quinta-feira, 30 de junho de 2016

Bolo Nevado

Doces e Gelados de Café, Edição da Divisão de Propaganda da Junta de Exportação do Café 
[Ministérios do Ultramar e da Economia], Oficinas Gráficas da Papelaria Fernandes, 1960 - pág.10
 
Bolo Nevado
 
6 ovos; o mesmo peso de açúcar branco; metade do peso dos ovos de farinha; raspa de limão; uma colher de sopa de fermento em pó.
Batem-se as gemas com o açúcar, juntam-se as claras batidas em castelo (metade); depois a farinha e o fermento e, finalmente, o resto das claras. Vaza-se a mistura em forma de pão bem untada com margarina. Deita-se um terço da massa, depois colocam-se ao comprido, palitos La Reine embebidos em café, vaza-se outro terço da massa e novamente outra ordem de palitos La Reine; finalmente o resto da massa que deve estar bem espessa. Coze em forno quente durante vinte a trinta minutos. Retira-se do forno e desenforma-se. Logo que esfrie cortam-se as côdeas de baixo e dos lados. Deixa-se esfriar completamente. Barram-se os lados do bolo com creme de chocolate (chocolate derretido com uma colher de sopa de margarina e outra de açúcar). Pincela-se o bolo à volta de modo a ficar inteiramente lisa a película de chocolate. Cobre-se o bolo com massa de suspiro (uma chávena de açúcar branco para cada clara). Barrada a parte de cima do bolo enfeita-se com frutas cristalizadas: figos partidos em folhas, metades de cerejas e tiras de casca de laranja.
Veja-se na gravura como deve ficar o bolo ao partir-se.
  

domingo, 26 de junho de 2016

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Melindres à Amélia Rey Colaço

Guia da Doceira em sua casa dedicado aos Artistas do Teatro Português,
de Maria Margarida (pseud. Bernardino Alves Lopes ?), [1934], Cartaxo, Tip. Treze, pág. 43
 
 
Melindres à Amélia
Rey Colaço
 
Batem-se 10 gemas e 3 claras com 300 grs. de açúcar branco, depois de muito bem batido, adiciona-se-lhe 7 grs. de canela em pó e 120 grs. de farinha peneirada; volta-se a bater muito bem e deitam-se em latinhas barradas com manteiga, indo em seguida ao forno.
 
 
Amélia Lafourcade Schmidt Rey Colaço de Robles Monteiro, de seu nome completo, nasceu em Lisboa a 2 de Março de 1898.  Era a mais nova das quatro filhas de Alice Lafourcade Schmidt e de Alexandre Rey Colaço, pianista e figura de renome no meio artístico. Cresceu num ambiente economicamente confortável e culturalmente rico, em contacto com uma elite intelectual e artística. Em Dezembro de 1911 foi com a irmã Maria para Berlim, para casa da avó materna, com o objectivo de estudarem música. Também aqui encontrou um ambiente cultural estimulante, nas constantes tertúlias em casa da sua avó, Madame Kirsinger, frequentadas por vários artistas da capital alemã. Foram os espetáculos de Max Reinhardt com o Deutsches Theater, que seguiu atentamente nas suas estadias em Berlim, que atraíram Amélia para a carreira de atriz. A grande amizade entre o pai de Amélia e Augusto Rosa (ator, co-fundador da Companhia Rosas & Brazão) determinou que fosse este a iniciar Amélia na arte teatral, com lições particulares de exigente disciplina. Então discípula de Augusto Rosa estreou-se no Teatro República com 19 anos, em 1917 em Marianela, logo despertando o interesse da crítica e do público. Amélia ficou no São Luiz até 1919, recusando convites para integrar companhias espanholas e só saindo para se juntar à Companhia de Lucinda Simões, no Teatro do Ginásio, que, de resto, abandonou em abril de 1920, porque fora entretanto contratada para a época estival do Teatro Nacional. Acabou por ficar como societária deste teatro na época de 1920-21. Através de Augusto Rosa, Amélia conheceu Robles Monteiro, ator e também discípulo daquele, e com ele casou em dezembro de 1920, de quem virá a ter uma filha que igualmente seguirá a carreira teatral, Mariana Rey Monteiro. Criou com o seu marido, a Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro, cuja longevidade – 53 anos, 35 dos quais à frente do Teatro Nacional – se mantém, até hoje, inigualável. Além da interpretação, destacou-se pelo requinte e bom gosto que aplicou à concepção plástica de grande parte dos seus espectáculos. Responsável pela gestão administrativa da companhia após a morte de Robles Monteiro, dirigiu este grupo até à sua extinção, em 1974.  Destacou-se em peças como Zilda (1921), de Alfredo Cortez, peça escolhida para a estreia da companhia, a 18 de junho de 1921, no Teatro de S. Carlos; A Castro (1934), de António Ferreira, Electra e os fantasmas (1943), de Eugene O’Neill, A visita da velha senhora (1960), de Dürrenmatt.  Como atriz, foi aplaudida nos mais variados géneros e papéis, como a sua personagem em O lodo (1923), de Alfredo Cortez, para a qual estudou as posturas e gestos de prostitutas, e com a qual escandalizou o público. A morte de Robles Monteiro em 1958 foi um golpe duríssimo para Amélia tanto a nível pessoal como profissional. Assumiu as responsabilidades de gestão administrativa até aí desempenhadas pelo marido e passou a partilhar a direção da companhia com a filha de ambos, Mariana Rey Monteiro. A situação da companhia ficou dramaticamente comprometida com o incêndio no Teatro Nacional, a 2 de dezembro de 1964, na medida em que, juntamente com o edifício, desapareceu todo o espólio da companhia, incluindo cenários, figurinos e adereços acumulados ao longo de 43 anos de atividade. Menos de duas semanas depois, a 15 de dezembro, Amélia e a companhia apresentaram Macbeth (o espetáculo em cena aquando do incêndio) no Coliseu dos Recreios, como prova da sua determinação em não desistir. No entanto, Amélia ainda teve que ultrapassar, em dezembro de 1967, outro incêndio no Teatro Avenida, onde a companhia estava instalada desde a sua saída do Nacional. Sem esmorecer, levou a companhia para o Capitólio (1968-70) e de seguida para o Trindade, que partilhou com uma companhia de opereta, apresentando apenas dois ou três espetáculos por temporada. Com a revolução de abril de 1974, com um panorama teatral mudado e crescentes dificuldades financeiras, Amélia encerrou a atividade da Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro.  O seu interesse pelo teatro manteve-se vivo e voltou a pisar os palcos em 1985 no espetáculo El-Rei Sebastião, de José Régio, encenado por Carlos César. Fez também uma incursão pela televisão, na série da RTP Gente fina é outra coisa, experiência que muito a desiludiu. A sua paixão pelo teatro voltou a refletir-se, no final da sua vida, no apoio que deu à concretização do projeto do Museu Nacional do Teatro. Morreu em Lisboa a 8 de Julho de 1990.
Fonte: Cinema Português  

Guia da Doceira em sua casa dedicado aos Artistas do Teatro Português

Guia da Doceira em sua casa dedicado aos Artistas do Teatro Português,
de Maria Margarida (pseud. Bernardino Alves Lopes ?), [1934], Cartaxo, Tip. Treze

Chamado "ouro sobre azul". Um livro que mistura doçaria e Teatro só podia ter sido feito por encomenda. Maravilha. O prefácio é do actor João Gaspar e o autor, pseudónimo, é Maria Margarida (embora na primeira página esteja a assinatura do autor, que assina como Bernardino Alves Lopes). O livro é de 1934, segundo informação da Biblioteca Nacional, e foi impresso na Papelaria e Tipografia "Treze", do Cartaxo. Venham as pancadas de Molière e suba o pano (e rapa o tacho).

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Bacalhau à Provençal (entrada)

jornal Ribaltas e Gambiarras, redacção Guiomar Torresão, S. 1, n.º 31, 03 Jul. 1881


Bacalhau à Provençal
(entrada)

 O bacalhau depois de ter estado 24 horas em água fria a largar o sal, põe-se a cozer, retirando-se quando começa a levantar fervura. Deita-se em um tacho manteiga, azeite, alho e salsa, deixando-se derreter em um lume brando. Limpa-se o bacalhau, corta-se em bocados e deita-se no tacho. De espaço a espaço, junta-se-lhe uma porção de azeite, manteiga ou leite, e quando esteja tudo bem passado agite-se o tacho, com o que se consegue que o bacalhau se reduza a uma espécie de creme.
É um guisado excelente. 

terça-feira, 14 de junho de 2016

Chá (e pequeno louvor à Companhia Portugueza do Chá)

jornal Ribaltas e Gambiarras, redacção Guiomar Torresão, S. 1, n.º 7, 12 Fev. 1881


Chá

Toda a gente imagina que sabe fazer chá; o resultado é delegarem as donas de casa esse encargo ao primeiro criado boçal que lhe aparece. Como se sabe, a maioria das ladyes preparam o chá e servem-o por suas próprias mãos.
O chá para ter um aroma agradável e um sabor fino deve fazer-se misturando um terço de chá verde com dois terços de chá preto, mediante o seguinte processo: escalda-se o chá em meia chávena de água a ferver, e deixa-se de infusão por espaço de 5 minutos, deita-se no bule a quantidade necessária de água para o número de chávenas que se deseje e junta-se-lhe depois a infusão do chá.

E porque falamos em chá, não podia deixar de falar de uma maravilhosa casa que existe em Lisboa - A Companhia Portugueza do Chá - Vieira & Pinto Importação e Comércio de Chá - liderada pelo simpático, atencioso, estudioso e excelente fazedor de chá, Sebastian Filgueiras. É uma casa em constante transformação, onde a tradição e a inovação se conjugam num espaço único de beleza, despertando os sentidos e convidando-nos à paz e harmonia, entre bules e folhas de chá, entre biscoitos e compotas, entre dois dedos de conversa e os tesouros que guardam. 
Visitem este casa e garanto-vos que não se arrependerão.
(P.S. - Isto não é publicidade, é partilha de coisas genuínas e verdadeiramente únicas, que vão faltando em Lisboa.)

Morada: Rua do Poço dos Negros, 123. 1200-337 Lisboa




 Interior da loja, que se renova constantemente

 Sebastian Filgueiras, o Alquimista do Chá

Pormenores

terça-feira, 7 de junho de 2016

Ponche ou Punch

jornal Ribaltas e Gambiarras, redacção Guiomar Torresão, S. 1, n.º 7, 12 Fev. 1881


Ponche

Em época de reuniões e saraus é bom que as donas de casas saibam preparar algumas bebidas, que é de uso servirem-se entre pessoas amigas.
O ponche faz-se da seguinte maneira.
Raspa-se a casca de um limão e junta-se-lhe um pedaço de açúcar pilão, correspondente a meio quilo, ou então espreme-se sobre o açúcar alguns pingos de limão e meio quartilho de infusão de chá verde, adoçado com calda de açúcar. Espremem-se dois limões, extraindo-lhe de antemão as películas e mistura-se-lhe meio quartilho de aguardente ou rum superior; queima-se, agita-se a chama com a colher do ponche e longo que o liquido fique reduzido a duas terças partes, apaga-se o lume e serve-se o ponche quente em taças próprias para o efeito.
O ponche que se faz com vinho branco não se queima.
O de ovo, prepara-se deitando em uma vasilha o ponche já feito e uma gema de ovo: bate-se tudo junto e escalda-se em seguida com água a ferver.

Dicionário (Ana Marques Pereira e Maria da Graça Pericão, no livro de vocabulário gastronómico Do Comer e do Falar):

Quartilho: Antiga medida de líquidos (vinho, leite, etc.) que corresponde à quarta parte da canada; presentemente corresponde a meio litro.

E, já agora, vejamos o que diz o referido livro sobre o Ponche ou Punch:

Bebida que os ingleses estabelecidos na Índia introduziram na Europa no século XVII e que era primitivamente constituída por 5 elementos: Chá, rum, açúcar, limão e canela; era servida numa taça grande designada poncheira; posteriormente surgiram variantes a esta receita, em especial no séc. XIX, em que tomou um papel diferente nos grandes jantares, interrompendo a sequência alimentar e servindo de preparação para o prato principal, o assado (rôti). Ponche.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

A Mesa, e outras curiosidades, na Bíblia de Ottheinrich.













Uma das minhas paixões sempre foram as iluminuras. Perco horas a ver na internet Livros de Horas e outros livros iluminados que andam digitalizados pelos sites de bibliotecas e arquivos de todo o mundo. Hoje, no site https://www.wdl.org dei de caras com esta Bíblia de Ottheinrich que tem uma série de miniaturas extraordinariamente bem desenhas e com pormenores de utensilios de mesa que me parecem deslumbrantes. Outras miniaturas prendem-se com outros pormenores, como sejam o pão, o peixe, utensilios agrícolas, as ceifas e as vindimas.

Algo diferente, já que os olhos, como se costuma dizer, também comem.

"Bíblia de Ottheinrich

Descrição

A Bíblia de Ottheinrich é o manuscrito ilustrado do Novo Testamento mais antigo, ainda existente, na língua alemã. O trabalho foi encomendado, em 1430, por Ludwig VII, o Barbudo, Duque da Baviera-Ingolstadt. O texto foi escrito, provavelmente, em Ingolstadt, em uma escrita monumental consistente com os mais elevados padrões caligráficos. O texto foi, então, enviado para Regensburg para ser iluminado. Contudo, apenas cerca de um quinto das miniaturas estavam concluídas, quando o trabalho foi interrompido. Um pouco antes de 1530, o Conde Palatino Ottheinrich havia adquirido a Bíblia e contratou o artista Mathis Gerung para concluir a sequência de miniaturas, as quais se estendiam, anteriormente, até o Evangelho de São Marcos. Gerung concluiu o trabalho em 1530-1531. Ao todo, esta Bíblia magnificamente iluminada contém 146 miniaturas e 294 iniciais ornamentadas, em 307 folhas de pergaminho. O manuscrito foi posteriormente levado, como despojo de guerra, de Heidelberg para Munique e, em seguida, para Gotha, onde, no século XIX, foi dividido em oito volumes. A Biblioteca Estatal da Baviera adquiriu três destes volumes em 1950, e os demais cinco restantes em 2007."
 

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Linguado ao Gratin


Linguado ao Gratin

Depois do linguado amanhado, tempera-se com sal, sumo de limão e deixa-se marinar.
Unta-se ligeiramente um pirex no qual se coloca o linguado. Deita-se por cima salsa, cebola, vinho, polvilha-se com pão ralado e rega-se com manteiga derretida. Leva-se ao forno meia hora e serve-se com puré de batata.