quarta-feira, 4 de março de 2015

Torta Enrolada

Comércio do Porto, 23 de Fevereiro de 1936


Torta Enrolada

Batem-se muito bem 9 ovos com 250 grs. de açúcar durante uns 30 minutos. A seguir junte-se-lhe 125 grs. de farinha de trigo e volte a bater-se tudo até ligar tudo bem.
Barre-se o tabuleiro com manteiga e deite-se-lhe dentro a massa feita de maneira que fique estendida por igual pelo tabuleiro todo e leve-se ao forno.
Estando cozida a massa, volta-se o tabuleiro sobre um guardanapo polvilhado com açúcar, em seguida dispõe-se sobre ele uma camada de doce de fruta e enrola-se enquanto a massa está quente.
  

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Queijadinhas de Nata


Queijadinhas de Nata

Para pequena porção, junta-se a meio quartilho de nata que deve bater bem até ficar desfeita, juntam-se-lhe 6 gemas de ovos que se desfazem juntamente, tem 250 gramas de açúcar em ponto de fio, deita-se-lhe na calda mexendo sempre para não pegar, até que fique uma massa espessa. Passam-se as forminhas com massa folhada ou tenra, vão ao forno do fogão que deve estar bem quente.
É bom deitar 3 cravinhos e 1 pau de canela na calda para serem mais saborosos.
 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Cocadas


Cocadas

Batem-se 4 claras bem batidas em castelo, juntam-se-lhe 200 gramas de açúcar, mexe-se bem, juntam-se 250 gramas de côco e tornando a mexer polvilham-se latas com farinha de triga, e com uma colher põem-se bocados da massa, ajeitando-se as cocadinhas com a mão polvilhada de farinha para não agarrar. Vão ao forno a dourar e tiram-se com uma faca.

Quando o almoço era pequeno-almoço e o almoço era jantar


Este pequeno excerto retirado de um livro de 1896 sobre a Real Casa Pia de Lisboa, relata-nos como eram distribuidas as refeições ao longo do dia na referida instituição em dois momentos distintos: antes e depois de uma grande reforma institucional ocorrida por volta de 1880.
Este excerto levou-me a questionar como, em menos de cem anos, esta distribuição e o modo como chamamos cada refeição tanto se alterou. 

Eis que Ana Motta Veiga desfaz as minhas dúvidas, dizendo:

"Nem sempre as três principais refeições do dia (pequeno-almoço, almoço e jantar) tiveram o mesmo nome e o mesmo significado...sendo que os "lanches" tão pouco existiam e apenas se conheciam as merendas...
A primeira refeição da manhã (apesar de pequena) seria chamada de Almoço ou o Almorço, com r: "Almoçar. Comer alguma cousa antes de jantar. (...) O que se come pela manhãa. Por ser em pequena quantidade, parece derivado do Arabico Al, & do Latim Morsus, que vale o mesmo, que mordeduras, porque almoçar he dar quatro mordeduras, & comer quatro bocados.";
Seguia-se o Jantar ou Iantar, com i, "Tomar sua refeição pellas horas do meyo dia", ao que actualmente chamamos de almoço;
Ao "lanche", ou aos lanches do dia, chamar-se-iam de merendas: "Merenda. Comida entre dia. O que se come entre o jantar, & a cea.";
A ceia, ou o "Tomar a refeição da noite.", é ao que hoje chamamos de jantar, e que pelo ditado popular se supõe que seria tomada cedo: "Quem cea, & se vay deitar, mâ noite hâ de passar.";
É curioso que os nomes das refeições se alteraram, ou seja, avançaram no horário, e pergunto-me se não terá sido também um dos impactos do aparecimento da luz eléctrica, fazendo "o dia" mais longo. Ao que chamamos hoje de ceia, refeição após o jantar, era hábito que nem se colocava no tempo em que as pessoas se deitavam "com as galinhas" e acordavam "com o cantar do galo"..."

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Doce de Ginja

Aerolitho-semanario de instrucção e recreio 
Domingo, 22 de Julho 1883

Doce de Ginja

O doce de ginja pode-se fazer com ou sem caroços.
Tomam-se três kilos de ginjas, maduras e sãs, cortam-se-lhes os pés e deitam-se em igual porção de açúcar cristalizado, deixa-se ferver em vaso tapado, escuma-se, tira-se do lume e coa-se por um saco de camurça.
No outro dia depois de estar coado encorpora-se-lhe uma porção de sumo de groselhas, ferve-se em vaso tapado por três quartos de hora, ou uma hora, até que fique em consistência própria, deixa-se esfriar e deita-se em pucaros de barro ou boiões e cobre-se com uma camada de sumo de groselhas ou framboesas.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Doce de Limão (Lemon's Sweets)


Doce de Limão

Duzentos e cinquenta gramas de açúcar e 8 ovos batem-se tudo meia hora e raspa de limão no fim de batidos deita-se-lhe 250 grs. de farinha, fazem-se bolos tendidos com farinha e vão ao forno em lata untada de manteiga.

Lemon's Sweets

8 eggs, beaten with 250 gr. sugar for half an hour. Lemon zest joins and, after whipping, 250 gr. flour. Tends the cakes with flour and go to the oven in tin greased with butter.
 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Filipa Vacondeus: 1933 - 2015


Filipa Vacondeus
(12 de Maio de 1933 - 06 de Janeiro de 2015)

Filipa Vacondeus não era apenas a "cozinheira" que durante anos nos habituámos a ver em casa, a confeccionar pratos mais ou menos simples, mais ou menos complicados. Foi também uma investigadora e "coleccionadora" de receitas, fossem estas da cozinha tradicional portuguesa ou não. Como Bento da Maia, nos inicios do séc. XX, ou Laura Santos ou Alda de Azevedo em meados do mesmo século, também Filipa Vacondeus compilou - a par com Maria de Lurdes Modesto -, "modernizou" [vi-a fazer uma vez sardinhas no microondas] e divulgou o que de melhor por cá se faz. A comprovar isso mesmo, a extensa bibliografia que nos deixou. 

Alguma Bibliografia









quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Feliz Ano de 2015 para todos os leitores do blog


A todos os leitores do blog As Receitas da Avó Helena e da Avó Eduarda os votos de um 2015 cheio de serenidade, felicidade e paz. Obrigado por mais um ano que passámos juntos neste espaço de partilha doce e repleto de amor. Um bem-haja.

Daniel Ferreira 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Broas de Mel (Bagel of Honey)

Laura Santos, A Mulher na Sala e na Cozinha, Editorial Lavores, 
11. Edição, s.d., pág.276

Broas de Mel

Põem-se numa panela, ao lume o seguinte: meio litro de água, meio litro de azeite, sete decilitros e meio de mel, 200 gramas de açúcar escuro, 5 gramas de canela, nozes aos bocadinhos e 20 gramas de erva doce moída; deixa-se ferver pelo espaço de dez minutos; ao fim deste tempo, junta-se litro e meio de farinha de trigo, envolvendo-se bem e com uma colher de pau mexe-se bem para a farinha encorporar, isto também durante uns dez minutos.
Com a massa morna, tendem-se as broas e levam-se a cozer ao forno em tabuleiros, sem serem untados nem polvilhados.

 Bagel of Honey


Put in a pot to boil the following: a half liter of water, half a liter of olive oil, seven and a half deciliters honey, brown sugar 200 grams, 5 grams of cinnamon, nuts into small pieces and 20 grams of ground fennel; leaves to boil the space of ten minutes; after this time, joins liter and a half of flour, engaging and well with a wooden spoon stir up well to embody flour, this also for about ten minutes.
With the warm mass, tends the bagel and lead to bake in the oven trays, without being smeared or powdered.
   

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Beijos do Manuel (Kisses from Manuel)

Alda de Azevedo, Cozinheira Ideal, Livraria e Editora Civilização, 3ª Edição, 1943, 
pág. 365 (Menú de 29 de Novembro)
 Beijos do Manuel
Faz-se uma calda em ponto de pasta, que se deixa esfriar um pouco, juntando-lhe 8 gemas, 250 grs. de nozes esmagadas no almofariz e algumas passas.
Vai o lume até se ver o fundo ao tacho quando se mexe, deixa-se esfriar, fazem-se pequenas bolas achatadas, põem-se num tabuleiro forrado com papel branco e húmido, e vão ao forno, a corar.
 Kisses From Manuel

M
ake a syrup in paste point, which is allowed to cool slightly, joins 8 egg yolks, 250 grs. nuts crushed in mortar, and some raisins.
Place on the fire until you see the background to pan when you stir with spoon, let it cool, make up small flat balls, which are put in a baking tray lined with baking paper moistened, and go to the oven, to blush.