quinta-feira, 16 de maio de 2019

Bolinhos de amor

 AAVV. Gastronomia: Património do Tâmega e Sousa. Ed. Rota do Românico, Dez. de 2014

Bolinhos de Amor

Ingredientes: (para a massa) 6 ovos inteiros, 8 gemas de ovo, 150 gr. de açúcar, 250 gr. de farinha e raspa de 1 limão; (para a cobertura) 150 gr. de açúcar em pó, 1 clara de ovo e sumo de 1 limão.

Modo de confecção: misturam-se os ovos inteiros, as gemas e o açúcar. Bate-se durante 20 minutos, sem parar, até obter uma massa fofa. Adicionam-se a farinha peneirada e a raspa de limão. Num tabuleiro com papel vegetal untado, colocam-se pequenas porções de massa, bem separadas.
Para fazer estas porções utiliza-se uma colher de sopa. De seguida, coloca-se o tabuleiro no forno, pré-aquecido a 200º C, durante 10 minutos. Quando estiverem cozidas, retiram-se do tabuleiro e deixam-se arrefecer. Para a confecção da cobertura, batem-se o açúcar, a clara de ovo e o sumo de limão até ficar tudo bem misturado. Convém que o açúcar esteja no ponto pérola. Com este preparado ainda quente, untam-se os bolos e deixa-se secar. A tradição refere que o açúcar deve estar bem quente, sendo que os riscos devem ser feitos com os dedos. Contudo, é preciso ter o máximo cuidado para não se queimar.

Gastronomia: Património imaterial do Tâmega e Sousa


Depois de um longo período, que combinou algum trabalho e, depois, férias merecidas, venho de novo à vossa companhia.
Desta vez trago um belíssimo livro dedicado à Gastronomia dos vales do Tâmega e do Sousa. Com a chancela Rota do Românico, este livro é um apanhado excelente das iguarias que povoam, a par com as igrejas, mosteiros, pontes e torres românicas, aquela belíssima região.

A Rota do Românico é das coisas mais bem feitas, turística e historicamente falando, que temos em Portugal. É um circuito por 58 monumentos românicos ou com raízes no românico numa área que abrange três vales: Tâmega, Sousa e Douro. É pura magia. Do património edificado à paisagem, passando pelas gentes e pela gastronomia, é uma viagem por um Portugal de antanho.


Podem explorar o muito bem feito site da Rota do Românico - www.rotasdoromanico.pt - ou explorar a igualmente bem feita App para telemóveis e tablets: https://www.microsoft.com/store/productId/9WZDNCRCS9P3 

O Ponto de Partida para a dita Rota do Românico deverá ser, na minha opinião, o incrível Centro de Interpretação da Rota do Românico, na Lousada.

Para aguçar o apetite, aqui vão algumas fotos tiradas por mim:








quinta-feira, 4 de abril de 2019

Penhascos da Figueira

 Guida Cândido e Margarida Perrolas, A Nossa Mesa - Receituário Gastronómico da Figueira da Foz.
C. M. Figueira da Foz,2ª ed. Março de 2019. p. 275

Penhascos da Figueira

13 claras
2 kg. de açúcar
2 kg. de amêndoa
1 colher de sopa de farinha

Bate-se as amêndoas com pele (devem ser batidas, uma a uma, com um martelo ou outro objecto). Bate-se as claras em castelo. Junta-se tudo. Num tabuleiro forrado com papel vegetal, coloca-se uns montinhos desta massa e cozem-se em forno brando.

A Nossa Mesa - Receituário Gastronómico da Figueira da Foz - 2ª Edição


Acaba de ser lançado, pela Divisão de Cultura da Câmara Municipal da Figueira da Foz, uma 2ª Edição do extraordinário livro A Nossa Mesa - Receituário Gastronómico da Figueira da Foz.

Ao longo de 400 belas página, somos levados pelos sabores e cheiros da cozinha regional da Figueira da Foz, num desfilar de receitas que se perdem no tempo, acompanhadas por fotografias de excelente execução e bom gosto.

Depois das habituais introduções feitas pelas forças vivas locais, o livro inicia-se com um profundo texto sobre o Património Gastronómico: Enquadramento Histórico e Geográfico. Este é um foco muito importante porque não se consegue compreender a gastronomia local se não percebermos a geo-história do local... o meio, como todos sabemos, influencia tudo: "Num território marcado pela migração, emigração e imigração, a influência de outras cozinhas é evidente, como não podia deixar de ser. E por isso se reconhecem sabores de terras mais a sul ou mais a norte ou de outras paragens mais remotas. A Beira. muito presente, como o Mondego a influenciar e a denunciar sabores comuns. A morfologia do território a condicionar e a determinar usos e costumes e, obviamente, a escolha de ingredientes", adianta-se na Introdução (p. 13).

Findo o enquadramento histórico, entramos então na segunda parte do livro que se desenvolve em Receituário Tradicional - do mar; do fiel amigo; do rio; do grão à farinha; da capoeira e da caça; da matança; da merenda; da mesa rica; da mesa de todos os dias; da gula; das festividades - e em Velhos Produtos, Novas Receitas - arroz; bacalhau; raia; sal; salicórnia; porco; conservas - trazendo assim, para a contemporaneidade, um novo fôlego aos ingredientes locais. No inicio de cada secção destes dois grandes grupos é sempre realizado uma introdução histórica com recurso a imagens de arquivo surpreendentes. 

Tudo o que possa dizer deste livro é muito pouco. Apenas que é um raro exemplo, de um trabalho essencial que todas autarquias deviam apostar e realizar, para preservação de uma memória que é de todos e que não se pode perder. Os depoimentos e as receitas familiares e particulares ficam assim, para todo o sempre, impressas numa obra de excepção.

Coordenação: Guida Cândido - autora de Cinco Séculos à Mesa e Comer Como Uma Rainha, e figura no segundo episódio da série da RTP História da Gastronomia Portuguesa, sobre o Livro de Receitas da Infanta D. Maria - e Margarida Perrolas. 
Textos e Fotografia Guida Cândido.
Design: Eduardo Oliveira. 
Apoio à pesquisa: Ana Vaz Pinto.
À venda pelo valor de 15,00€, no Posto de Turismo, no Museu Municipal e Núcleos Museológicos, Biblioteca Municipal e Centro de Artes e Espetáculos.

Não deixem de encomendar.

sábado, 30 de março de 2019

CONTRA A MANIA DE CORTAREM OS BOLOS DE PASTELARIA AO MEIO



CONTRA A MANIA DE CORTAREM OS BOLOS DE PASTELARIA AO MEIO

Para: População Portuguesa em geral, frequentadores de pastelarias em particular.

Diga não à mania de cortarem os bolos de pastelaria ao meio, normalmente sem perguntarem e com uma faca nojenta multi-usos que é apenas limpa, após várias utilizações diversas, com um pano igualmente multi-usos, igualmente limpo após várias utilizações diversas. 
Esta mania, que cresceu em simultâneo com a muito brega e irritante moda de servirem um chá sem ser em bule - normalmente numa chávena deprimente com um não menos deprimente saco de chá para lá enfiado (quando este não vem preguiçosamente colocado ao lado da chávena) -, tem de acabar. 
Diga não ao seu croissant espalmado pela brutalidade dos empregados de café. Diga não ao desperdício de creme do seu jesuíta que fica agarrado na faca. Diga não à mistura de sabores. Nós não queremos um queque a saber a caracol ou um xadrez com pedaços de cocô de um pão de Deus. 
Pela dignidade dos bolos de pastelaria, assine esta petição.

quarta-feira, 27 de março de 2019

Bolos de Cabeça

 Sabores das Nossas Memória, Agrupamento Vertical de Escolas da Golegã, Azinhaga e Pombalinho,
1ª Ed., Junho de 2009, p. 76

Bolos de Cabeça

Ingredientes:

2 dl de azeite
1,5 kg de farinha de trigo
500 g de açúcar
2 ovos
50 g de manteiga
1 dl de leite
50 g de fermento de padeiro
Canela, sal e raspa da casca de limão, q.b.

Modo de confecção:

Num alguidar, deita-se o azeite a ferver sobre a farinha com uma pitada de sal e misture bem. Junta-se o açúcar, a canela, a raspa de limão, os ovos, a manteiga derretida e o fermento de padeiro dissolvido no leite ou água morna. Amassa-se bem até a massa estar rija mas elástica. Cobre-se o alguidar com um cobertor e deixe a levedar durante doze horas em local aquecido.
Moldam-se as bolas, torcem-se em forma de oito e vão a cozer ao forno. Se o forno for de lenha ficam muito melhores.

Sabores das Nossas Memórias

Sabores das Nossas Memória, Agrupamento Vertical de Escolas da Golegã, Azinhaga e Pombalinho,
1ª Ed., Junho de 2009

Num périplo cultural que realizei pelas terras de Alpiarça, Golegã e Constância, dei de caras com este livro na loja da Casa-Estúdio Carlos Relvas. Este género de compilações, mais que meritórias, registam num determinado momento aquilo que se pode considerar regional, típico ou tradicional. São livros sem pretensões, em que a população local tem um papel fundamental.
O livro conta com prefácio do Chef Silva e Filipa Vacondeus e divide o seu recheio em Sopas, Peixe, Açordas, Carne e Doces, com muitas muitas receitas de sabor antigo e popular (como o Café de Borra, a Tiborna, entre outros).
Foi uma bela compra... segue já a primeira receita.

quarta-feira, 20 de março de 2019

Bolo de Namorados, do Almanaque Lello para 1934

Almanaque Lello -1934 - pág. 207

Bolo de Namorados

Quantidades:
9 colheres de açúcar
9 ditas de farinha de trigo
3 colheres de sopa de manteiga
2 ovos
1 colherzinha de fermento
meia chávena de leite

Batem-se primeiro em castelo as duas claras, depois as gemas, às quais se junta em seguida o açúcar batido com a manteiga; deita-se a farinha e mexe-se bem; por último o leite e o fermento inglês. Torna-se a bater tudo com força. 
Barra-se bem uma forma redonda e põe-se o bolo a cozer em forno regular, cobrindo a forma com um papel, barrado com manteiga. 
Desenforma-se e deixa-se esfriar.
Corta-se atravessado em três partes iguais. Faz-se com 1/4 de litro de leite, uma colher de maizena, algum açúcar, baunilha, chocolate, duas gemas de ovo, um creme bem espesso e barra-se com ele a fatia de baixo, pela parte superior; a segunda da mesma forma, colocando por fim a última como tampa e cobrindo depois o bolo com o creme. 
Faz-se então com as claras batidas em neve, açúcar em pó e umas gotas de cognac, um glacé para efeitar por cima com um aparelho próprio. Guarnece-se o bolo a gosto de cada um.

terça-feira, 12 de março de 2019

Pudim de Côco


Pudim de Côco

Açúcar pilé 400 gr.
Côco ralado 250 gr.
Gemas de Ovos 6

Põe-se o açúcar ao lume com um pouco de água e deixa-se ferver até criar ponto quase de rebuçado. Tira-se e deita-se o côco e as gemas batidas. Vai ao forno a cozer em forma untada.

sábado, 9 de março de 2019

Morangos Romanov

Françoise Bernard, Receitas Fáceis Para Toda a Família, 
Livros do Brasil, Lisboa: 1994, p. 432

Morangos Romanov

1/2 kg de morangos
1 laranja
1 limão
3 colheres de sopa de licor curaçau
40 g. de açúcar (cerca de 2 colheres de sopa)

Lave cuidadosamente os morangos, mas não os deixe ficar dentro de água. Escorra bem. Retira-lhes os pés.

Disponha os morangos numa taça grande ou saladeira, regados com o licor de curaçau (ou qualquer outro licor de laranja), o sumo de 1 limão e de 1 laranja e as 2 colheres de açúcar. Deixe macerar durante 2 horas em local fresco. Coloque igualmente as natas na parte menos fria do frigorífico.

Chantilly

125 g. de natas
1 a 2 colheres de sopa de leite
1 pacote de açúcar baunilhado
1 cubo de gelo (facultativo)

Chantilly: Numa tigela muito fria, misture as natas com um pouco de leite frio até obter a consistência de um creme liquido. Adicione o açúcar baunilhado e, se possível, o cubo de gelo. Bata com uma vara, de preferência de hastes compridas, em ritmo bastante lento, de modo a incorporar o máximo de ar possível no creme. Assim que o creme batido se apresentar espumoso e se agarrar ao batedor, pare imediatamente de bater, para que o chantilly não se transforme em manteiga. Retire o cubo de gelo e conserve em local fresco.

O meu conselho: Mesmo sem chantilly, esta sobremesa é deliciosa. A mistura dos morangos-laranjas-limão é realmente surpreendente.

Françoise Bernard - Receitas Fáceis


O Françoise Bernard está para a França como a Francine Dupré ["alter-ego" de Maria de Lourdes Modesto] está para Portugal. Trabalhou para a Unilever, fez a apologia da margarina e escreveu muitos mas muitos livros, para além de imensos programas na televisão e na rádio. Um dos livros mais famosos, ainda hoje, é este Receitas Fáceis.
O verdadeiro nome de Françoise Bernard é Andrée Jonquoy, nascida a 2 de Março de 1921 e ainda viva.


É um livro simples, sem pretensões e com óptimas propostas. Encontra-se relativamente barato nas livrarias. Foi mais uma aquisição para a Biblioteca do Blog As Receitas da Avó Helena e da Eduarda.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Bolas de Berlim com Creme Pasteleiro (receita de Mestre Silva)


Bolas de Berlim
(Mestre Silva) 

Massa: 
0,5 kg de farinha e mais alguma para polvilhar; 30 g. de fermento de padeiro; sal q.b.; 125 g. de margarina; 150 g. de açúcar; raspa do vidrado de limão ou laranja; 3 ovos; 1/2 dl. de leite levemente aquecido; óleo q.b. para fritar as bolas; canela e açúcar misturados, na proporção de 5 colheres (sopa) de açúcar para 1 de canela moída.

O processo de amassar é idêntico ao do bolo rei e do folar: deite a farinha sobre a mesa, abra-lhe uma cavidade ao centro, deite aí o fermento de padeiro e o leite e amasse-os com um pouco de farinha que os rodeia; faça uma bolinha, dê-lhe dois golpes superficiais em cruz e deixe crescer.

Depois de o fermento ter crescido, retire do meio da farinha e amasse aí o açúcar com a margarina e a raspa do limão ou laranja, muito bem amassados; junte-lhe depois o fermento, o sal e os ovos, um a um, e continue a amassar e a bater a massa até que, polvilhando com a ajuda de mais um pouco de farinha, ela se descole da mesa. Forme uma bola e deixe levedar até crescer praticamente para o dobro. Corte pequenas porções com o peso de 50 g. cada e coloque-as, intervaladas, num tabuleiro ou sobre a mesa polvilhada com farinha. Deixe levedar bem e crescer novamente.

Depois de terem crescido bastante, frite-as em óleo pouco quente, lentamente, virando-as de vez em quando para fritarem por igual; trate a massa com muito cuidado para não a deformar.

Depois de fritas, retire-as, escorre-as e polvilhe-as muito bem com a mistura de açúcar e canela.

Depois de polvilhadas, com uma tesoura limpa, faça-lhes uma abertura, na qual, com a ajuda de uma colher, introduz porções de creme pasteleiro frio.

Creme Pasteleiro

75 gr. de açúcar
30 gr. de farinha de trigo (1 colher de sopa bem cheia)
1 ovo inteiro + 1 gema
2,5 dl. de leite
1 casquinha de limão
1 pauzinho de canela

Ferva o leite com a casco do limão e o pauzinho de canela; misture muito bem o açúcar com a farinha, junte os ovos, mexa bem e adicione depois o leite fervido, passado pelo passador, devagarinho e mexendo sempre. Leve ao lume e mexa bem com a colher de pau, sem parar, até ferver, raspando bem no fundo para não pegar. Logo que ferva retire do lume e despeje num recipiente.

Existe outra receita de Bolas de Berlim AQUI.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Pastéis de Neve à Robles Monteiro

Guia da Doceira em sua casa dedicado aos Artistas do Teatro Português,
de Maria Margarida (pseud. Bernardino Alves Lopes ?), [1934], Cartaxo, Tip. Treze, pág.51
 
 
Pastéis de Neve à Robles Monteiro


Põe-se 500 grs. de açúcar em ponto e junta-se 125 grs. de nozes pisadas; logo que levante fervura deixa-se arrefecer. Durante este tempo batem-se muito bem 15 gemas e 3 claras; depois de tudo ligado junta-se-lhe canela e casca de limão ralada; voltando ao lume, brando, mexendo sempre de forma a não pegar, e quando a massa barrar a colher tira-se novamente do lume para esfriar, deitando-se em seguida nas latas untadas de manteiga para irem ao forno. Estando prontos polvilham-se com açúcar pilé e canela.
 
 
Robles Monteiro e Amélia Rey Colaço
 

Felisberto Manuel Teles Jordão Robles Monteiro, ator e empresário em atividade no século XX, tem o seu nome indissoluvelmente ligado a uma das mais importantes companhias de teatro portuguesas – a Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro –, justamente a que durante mais tempo marcou um estilo no teatro português.

Discípulo de Augusto Rosa, Robles Monteiro integrou a companhia residente do Teatro Nacional D. Maria II, mas insatisfações crescentes com o meio teatral estabelecido levaram-no, em 1921, a criar a sua própria companhia com a sua mulher, Amélia Rey Colaço. Foi aqui que revelou os seus dotes de empresário, sendo responsável pela gestão administrativa da companhia, mas provando ter também uma competência de ensaiador, o que lhe valeu elogios à sua capacidade de formar novos atores e dirigir em cena nomes já estabelecidos da cena teatral.

Nascido em São Vicente da Beira, Robles Monteiro iniciou a sua vida num percurso totalmente distinto daquele que o iria notabilizar: frequentou o seminário (algumas fontes indicam o Colégio de S. Fiel, perto de casa, outras o seminário da Guarda) com o objetivo de seguir a vida clerical. Segundo consta, foi durante uma récita escolar que o próprio bispo, perante o talento do jovem, o aconselhou a enveredar pela arte teatral (SANTOS 1989a: 4). Numa mudança de rumo, frequentou o Curso Superior de Letras como voluntário, modalidade que lhe permitia assistir às aulas sem, no entanto, ser submetido a avaliação e, como tal, isento do pagamento de propinas. Este interesse pelas Letras levou-o ainda a trabalhar como noticiarista e jornalista em Lisboa, mas apenas por um breve período, uma vez que o teatro falou mais alto e, a 27 de dezembro de 1913, estreou-se no espetáculo A caixeirinha, no Teatro República.

Foi acolhido como discípulo por Augusto Rosa, com quem aprendeu não só a arte dramática, mas também uma atitude perante a vida e os costumes, sendo presença assídua na casa do mestre e participando nas receções que este ali organizava, um privilégio partilhado por muito poucos, mas incluindo Amélia Rey Colaço, também ela discípula de Rosa. Poucos anos mais tarde, a 4 de dezembro de 1920, mas já após a morte do mestre (1918), os dois discípulos acabariam por casar (um destino bastante desejado por Augusto Rosa, segundo Amélia), e essa união revelou ser uma das mais fortes do teatro português, tanto a nível pessoal como profissional.

Durante a época de 1920-21, o casal integrou o Teatro Nacional D. Maria II, que atravessava um período de algum desprestígio, devido não só a limitações artísticas (praticando um naturalismo já relativamente fora de moda) e à falta de meios económicos para produções de qualidade, mas também à indisciplina entre os atores da companhia, movidos sobretudo por egoísmos e guerras de vaidades. A apresentação de Zilda, de Alfredo Cortez, a 5 de março de 1921 (onde Robles desempenhou o papel de Manuel de Castro, e Amélia o da protagonista) pareceu despoletar conflitos internos que levaram à saída de ambos da companhia do Nacional. Determinados a contrariar a aparente decadência do teatro português, criaram a sua própria companhia.

A Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro estreou-se precisamente com Zilda, no Teatro Nacional de S. Carlos, a 18 de junho de 1921, ainda com encenação de António Pinheiro, e o casal de atores a assegurar os mesmos papéis que haviam desempenhado no Nacional. Na primeira fase da companhia, Robles participou na interpretação de todos os espetáculos, partilhando a direção artística do grupo com Amélia. Após uma primeira época no S. Carlos, a companhia instalou-se no Politeama e, posteriormente, no Ginásio e no Trindade, até 1930. Robles Monteiro passou a assinar com maior frequência a encenação dos espetáculos, muitas vezes em conjunto com a mulher, e desligou-se progressivamente da interpretação.

As qualidades de Robles Monteiro como organizador e ensaiador tinham-se manifestado já cedo – em 1919 havia dirigido a sua própria companhia no Teatro do Ginásio – mas foi durante o longo percurso da Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro que elas mais se revelaram. Assim, enquanto Amélia brilhava na interpretação e na direção artística dos espetáculos (era famoso o seu bom gosto na decoração dos cenários e no cuidado que a eles dedicava, mesmo quando eram convidados artistas para a criação dos cenários e figurinos), Robles afirmava a sua apetência pela marcação dos espetáculos e distribuição dos papéis, os ensaios e a formação dos atores. Esta última valência foi particularmente importante para a consolidação de um elenco notável, entre atores novos e outros consagrados, e que se manteve com uma qualidade muito apreciável. Foram muitos os atores de renome que fizeram questão de passar pela companhia, e muitos os atores novos (alguns sem passagem pelo Conservatório) que, junto de Robles Monteiro, tiveram a sua formação e lançaram a sua carreira teatral, como foi o caso de Raul de Carvalho, Álvaro Benamor, Maria Lalande, Assis Pacheco e Eunice Muñoz, entre outros, incluindo, naturalmente, Mariana Rey Monteiro, filha de Amélia e Robles. Foi visto por muitos como uma figura quase paternal, a quem recorriam para conselhos acerca da carreira e da vida em geral, sendo disso exemplo a correspondência entre o casal e Carlos Avilez, Carmen Dolores, ou Helena Félix.

Foi também responsável pela gestão administrativa da companhia, tarefa particularmente difícil a partir de 1929, ano em que lhes foi concedida a exploração do Teatro Nacional D. Maria II. As condições da exploração eram desfavoráveis a qualquer companhia com alguma ambição a nível artístico, pelo desequilíbrio entre as exigências estipuladas (a nível de repertório) e as ajudas concedidas para o efeito. No entanto, e apesar das inúmeras crises financeiras mais ou menos graves por que passaram ao longo dos anos, a gestão de Robles Monteiro permitiu o equilíbrio da companhia e a marca de algum prestígio que trouxeram ao Teatro Nacional D. Maria II.

Durante os ensaios de O processo de Jesus, Robles Monteiro sentiu-se mal, acabando por morrer pouco depois em casa, a 28 de novembro de 1958. Ficou para a história como o “homem, de fala lenta, simples e metódico, de uma sensibilidade exquise que nem todos captavam” (Diário de Lisboa, 29-11-1958, p. 8), conhecido também pelo seu cavalheirismo e figura elegante, tendo como “imagem de marca o distinto monóculo e o sotaque beirão, que nunca abandonaria” (BARROS 2009: 129).

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Bolinhos de Amor


 Bolinhos de Amor

6 ovos inteiros
375 gr. de açúcar
200 gr. de manteiga
Raspa de um limão
1/2 [meia] colher de chá de bicarbonato de soda.

Bate-se primeiro o açúcar com a manteiga, até ligar bem. Em seguida junta-se-lhe os ovos e o limão e a 1/2 [meia] colher de bicarbonato. Junta-se a farinha precisa, formando-se uns bolinhos redondos, devendo pintar-se com gema de ovo e leva-se ao forno. Querendo em vez do limão pode deitar-se baunilha.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Bolo de Chocolate Para o Chá (com Glacê de Chocolate)

Revista Banquete, nº 19,Setembro de 1961, pág. 22


Bolo de Chocolate 
Para o Chá

Primeiro, batem-se 400 grs. de açúcar com 170 grs. de manteiga. Acrescenta-se-lhe 4 gemas de ovos. Estando a massa bem ligada, diluem-se 200 grs. de chocolate Belleville em duas chávenas de leite, que se incorpora à massa, depois de o leite arrefecer, alternando com 600 grs. de farinha, previamente misturada com 4 colheres rasas de fermento em pó.
Quando já estiver tudo bem ligado, batem-se as claras em castelo e adicionam-se levemente ao restante preparado.
Deita-se a massa numa forma grande, comprida, geralmente utilizada para bolo inglês, ou num tabuleiro grande. Em qualquer dos casos, deve-se previamente untar e enfarinhar o molde.
O bolo coze num forno moderado, durante cerca 40 minutos; e, depois de cozido, arrefece-se sobre uma grade.
Depois de frio, cobre-se com glacê de chocolate. Se se tiver cozido o bolo num tabuleiro, corta-se depois em quadrados.

Glacê de Chocolate

Partem-se 250 grs. de chocolate para um tacho, onde se deitam também 3 colheres das de sopa de água. Deixa-se amolecer completamente, sem mexer, e só quando estiver derretido se lhe acrescenta a manteiga e se bate vigorosamente com uma colher de pau, para a mistura ficar muito lisa.
Deita-se a cobertura sobre o bolo, espalha-se rapidamente, com uma espátula, e decora-se com meias nozes ou amêndoas.

sábado, 26 de janeiro de 2019

Pão de Queijo e Sopa de Puré Duquesa

Da Cozinheira Desconhecida

 Pão de Queijo

12 col. de sopa de farinha triga
1 col. de sopa de fermento em pó
1 colher de chá de sal
1 colher de sopa de manteiga
1 xicara de leite
1 ovo batido
1 colher das de chá de açúcar
queijo q.b.

Mistura-se a farinha com o fermento e o sal, e acrescentam-se-lhes os outros ingredientes pela ordem em que vem mencionados.
Trabalha-se a massa até ficar bem ligada; estende-se com o rôlo, sobre um pano, e cortam-se os pães redondos, colocando, no centro de cada, um pedacinho de queijo.
Cozem em forno quente.

Sopa de Puré Duquesa

Lave as batatas e deixe-as ferver, descascando-as logo em seguida. Passe-as pelo "passevite" e deite directamente o puré obtido numa panela que contenha no fundo um pouco de leite, permanecendo esta no canto do fogão para não arrefecer. Separadamente, bate-se um ovo e mistura-se ao puré, rectificando-se os temperos. Deita-se uma boa porção de caldo de carne ou simplesmente água a ferver e mistura-se tudo. Polvilha-se a sopa obtida com salsa picada.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Queijadas de Sintra, por sugestão de Eça de Queiroz.


Beatriz Berrini e Maria de Lourdes Modesto, Comer e Beber com Eça de Queiroz,
 Lisboa, Edições Aletheia, 2014, p. 134/135


Queijadas de Sintra

Ingredientes para 12 queijadas

Para a massa: 250 g. de farinha, 1 colher de sopa de manteiga ou de banha; água; sal.

Para o recheio: 400 g. de queijo fresco sem sal; 350 g, de açúcar; 4 gemas; 60 g. de farinha; 1 colher de café de canela em pó.

De véspera, peneira-se a farinha em monte, faz-se uma cova no meio onde se deita a gordura quente. Mistura-se.
Depois vai-se adicionando água morna temperada com sal, aos pinguinhos e amassando.
Sova-se bem a massa e deixa-se descansar coberta com um pano sobre o qual se coloca outro molhado.
No dia seguinte prepara-se o recheio: reduz-se o queijo a puré, junta-se-lhe o açúcar, as gemas, a farinha e a canela. Mistura-se tudo muito bem.
Estende-se a massa muito fina com o rolo e farinha. Corta-se a massa em círculos com 9 cm de diâmetro.
Com uma tesoura dão-se quatro golpes nos bordos da massa (para enconchar) e com estes círculos de massa forram-se forminhas com o fundo abaulado. Enchem-se com o preparado de queijo e levam-se a cozer em forno muito quente durante cerca de 15 minutos.

"Ega ia largar atarantadamente o embrulho, para apertar a mão que Maria Eduarda lhe estendia, corada e sorrindo. Mas o papel pardo, mal atado, desfez-se; e uma provisão fresca de queijadas de Sintra rolou, esmagando-se, sobre as flores do tapete. Então todo embaraçado findou através de uma risada alegre..."
(Os Maias)

sábado, 5 de janeiro de 2019

Tarte de Maçã (Rosário) - Fotoreportagem

 BASE
Junta-se todos os ingredientes:

250 gr. de farinha

1 gema

1 colher de sopa de açúcar

1 colher de chá de fermento

150 gr. de manteiga ou margarina

mistura-se tudo muito bem, com as mãos.
Depois deixa-se descansar um pouco a massa
e depois forra-se a forma depois de untada com margarina.

Corta-se umas 4 maçãs às tirinhas muito fininhas e põem-se em vinho do Porto.
Enche-se a torteira com a maçã
 e cobre-se com o seguinte creme.

CREME:

Derrete-se 2 colheres de sopa de manteiga com 375 gr. de açúcar ao lume

e junta-se 3 ovos inteiros mas 1 por 1.

Depois de bem mexido

deita-se o creme por cima das maçãs e vai ao forno.
P.S. O vinho do Porto das maçãs pode-se acrescentar ao creme.

E está feito. Uma belíssima Tarte de Maçã e Vinho do Porto que é super saborosa, óptima consistência e muito simples de ser feita. Resulta muito bem e fez enorme sensação. Polvilhada de canela e acompanhada por uma bola de gelado é sucesso garantido. Experimente e diga-me da sua experiência. 
A dose é bastante generosa. A minha tarteira revelou-se até bastante pequena para o volume de maçãs e de creme.
 
Ora veja que bonita fica:


Veja a receita da Tarte de Maçã (Rosário) aqui.