual à parte. As claras devem ser batidas até ficar em espuma seca. Quando estas assim estiverem, junte-lhes as seis gemas, seis colheres de açúcar refinado e seis colheres de farinha flor muito bem peneirada. Mistura-se tudo muito até fazer pasta homogénea e distribuia depois a massa sobre papel com a forma dos lamberetes. Vai ao forno branco para secar e cozer.
 
 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Orelhas de Abade

Ministério da Agricultura e Branca Miraflor: O Mel, Livraria Barateira, Lisboa, 1938 - Pág.20


Orelhas de Abade

Deita-se em uma vasilha, farinha de trigo, e sobre ela um pouco de leite bem quente ou água, mexe-se e envolve-se a farinha de forma que fique um bolo duro. Na água ou leite deve ter-se deitado algum mel.
Vão-se deitando, um a um, os ovos precisos para ficar um polme grosso, mas que corra, e amassando ou batendo muito bem com a mão. Deixa-se descansar umas duas horas e depois vai-se deitando com uma colher de sopa, colheradas de massa em azeite fervente. Em estando louras de um lado e doutro, colocam-se numa travessa, polvilham-se com canela e açúcar, calda de açúcar ou melhor ainda calda de mel. 

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Bolinhos


Bolinhos

Batem-se 4 gemas com 220 gramas de açúcar e casca ralada dum limão. Junta-se 150 de margarina amolecida e mexe-bem. Leva depois pouco a pouco, batendo sempre, 190 gr. de farinha e 2 colheres (de chá) de fermento, alternando com as claras batidas em castelo.
Põe-se a massa em forminhas untadas.
Cozem em forno esperto e polvilham-se com açúcar.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Fatias Chinesas

Autores Vários: O Cozinheiro dos Cozinheiros, Edição de Paul Plantier, 
Lisboa, 1877 - 2ª Edição. Pág.787
Fatias Chinesas

Duas duzias de gemas de ovos, meio arratel de açúcar areado, uma mão cheia de amêndoas pisadas, mistura-se tudo e bate-se até engrossar. Depois se deita em uma lata bem tapada, que esteja untada de manteiga, e meta-se a lata em um tacho de água a ferver, por tempo de meia hora, tendo cuidado em pôr sobre uma rodilha, que deve ter-se metido dentro do tacho para que a lata se não pegue; pondo-se em cima dela um peso para que esteja segura, e cobrindo-a com um pano de boril, até ferver pelo referido espaço de tempo, depois se tira a lata e a massa se põe a esfriar em pratos, e depois de enxuta se corta com uma faca em fatias finas, que vão passando por calda de açúcar em ponto de espadana (em porção igual à que acima se disse) e polvilhando com canela e grangeia.

Dicionário

ar·rá·tel (árabe ar-ratl) substantivo masculino [Metrologia] Antiga unidade de medida de peso equivalente a 459 gramas. = LIBRA

"arrátel", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/arr%C3%A1tel [consultado em 12-08-2015].

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Pastéis do Cocó

Cozinha de Lisboa e seu termo: Alfredo Saramago, Assírio e Alvim

Pastéis do Cocó

Faça uma massa folhada e depois de descansar estenda-a e corte, com uma carretilha, rodelas de massa e ponha no meio uma colher de sopa de recheio, que são ovos-moles com um pouco de amêndoas torradas muito picadas. Dobre, faça meias luas e leve ao forno a cozerem.

Nota de Rodapé: O cocó tinha uma confeitaria na Rua de São Nicolau conhecida com o mesmo nome. O Cocó, de nome Araújo, foi pai de José Gregório de Rosa Araújo, o homem da Avenida da Liberdade e do início da Lisboa moderna. Eram os melhores pastéis de Lisboa, segundo Francisco Câncio que conheceu a casa, os pastéis e os bons almoços que lá serviam. Francisco Câncio, in Arquivo Alfacinha, V, II, C.M.L. 1954.
Na década de 1920 eram fabricados em Mafra uns bolinhos também conhecidos como cocós, pelas manas Sousa, da Leitaria Modesta.

"O "Cócó"
Rosa Araújo, o "Cócó", nasce a 17 de Novembro de 1840 e morre a 26 de Janeiro de 1893.

Confeiteiro, burgês, capitalista, vereador, presidente da Câmara Minicipal de Lisboa, par do Reino, tendo por vezes recusado o título de visconde.

Filho de Manuel José da SIlva Araújo, dono da Confeitaria Portuguesa, na Rua de S. Nicolau, célebre à época pelos seus pastéis de ovo de folhado muito fino, mais conhecidos por pastéis do cócó, esta designação passou também para os referidos pastéis. Herdou-a também o seu filho, numa época em que já era um político influente.

Rosa Araújo, membro do Partido Regenerador, integrou a lista para as eleições municipais de 1981, tendo sido eleito. A sua intervenção na Câmara Municipal de Lisboa vai prolongar-se por dezoito anos.

Desse longo período, onde naturalmente teve a seu cargo inúmeros projectos, destaca-se a longa polémica de encerramento do Passeio Público, para abertura da Avenida."

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Orgèas

 
Phulano DE THAL: Cozinha Francesa. Livraria Clássica Editora, Lisboa - [1931]. pág.624/625


Orgèas

Este nome designa certos bolos para chá muito em moda em Paris.
Preparar uma massa, muito leve, com 250 gramas de farinha, 250 gramas de amêndoas assadas na grelha e trituradas, quatro ovos inteiros, uma pitada de sal, uma colher para café de canela em pó.
Polvilhar com farinha um tabuleiro de ir ao forno, dispor sobre ele a massa bem trabalhada, que deverá ter dois centímetros de espessura. Meter no forno durante alguns momentos, espalhar sobre a massa uma pequena quantidade de amêndoas misturadas com açúcar. Quando tudo estiver bem doirado, retirar do forno e polvilhar com açúcar em pó. Enquanto o bolo está ainda quente, talhá-lo em losangos ou em rodelas com um vasador.

As mais visitadas são: