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segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Prato à Italiana (macarrão para crianças!)


Prato à Italiana
 
1. Vamos preparar um prato muito gostoso, à maneira do país onde o macarroni é muito apreciado. Precisamos de 150 gramas de macarrão fino, 100 gramas de fiambre ou de salsichas às tiras, uma lata de massa de tomate, um pouco de queijo ralado, uma folha de alface, 30 gramas de margarina, duas colheres das de sopa de molho de salada, meia colher de leite das de sopa, salsa picadinha, uma pitada de sal e uma porçãozinha de cebola picada.

2. O Joãozinho passa o macarrão por água, debaixo da torneira. Junta-lhe uma pitada de sal e deixa-o cozer durante um quarto de hora, em fogo lento. O Donaldo mexê-lo-á de vez em quando, para que se não agarre ao tacho, hein?

3. Entretanto, o cozinheiro derreteu a margarina numa sertã e juntou-lhe a cebola. Quando o macarrão está cozido, escoa-se-lhe a água e junta-se-lhe a cebola. Agita-se a caçarola para que fique bem misturada. Põe-se de parte, fora do lume.

4. Já misturaste o tomate, o leite, a salsa e o molho, Joãozinho? Então junta essa mistura ao macarrão. Ponhamos tudo numa travessa. Agora, polvilha-se com o queijo, e façamos uma espécie de grade por cima, com o fiambre ou as salsichas. As folhas de alface completam a guarnição em volta. Que tal? Bom apetite!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Bolo Majestoso

 
 Bolo Majestoso
 
2 ovos e 2 chicaras de açúcar, 150 gr. de manteiga, 2 chicaras de farinha maizena, 1 chicara de farinha de trigo, 1 chicara de leite e uma colher das de sopa de Baking Powder [fermento].
O açúcar bate-se com a manteiga, depois juntam-se as farinhas, o leite com o Baking Powder, e por último, as claras batidas em neve; vai logo ao forno, que deve estar bem quente, em forma untada de manteiga.

Aprenda a Viver Comendo Melhor, por Glicínia Quartin

E eis que ao folhear um dossier com imensos recortes de revistas e jornais, me aparece esta maravilha e, ainda por cima, assinado pela maravilhosa actriz Glicínia Quartin. Penso que seja algo de inícios dos anos 60 do séc. XX... mas não garanto. Que coisa inesperada!



 
Glicínia Quartin

(Lisboa, 19-12-1924 – Lisboa, 27-04-2006)

Glicínia Vieira Quartin iniciou a sua carreira no teatro amador, em 1951. Após várias passagens por espetáculos de companhias amadoras e de teatro televisivo, a sua estreia profissional ocorreu em 1964, no Teatro Experimental do Porto, com o espetáculo Os Burossáurios.

Ao longo da sua carreira manteve um esforço de aperfeiçoamento da sua formação, participou em vários filmes e realizou traduções de peças de teatro e livros de pedagogia. Integrou frequentemente o elenco da Cornucópia desde o seu ano de formação e recebeu vários prémios pela sua atividade profissional.

Filha do jornalista António Pinto Quartin e de Deolinda Quartin, professora do ensino primário na Escola Oficina nº 1, Glicínia frequentou a escola onde a mãe lecionava, no Largo da Graça, e aí fez teatro. Terminou o curso de Ciências Biológicas da Faculdade de Ciências de Lisboa em 1954 e especializou-se em Biologia Marítima. Em 1955, começou a trabalhar como assistente do Grupo de Investigação da Comissão Consultiva Nacional das Pescarias do Noroeste Atlântico. Foi bolseira do Instituto de Alta Cultura em estágios no Institut of Marine Research em Bergen (Noruega) e no Greenland Fishery Investigations, em Copenhaga, em 1957. Fez um estágio no Fisheries Laboratory em Lowestaft, em Inglaterra, em 1959. 

A sua atividade como atriz teve início em 1951 no teatro amador, estreando-se no Teatro Experimental da Rua da Fé, em Roberto e Melisandra, de Tomás Ribas. Passou por outras companhias amadoras, como o Teatro Experimental de Lisboa, onde em 1957 interpretou Inês Pereira no auto vicentino; a companhia da Sociedade Guilherme Coussoul, onde representou Matilde em O dia seguinte, de Luiz Francisco Rebello, encenado em 1958 por Paulo Renato; e no Grupo de Teatro Popular da Caixa Económica Operária, que no mesmo ano levou à cena a peça de Rebello com encenação de Humberto d’Ávila.

Fez teatro televisivo, tendo sido dirigida por Pedro Bom, em 1952, em diversos trabalhos, como Guerras de Alecrim e Manjerona, de António José da Silva, Auto da Alma, de Gil Vicente e Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett. Em 1960 foi dirigida, na televisão, por Artur Ramos em Nas covas de Salamanca, de Cervantes. A decisão de romper com a carreira de bióloga para se dedicar ao teatro aconteceu em 1962, depois de protagonizar o filme Dom Roberto, de Ernesto de Sousa. Após a frequência, entre 1962 e 1964, da escola de teatro de Alfredo Farsen, em Roma, iniciou a carreira profissional, no Teatro Experimental do Porto, em 1964, no espetáculo Os Burossáurios, de Silvano Ambrogi, com tradução sua e encenação de João Guedes e, no ano seguinte, trabalhou no Teatro Estúdio de Lisboa, dirigido por Luzia Maria Martins.

Em 1966, ingressou no Teatro Experimental de Cascais, onde fez parte do elenco de A casa de Bernarda Alba, de Lorca, O mar, de Miguel Torga, e A maluquinha de Arroios, de André Brun, tendo recebido o Prémio Revelação da Casa da Imprensa, pelo desempenho da personagem D. Alzira neste último espetáculo. Entre 1967 e 1970, foi atriz na Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro e participou em vários espetáculos, como Equilíbrio instável, de Edward Albee, O pecado de João Agonia, de Bernardo Santareno e A Celestina, de Alejandro Casona, entre outros. Em 1968, entrou naquela que foi a primeira encenação em Portugal dos Dias felizes de Samuel Beckett, levada à cena pela Casa da Comédia, por proposta sua, com encenação de Artur Ramos. Pela sua prestação nesse espetáculo recebeu o Prémio Lucília Simões – Prémio Nacional de Teatro e o Prémio da Casa da Imprensa. O espetáculo foi reposto em 1970 e em 1982.

Em 1969 e 1970, frequentou o Curso de Preparação de Atores de Adolfo Gutkin, na Fundação Calouste Gulbenkian, e com Melim Teixeira, Fernanda Alves, João Mota, Mário Jacques e Manuela de Freitas, fundou Os Bonecreiros (Teatro Laboratório de Lisboa), em 1970. No ano seguinte, com Artur Ramos e Rogério Paulo fundou o Teatro do Jovem Espectador, onde se estreou como encenadora, em Emílio e os detectives, de Erich Kästner, levado à cena no Teatro Villaret. Nesses dois anos participou também em espetáculos do Grupo de Acção Teatral. Em 1972, frequentou a Escola Piloto para a Formação de Professores de Educação pela Arte, no Conservatório Nacional, onde foi professora. Nesse ano, pela sua prestação em As criadas, de Jean Genet, encenado por Vítor Garcia, recebeu o Prémio Lucília Simões – Prémio Nacional de Teatro e, com as atrizes Eunice Muñoz e Lourdes Norberto, o Prémio de Interpretação da Casa da Imprensa. Em 1973, Jorge Silva Melo e Luís Miguel Cintra fundaram o Teatro da Cornucópia, convidando-a a participar no espetáculo de estreia, O misantropo, de Molière, tendo a seguir participado também em O terror e a miséria no III Reich de Brecht em 1974, Pequenos burgueses, de Gorki, em 1975 e, no ano seguinte, Ah Q, de Jean Jourdheuil e Bernard Chartreux. Colaborou regularmente com esta companhia até ao fim da sua carreira, em 2004.

Em 1976, fez o estágio New Music in Action, na Universidade de York. Continuando a colaborar com o Teatro da Cornucópia, trabalhou também com a Companhia Nacional 1, Os Cómicos e a Casa da Comédia na última metade dos anos 70 e nos anos 80. A partir de 1996, repartiu-se entre trabalhos na Cornucópia e nos Artistas Unidos, estreando-se nesta companhia em O fim ou Tende misericórdia de nós, de Jorge Silva Melo. Nesse ano, foi nomeada para o Prémio Bordalo, da Casa da Imprensa. Em 2004, o último ano em que esteve profissionalmente ativa, foi galardoada com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, por Jorge Sampaio.

Para além do teatro, Glicínia Quartin trabalhou também para a televisão e para o cinema, fazendo parte do elenco de filmes de José Ernesto de Sousa, Rogério Ceitil, José Álvaro de Morais, Jorge Silva Melo, João Botelho, Solveig Nordlund, Manuel Mozos, Luís Filipe Rocha, Jeanne Waltz e Manoel de Oliveira, entre outros. Traduziu também peças de teatro e livros de pedagogia, questão que sempre a interessou. Em 2004, Jorge Silva Melo realizou uma entrevista filmada a Glicínia Quartin: Conversas com Glicínia.

No bairro da Ameixoeira, em Lisboa, existe, desde 2009 uma avenida com o nome da atriz.

 Fonte: Instituto Camões

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Turrón de Agramunt (para los Reyes Magos)

Porque hoje é a Noite de Reis, fica a simplicidade de Pedro Homem de Mello:

Presépio

"Duas tábuas...
E era um berço!

Tudo escuro...
E alumiava!

Estaria Deus lá dentro?

Fomos a ver...

E lá estava!"

E uma receita em espanhol que, não sendo propriamente típica apenas desta noite, é-o do tempo do Natal onde os Reis Magos também se incluem. 

Maria Mestayer de Echagüe: Enciclopedia Culinaria Confiteria y Reposteria. Espasa Calpe, S. A., Madrid: 2007

 Turrón de Agramunt

 
Cantidades - 500 gr. de miel blanca, 2 claras de huevo, 250 gr. de almendras crudas, 100 gr. de avellanas tostadas.
Procedimiento - Póngase en un perol dal fuego la miel; revuélvase con una espátula de madera, y cuando empieza a hervir apártase de la lumbre y espúmese bien; vuélvase al fuego y sígase revolviendo sin parar hasta obtener el punto de bola blando; conseguido este punto agréguense las claras de huevo batidas a punto de merengue, y sígase la cocción hasta obtener el punto de caramelo fuerte, lo cual se comprueba si al echar unas gotas en un plato, queda cristalizado; en estando, incorpórense las almendas y avellanas mondadas, mézclese bien y échese todo encima de un mármol previamente untado con aceite de almendras dulces.
Fórmese una plancha delgada y, una vez algo frío, divídase todo en discos; éstos se colocan entre dos obleas blancas. Hay que operar después, pues endurece en seguida.
 
E sobre a história desta maravilha de nuestros hermanos, deixo este texto publicado no jornal El País, de autoria de Isabel Olesti :
 

 
"El turrón tiene su origen en la pastelería árabe, pero la tradición turronera de Agramunt aparece documentada por primera vez en 1741 gracias a unas cartas de las familias nobles del pueblo. Existían entonces siete turroneros, aunque no era un oficio de dedicación plena. En los siglos XIX y XX adquirió gran prestigio gracias a las ferias y mercados, especialmente el que se celebraba en Barcelona los días de Navidad.

Para diferenciarse de los turroneros valencianos, los de Agramunt se vestían de payés catalán y las mujeres iban tocadas con un pañuelo de seda blanco. En el pueblo se realizaban tres ferias anuales que tenían lugar entre la plaza Mayor y la del Mercadal. La Guerra Civil y los problemas de racionamiento posteriores perjudicaron a los turroneros, que no encontraban las materias primas, y así muchas familias dejaron el oficio, mientras que otras siguieron trabajando en pequeños obradores que han llegado a ser empresas consolidadas.

La zona de elaboración y almacenaje abarca el término municipal de Agramunt, en la comarca del Urgell. Este turrón se presenta en tabletas redondas o rectangulares cubiertas por los dos lados por obleas. Se elabora con avellanas o almendras, azúcar, clara de huevo y miel. Tiene un color dorado y es frágil y crujiente.

Su éxito se debe a la calidad de las materias primas y al hecho de elaborar el producto siguiendo la tradición. Las avellanas son de la clase negretes de Reus, mientras que las almendras se recogen en el propio municipio. La miel es uno de los ingredientes clave y más delicados. Hace unos años, muchos turroneros eran también apicultores y utilizaban su propia miel. Ahora los turroneros se dedican a este oficio en exclusiva y la miel se compra fuera del municipio. Las claras de huevo batidas a punto de nieve y mezcladas con la miel son indispensables para obtener el color blanquecino que caracteriza al turrón, ya que la miel cocida oscurece el producto. La incorporación del azúcar o el jarabe de glucosa se realiza en función de la textura que quiera obtenerse; a veces incluso se excluye de su composición. Antiguamente las obleas se elaboraban con harina amasada sin fermentar, cocida entre dos planchas para obtener unas hojas planas y muy delgadas. Actualmente se hacen con almidón de maíz.

Más de la mitad de la masa del turrón está formada por frutos secos, tostados, dejados enfriar y pelados. Se cuecen con la miel, el azúcar y las claras de huevo frescas o en polvo. La masa se mezcla hasta obtener el punto de cocción evitando los grumos. Finalmente, se cortan porciones de la masa, se modelan con la forma tradicional y se colocan entre las obleas.

En el año 1989 se realizó la I Fira del Torró, organizada por el Ayuntamiento de Agramunt, tres años más tarde, y debido al incremento de torronaries, la feria se instaló en el pabellón polideportivo, que ofrecía más capacidad. Desde entonces, cada 12 de octubre se celebra la Fira del Torró i la Xocolata a la pedra, que congrega más de 50.000 personas de toda Cataluña e incluso del resto del Estado. El año 2000 se presentó públicamente la IGP del turrón de Agramunt."

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Caramelos de Chocolate e Creme e o racionamento de alimentos!

Há tempos publiquei uma receita deste livrinho curioso, do qual nada sei, nem a data... mas eis que ao folheá-lo hoje encontrei esta pequena nota que se encontra em itálico e que diz para quem conseguir arranjar açúcar. Ora, percebe-se, falamos na falta de certos géneros alimentícios - neste caso, do açúcar - e/ou do racionamento de alimentos. Grande Guerra ou II Grande Guerra? Pelas gravuras, pelo tipo de roupa e cabelo que nos aparecem, só podemos estar a falar da horrífica II Grande Guerra. Ora, tendo o governo de Salazar imposto o Racionamento no ano de 1943, talvez seja por esta data, mais ano menos ano, a publicação deste livro.

[Algumas horas depois da publicação do post recebo uma mensagem fantástica que dizia:

Olá, boa tarde. Sigo o seu blog há vários anos. Também eu tenho vários cadernos com receitas da minha avó. Esta receita é retirada de uns fascículos de culinária que vinham com a revista Modas e Bordados e depois eram encadernados.

Muito obrigado ao Jorge por ter ajudado a desvendar este "mistério"!]



Algumas receitas doces para quem conseguir arranjar açúcar. Os outros aguardarão com paciência melhores dias, conservando as receitas.

Caramelos de Chocolate e Creme

Numa vasilha com dois decilitros de água deitam-se 500 grs. de açúcar e duas "tablettes" de chocolate ralado e desfeito em duas colheradas de creme. Faz-se ferver tudo, até atingir o ponto quebrado, e deita-se sobre um mármore levemente untado de azeite. Dois minutos depois corta-se a pasta em quadrados de modo que se destaquem uns dos outros antes de esfriarem.

domingo, 2 de janeiro de 2022

Era Tormes e amanhecia: Dicionário gastronómico cultural de Eça de Queiroz

Dário Moreira de Castro Alves: Era Tormes e amanhecia: dicionário gastronómico cultural de Eça de Queiroz.
Edição Livros do Brasil - Lisboa: 1992. 2 volumes.

Só vos queria mostrar esta maravilha de Dário Moreira de Castro Alves, em 2 volumes. São mais de 338 entradas e 4112 citações. Diz Jorge Amado, prefaciador do livro: "No que se refere ao livro de agora, não basta ler, é necessário degustá-lo, como se degusta um acepipe, um vinho; fazer dele livro de consulta, livro de receitas, indispensável na biblioteca e na cozinha."

E parece-me ser perfeitamente verdade. Que obra extraordinária. A seu tenpo darei mais novidades do seu interior.

sábado, 1 de janeiro de 2022

Sopa de Cerejas do livro Cozinha das Famílias (1913)

E a propósito da publicação anterior, lembrei-me que ainda não vos tinha falado de um livro adquirido recentemente chamado A Cozinha das Famílias, de 1913, e que é composto por 31 menus e mais uma secção que chamaram de Mayonaise mas que tem receitas de diversas, incluindo de doces... um mistério.

A Cozinha das Famílias. Lisboa: Manuel Lucas Torres, 1913 (Enciclopédia para todos, n. 3)

O livro, no entanto, tem óptimas receitas, de fácil leitura e com coisas tão originais como esta que agora vos deixo. Quem arrisca a experimentar?!
 
A Cozinha das Famílias. Lisboa: Manuel Lucas Torres, 1913 (Enciclopédia para todos, n. 3). Pág. 21
 
Sopa de Cerejas

Tomem-se 250 gr. de boas cerejas ou ginjas, a que se tiram os pés e os caroços; ponham-se as cerejas em uma caçarola com meio litro de vinho, meio litro de água e açúcar em suficiente quantidade. Deixa-se cozer a fogo brando. Quando as cerejas estiverem suficientemente cozidas, tire-se do lume a caçarola; tome-se de seguida uma outra caçarola pequena onde se aquece um pedaço de manteiga tanto como a metade de um ovo, e junta-se-lhe uma colher de farinha que se mistura com a manteiga; quando a farinha estiver alourada, junte-se o caldo em que se cozeram as cerejas; deixe-se um momento ao lume para que este caldo se ligue com a farinha; metam-se então as cerejas que devem ferver um pouco e deite-se tudo em uma terrina sobre pão frito em manteiga. Esta sopa é deliciosa.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Menu para 1 de Janeiro: Pregado Frito, Bifes à Inglesa, Salada de Alface, Canja de Peru, Solha com Molho de Manteiga Branca, Peru Assado, Pudim de Pão

Alda de Azevedo, Cozinheira Ideal, Livraria e Editora Civilização, 3ª Edição, 1943, 
pág. 33 (Menú de 01 de Janeiro)

 ALMOÇO
 
Pregado Frito
 
Amanha-se o pregado, tirando-se as tripas, lavando-o e raspando-o exteriormente; mete-se em leite, envolve-se em seguida em farinha, e depois de anteriormente ao amanho se ter salpicado de sal, põe-se a fritas em azeite fervente.
Serve-se com rodas de limão.
 
Bifes à Inglesa
 
Cortam.se bifes, bem altos, do lombo, põem-se sobre grelha própria em lume forte, sem chama.
Ao suco da carne que ficou no depósito da grelha, junta-se um bom bocado de manteiga, pimenta e sumo de limão.
Tira-se o bife da grelha, tempera-se de sal fino, barra-se de manteiga, coloca-se numa travessa, cobrindo-o com o molho e serve-se imediatamente.

Salada de Alface
 
Lavam-se as folhas tenras da alface, cortam-se miudamente, temperam-se com pimpinela e coentros picados, sal fino, azeite e vinagre.
Pode-se ou não, deitar rodas de cebola.

JANTAR

Canja de Peru

Depois de limpo de penas e vísceras, esfrega-se levemente de sal e deixa-se de véspera, assim temperado.
Põe-se a cozer, e, quando estiver meio cozido - se o quiserem assar - tiram-no do caldo.
Tempera-se a canja com sal, se precisar, junta-se-lhe o arroz e deixa-se cozer durante 20 minutos.

Solha com Molho de Manteiga Branca

Depois de amanhada, tempera-se de sal, coze-se rapidamente, tira-se-lhe a pele e serve-se com o seguinte molho:
 
Molho de Manteiga Branca: Põe-se ao lume um dl. de vinagre ou de vinho branco com uma colher, das de chá, de cebolinha cortada aos bocados.
Quando o vinagre ou vinho estiver reduzido a menos de metade, tira-se a cebola com um garfo. Bate-se, então, muito bem batido, depois de lavado em água fria, um bom pedaço de manteiga ao qual se juntou sal e pimenta, e põe-se na caçarola, previamente arrefecida, tendo-se o cuidado de deitar a manteiga, pouco a pouco, batendo sempre, para que se não funda completamente.

Peru Assado

Cozido o peru, como acima se indicou, unta-se com 100 grs. de manteiga.
Cobre-se o peito com uma larga cobertura de toucinho fresco e leva-se a assar.

SOBREMESA

Pudim de Pão

Em um litro de leite, deita-se uma vagem de baunilha e 200 grs. de açúcar. Quando ferver, junta-se-lhe 300 grs. de miolo de pão.
Passa-se por peneiro fino, juntando-se-lhe 3 ovos inteiros, 6 gemas e 4 claras batidas em castelo, misturando tudo com uma colher de pau.
Deita-se numa forma lisa, untada de manteiga e leva-se ao forno, a cozer em banho-maria.
Serve-se com leite-creme, pouco espesso, que se deita por cima.

Livro: Saberes e Sabores do Concelho de Ferreira do Zêzere e Livro: O Fascínio dos Licores

Esperando que todos os leitores do blog As Receitas da Avó Helena e da Avó Eduarda tenham tido uma Consoada muito feliz e um óptimo dia de Natal, chegou a altura de mostrar o que o Menino Jesus trouxe para a biblioteca do blog. Dois óptimos livros, um para os comes, outros para os bebes. Aqui fica o meu muito obrigado à Susana e ao Abel por tão preciosos documentos:
 
A.A.V.V.:Saberes e Sabores do Concelho de Ferreira do Zêzere. Col. Etnografia, Tradições e Saberes do Concelho de Ferreira do Zêzere.
Edição Fundação Maria Dias Ferreira e Município de Ferreira do Zêzere: Agosto de 2019

Um fantástico e pesado volume de 380 páginas com o melhor do que se faz no Concelho de Ferreira do Zêzere. Estas recolhas são cada vez mais importantes para manter registadas e vivas as tradições gastronómicas numa altura em que a cozinha também andou a pender para a estandardização.
 
(...) seleção das 43 especialidades representadas na obra, confecionadas por restaurantes, pastelarias e particulares, entre entradas e refeições ligeiras, pratos de peixe, de lagostim e de carne, acompanhamentos e doçaria.
 
Uma obra fantástica, de homenagem à terra e às gentes de Ferreira do Zêzere, com um grafismo simples mas eficaz e com um bom registo fotográfico da confecção, dos pratos e das pessoas.
 
Maria Augusta Correia de Nóbrega: O Fascínio dos Licores. Edição da Autora: Funchal - 2002

Um livro muito muito curioso. Quase um manual de botica. São centenas e centenas de receitas, mezinhas e glorificação das plantas que a natureza nos dá, divididas por quatro capítulos fundamentais:
- A Infusão da Avó
- Os Licores
- Os Ponches
- O valor medicinal [das plantas]
 
Sempre acompanhadas de belíssimas ilustrações, fotografias e reproduções de pinturas. Um livro que é um hino à Ilha da Madeira - mas não são, extravasa a própria Ilha - e à sua extraordinária diversidade botânica e aos saberes ancestrais das gentes. Fascinante.

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Bolo de Vila Nova


 Bolo de Vila Nova
 
5 ovos
350 gr. de açúcar de pilé
100 gr. de manteiga
250 gr. de farinha

Bate-se primeiro o açúcar e a manteiga (que deve ser derretida) e os ovos. Depois de muito bem batido até fazer castelo, deita-se a farinha continuando a bater até estar bem ligado.
Vai ao forno em forma untada de manteiga.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Saltaricos


Saltaricos
 
Pesam-se 8 ovos com igual peso de açúcar e metade deste peso de farinha; 250 grs. de manteiga; 125 grs. de amêndoas doces, descascadas e cortadas em pequenas tiras. Batem-se depois as gemas com o açúcar até ficarem brancas, junta-se a manteiga derretida, a farinha e as amêndoas, e mistura-se tudo; assim como se batem as claras em neve, juntando-as à massa, e mexendo com uma colher apressadamente. Estende-se esta massa da grossura de um centímetro, e corta-se em pequenos quadrilongos, indo ao forno a cozer em tabuleiros de lata.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Bolo de Viana do Alentejo


Bolo de Viana do Alentejo
 
250 grs. de açúcar em ponto de fio
200 grs. de amêndoa bem pisada
6 ovos 2 com clara
12 grs. de manteiga

Bate-se [tudo] no tacho em que está o açúcar, depois de bem batido leva 75 gr. de doce de gila, mexe-se tudo bem e vai ao forno em forma bem untada de manteiga e polvilhada de farinha.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Açúcar para cobrir cavacas ou qualquer outro bolo

O Confeiteiro Prático Português, de Jeronyma Catharina, Bertrand: 1908. P. 179

Açúcar para cobrir cavacas
ou qualquer outro bolo

Bate-se por espaço de uma hora com uma colher de madeira 500 gramas de açúcar, que se deve preferir o nº 1, por ser o mais branco e fino, reune-se-lhe 2 claras de ovos e umas gotas de sumo de limão azedo, tendo-se batido durante este tempo, emprega-se barrando-se os bolos com um pequenino pincel ou umas bonequinhas de pano branco fino, levam-se ao sol a secar, e, quando estiverem enxutos de um lado, vira-se este para baixo e barram-se de outro; nunca se barra o bolo do outro lado sem que tenha secado, o que primeiro se barrou para não ficar defeituoso.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Enganos de Senhora (ou uma outra forma de Suspiros!)

 
Enganos de Senhora
 

Em 500 grs. de açúcar em rama [dito "bruto"] e bem seco batem-se com uma colher, num alguidar, 5 claras até engrossar e branquear, juntando-lhe em seguida e pouco a pouco, mexendo sempre, 375 grs. de amêndoa ralada bem fina. Preparadas as latas com folhas de papel branco, se vai deitando nelas a massa com uma colher pequena e se levam ao forno brando. devem ficar bem espaçadas nas latas, porque crescem muito.

[No fundo, é uma outra forma de fazer suspiros.]

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Hoje fomos até à TVI falar do Pantagruel e de Rosa Bertha-Limpo

O Blog As Receitas da Avó Helena e da Avó Eduarda foram até à televisão. Foi um gosto ter estado na companhia de Bertha Rosa-Limpo e alguns admiradores do mítico Pantagruel. Um bem-haja à Marta Taborda e à equipa do CristinaComVida, da TVI, pelo convite e pela fantástica tarde.
A todos recomendo o novo livro de Nuno Alves Caetano, neto de Bertha Rosa-Limpo, que acaba de lançar  As Doces Receitas da minha avó Bertha Rosa-Limpo, com muitas receitas inéditas.

Aqui fica a pequena participação para todos aqueles que não assistiram:

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Doação de JMA - ABC da Cozinha, Les Bonnes Recettes du Jardin des Modes, Caderno Manuscrito e receita de Pudim de Coco

Na semana passada recebi, de um querido amigo madeirense, o JMA, um amador das coisas boas da vida e de quem eu gosto muito, ofereceu-me algum receituário que aqui vos deixo.
 
Três números da publicação ABC da Cozinha, nomeadamente o volume 1, 3 e 4:
 
 

 
Também o Tomo II das Les Bonnes Recettes du Jardin des Modes, com um custo de 10 francos e integralmente em francês, como não podia deixar de ser.


E, como se não bastasse, um caderno manuscrito de receituário maioritariamente em francês mas de onde consegui apanhar uma receita em Português que seguidamente vos mostro:


Muito obrigado, meu querido JMA, pela sua generosa oferta, garantindo-lhe que os mesmos serão devidamente estimados e sempre disponíveis para retorno à família. Bem-haja.
 

 Pudim de Coco
 
7 ovos; pouco menos de um quarto de quilo de coco. 250 grs. de açúcar. Faz-se a calda com casca de limão e canela não muito forte.
Meia colher de chá de manteiga, 1 colher de farinha. Desfaz-se a farinha com as gemas depois a calda e o coco e 2 claras batidas em neve. Cose em banho-maria.

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Aletria(s)

Cozinha do Mundo Português: 1001 receitas experimentadas, por M. A. M, Livraria Tavares Martins, Porto: 1962

Doce de Aletria
(Minho e Douro)

Aletria - 150 grs.
Açúcar - 150 grs.
Leite - 1/2 [meio] litro
Gemas de ovos - 4
Canela q.b.
Limão q.b.
 
Põe-se a aletria numa vasilha larga e funda e deita-se sobre ela bastante água a ferver para a branquear. Depois escorre.se, deita-se num tacho juntamente com o leite, o açúcar, um pau de canela e um pouco de casca de limão. Leva-se ao lume mexendo sempre e deixa-se ferver até ficar completamente cozida. Retira-se então do lume e juntam-se-lhe as gemas batidas misturando tudo bem.
Volta ao lume para cozer as gemas sem deixar ferver e depois vaza-se numa travessa, polvilhando com canela.
 
Amália: Palmas como pão para a boca - Receitas e Outras Histórias, Flávio Furtado. Bookmen. Lisboa: Novembro de 2021

 Aletria
100 grs. de aletria
4 dl. de leite
1 casca de limão
150 grs. de açúcar
50 grs. de manteiga
3 gemas
Canela em pó q.b.

Comece por cozer a aletria em água fervente, por cinco minutos. Escorra e reserve. À parte, leve o leite ao lume com a casca do limão e o açúcar. Acrescente a aletria e deixe cozer. Adicione a manteiga, mexendo até derreter.
Fora do lume, incorpore as gemas batidas, misturando muito bem. Leve, novamente, ao lume, para que as gemas cozam um pouco.
Retire do calor, transfira para uma travessa ou para pequenas taças e polvilhe com canela em pó. Sirva de seguida.


A Aletria "da Amália" já foi experimentada e recomendo. Ficou óptima... a manteiga dá-lhe um toque excelente!

Novas aquisições: Cozinha do Mundo Português e Amália: Palmas como pão para a boca - Receitas e Outras Histórias

A biblioteca do blog As Receitas da Avó Helena e da Avó Eduardo conta agora com dois novos volumes de receitas bastante interessantes. Um editado em 1962 e outro acabadinho de chegar às livrarias. 
Comecemos pelo mais antigo:
 
Cozinha do Mundo Português: 1001 receitas experimentadas, por M. A. M, Livraria Tavares Martins, Porto: 1962.
 
Cozinha do Mundo Português é considerado um dos melhores livros de sempre da cozinha portuguesa e conheceu a sua primeira - e único, julgo - edição em 1962/1963. M. A. M. é o pseudónimo colectivo de Maria Adelina Monteiro Grilo e de Margarida Futscher Pereira.
Bastante completo, vai desde as preocupações com a mesa no geral - como a baixela, o frigorífico, pesos e medidas, etc. - até às receitas, incluindo um pequeno dicionário de termos técnicos. 
A estrutura do livro é esta que a próxima imagem vos elucida: 


Pretendendo abarcar todo o território de expressão portuguesa, encontramos receitas antigas mas também receitas brasileiras, receitas de Portugal por províncias, receitas angolanas, de Cabo Verde, Guiné, Índia, Macau, Moçambique, S. Tomé e Timor.
 
Uma excelente aquisição.
 
O segundo livro, acabado de sair, mistura Amália Rodrigues e cozinha.
 
Amália: Palmas como pão para a boca - Receitas e Outras Histórias, Flávio Furtado. Bookmen. Lisboa: Novembro de 2021
 
Não tendo sido Amália uma grande cozinheira, alguns pratos são do conhecimento público que faziam parte da sua preferência e que até ajudavam a criar o ambiente certo para que, em estúdio, as gravações noite fora corressem da melhor maneira.
Um livro volumoso, pesado, em óptimo papel, que mistura histórias, receitas, fotografias (belíssimas) e memórias de vários intervenientes na vida de Amália, nomeadamente: Leonilde Henriques e Estrela Carvas, secretárias de Amália, e Eugénia Afonso, cozinheira de Amália.
As receitas, de que eu já experimentei fazer a Aletria (excelente, por sinal), estão escritas e explicadas de forma correcta, simples e bem explicada. É um livro para se usar.

A Aletria da Amália

A organização do livro não é muito intuitiva, com capítulos e sub capítulos que se vão ajustando às histórias que se narram. Mas, como em tudo, é uma questão de hábito e o índice ajuda bastante.

É um belo livro.

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Novo livro e receita de Travessos

No outro dia comprei um livrinho de receitas peculiar. Peculiar porque não tem capa, peculiar porque tem uma paginação completamente desordenada, peculiar pelos desenhos muito giros com que é ornamentado e peculiar pelas dicas curiosas que vai dando. 
Numa visão mais atenta ao livrinho, que tem apenas a indicação de "Culinária" na barra superior junto à paginação, percebo que se trata de uma espécie de separata ou pequenos fascículos que deviam vir com alguma revista ou jornal e que depois foram compilados e encadernados. E quem os compilou ou encadernou não teve em atenção, julgo eu, a paginação mas sim a ordem de saída dos fascículos. Se não, vejam a página com que abre o livrinho:


Travessos
 
300 grs. de farinha de trigo, 125 grs. de açúcar, 125 grs. de manteiga, um ovo inteiro e mais uma gema.
Bate-se a manteiga com o açúcar, em seguida deita-se-lhe o ovo completo, depois a gema.
Depois de tudo muito bem misturado larga-se a colher e passa-se a amassar com a mão, até estar bem ligada a massa. Fazem-se montinhos, que vão ao forno, em tabuleiro untado com manteiga.

domingo, 7 de novembro de 2021

Bolo do Céu

Bolo do Céu

Amêndoa muito bem pisada 500 gr.
Açúcar refinado 500 gr. Manteiga 125 gr.
Deita-se tudo numa vasilha e junta-se 14 ovos sendo 4 com clara. Bate-se muito bem e depois de engrossar, deita-se-lhe uma pequena porção de farinha fina, a suficiente para que possa com facilidade engrossar um pouco.
Deita-se depois 500 gr. de doce de calda de preferência aromático e em estando tudo bem misturado, vai ao forno em forma barrada de manteiga.
Em estando frio parte-se em talhadas e polvilha-se com açúcar e canela.

sábado, 6 de novembro de 2021

Palitinhos de Laranja

 
 
 Palitinhos de Laranja
Farinha de trigo - 300 gr.
Açúcar refinado - 300 gr.
Manteiga meio-sal - 80 gr.
Gemas de ovos - quatro
Clara de ovo - uma
Casca ralada de - duas laranjas
Sumo de - uma laranja
Fermento em pó - uma colher de chá

Bate-se a manteiga com o açúcar e depois os ovos, deitando-os, pouco e pouco, e batendo sempre; junta-se-lhes a casca e o sumo das laranjas, mexe-se, e no fim leva a farinha peneirada com o fermento. Coze-se em tabuleiro bem untado.
Depois de cozido, volta-se para cima da mesa e corta-se em palitos finos que voltam ao forno a aloirar de ambos os lados.

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Bolo de Cozinha

Bolo de Cozinha

350 gr. de açúcar, 200 gr. de manteiga, 250 gr. de farinha, 6 ovos.
Primeiro amacia-se a farinha, o açúcar e a manteiga, depois deitam-se as claras batidas em castelo e bate-se um bocado e por último as gemas, depois de tudo bem ligado, vai ao forno em lata untada de manteiga.

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Novo livro de receitas manuscritas que abre com um Bolo Anónimo!


O Blog As Receitas da Avó Helena e da Avó Eduarda tive, este Sábado dia 23, uma doação por parte de João A. Botelho e que muito me alegrou. 
Trata-se de um livro familiar de registo de receitas de doces, com páginas ainda em branco, e com três caligrafias diferentes (pelo menos!). Uma das curiosidades deste livro é que está escrito em papel da célebre marca Renova, como é possível ver na marca de água:


Segundo consta no site da Renova: "As origens da marca Renova remontam à segunda década do Sec. XIX, datando de 1818 registos de uso de marca de água Renova em papel fabricado no local onde ainda hoje mantém a sua sede. (...) Os primeiros anos de atividade foram dedicados ao fabrico e comercialização de papel de escrita, impressão e embalagem, iniciando no final da década de 50 [do séc. XX] um percurso pioneiro e muito inovador no desenvolvimento de produtos de papel tissue para uso doméstico e sanitário."
E uma vez que o livro não está assinado, não se sabendo qual a sua proveniência, nada melhor que começarmos pela receita do Bolo Anónimo que abre, aliás, o livro:
 

Bolo Anónimo

 
100 gr. de amêndoa
6 ovos
200 gr. de açúcar
100 gr. de farinha
200 gr. de manteiga fresca batida com açúcar refinado
 
Batem-se cinco gemas com o açúcar e à parte as seis claras em castelo.
Juntam-se as claras com as gemas e em seguida a farinha.
Vai ao forno em forma untada de manteiga. Em estando cozido, corta-se em três partes iguais. À parte bate-se muito bem a manteiga com uma gema de ovo e duas colheres de açúcar até ficar em nata.
Barram-se os bocados do bolo e vão-se colocando uns sobre os outros, com o resto da manteiga, cobre-se o bolo todo e polvilha-se com amêndoa torrada e finamente ripada.

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Biscoitos de Anjo

Vida mundial ilustrada : semanário gráfico de actualidades Ano 4, 27 de Julho de 1944 - p. 21

Biscoitos de Anjo

Num alguidar próprio para fazer doces, deitam-se 15 ovos muito bem batidos, 500 gr. de farinha de trigo, 600 gr. de açúcar, uma colher de sopa de sal refinado, mas mal cheia, duas colheres de água de flor de laranja, sumo e raspas da casca dum limão.
Amassa-se tudo muito bem, durante dez ou quinze minutos, e fazer-se depois biscoitos que se polvilham com açúcar. Levam-se, então, forno para cozer em lume forte.

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Arroz Chau-Chau de Adília Lopes


Numa ronda por uma daquelas banca de livros que costumam estar nas imediações do Metropolitano de Lisboa e em centros comerciais, eis que dou de caras com esta edição de Setembro de 2005, da extinta editora Aletheia, e com o título sugestivo Na Cozinha Com Elas, da autoria de Teresa Cota Dias, Gualter Santos e José Vilela.
Num formato muito simples, são-nos apresentadas, por ordem alfabética, uma série de grandes (outras nem tanto) personalidades portuguesas, ou com afinidades ao país, através de uma pequena biografia, uma fotografia e uma, duas ou três receitas escolhidas pelas mesmas.
Curioso é o leque tão alargado de figuras convidadas, que vão desde a extraordinária poetisa Adília Lopes, passando por Paula Rego, Eugénia Mello e Castro, Maria de Jesus Barroso, Irmã Maria Andrea da Cruz, Maria João Pires, Ana Maria Caetano, entre muitas outras.

Para vos mostrar o que é o livro, e porque tem imensa graça o prato escolhido, só podia escolher aquela que abre a publicação: Adília Lopes.
 


Arroz Chau-Chau
2 chávenas de arroz agulha
1 ovo mexido
1 fatia de fiambre grossa
1 chávena de ervilhas cozidas
Sal
 
Pôr ao lume 3,5 chávenas de água, temperada com sal. Quando estiver a ferver, deitar o arroz, reduzir o lume e tapar. Deixar cozer durante 20 minutos.
Entretanto, cortar o fiambre em cubos pequenos e partir o ovo mexido aos bocadinhos.
Quando o arroz estiver pronto, misturar as ervilhas, o fiambre e o ovo e servir numa travessa.
 
E agora, para completar, os livros que tenho na minha biblioteca de Adília Lopes:
 



 

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