segunda-feira, 11 de julho de 2016

Vencedores (homenagem à equipa portuguesa vencedora do UEFA EURO 2016)

O Cozinheiro Prático - Interessante guia de culinária ao alcance de toda a gente,
de Mariazinha, c. 1952, Editorial Minerva, Lisboa, pág. 155


Vencedores

Numa tigela batem-se oito gemas de ovos com meio quilo de açúcar, noutra batem-se as oito claras, em castelo. Junta-se o conteúdo das duas tigelas com 250 gramas de farinha de trigo flor e mexe-se tudo muito bem. Quando a massa estiver homogénea enchem-se com ela formas pequenas de queques e levam-se ao forno a cozer.

  Homenagem aos vencedores do Euro 2016: PORTUGAL

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Apresentação do Chocolate e Como Preparar o Chocolate (Bebida)



Carlos Bento da Maia, Tratado Completo de Cozinha e de Copa,
 edição de 1904, pág.666-668
 
Chocolate
O produto que se encontra no comércio com o nome de chocolate e com o qual se prepara a bebida agradável e substancial que em nossas casas toma este nome, obtém-se misturando o cacau torrado e moído com cerca de igual peso de açúcar e com substâncias aromáticas, tais como a canela e a baunilha.
O cacauseiro é uma planta de origem americana, que actualmente se cultiva muito nas nossas colónias próximas do equador e que mereceu aos botânicos o nome de alimento dos deuses, theobroma.
A nossa gravura representa um ramo de cacauseiro com os respectivos frutos.
O cacau avisinha-se do café e do chá por um alcalóide análogo na composição à cafeína, mas distingue-se dele principalmente, pela riqueza em albumina e em gordura, o que o torna ao mesmo tempo nutriente e pouco digestível, mas podendo servir exclusivamente de alimento, o que não sucede ao café nem ao chá.
A adição da canela e da baunilha ao cacau na composição do chocolate torna este mais fácil de digerir-se.
O chocolate é objecto de uma larga fabricação em Espanha e em França; entre nós também se fabrica, mas em pequena quantidade.
O modo de apresentar o chocolate comum é em uma espécie de ladrilhos, cada um dos quais tem cortes cruzados, profundos, separando bocados que devem corresponder, cada um, a uma chávena da bebida a que chamamos chocolate.
Estes ladrinhos, chamemos-lhes assim, são cobertos por uma folha de papel de estanho e depois envolvidos em papel comum. Este resguardo tem toda a razão de ser, porque o chocolate, se estiver exposto ao ar, perde o aroma e corrompe-se.
Muita gente confunde o chocolate bom com o ordinário assim como confunde também o café e o chá.
Assim como reputam bom café ou bom chá aqueles que dão uma bebida muito carregada em côr, também apreciam os chocolates que diluídos na água ou no leite dão um polme muito grosso.
Os chocolates que dão estes polmes grossos são falsificados com farinhas.
O bom chocolate deve apresentar os seguintes caractéres:
1º - Ser untuoso.
2º - Ter um cheiro pronunciado a cacau.
3º - Apresentar uma fractura lisa.
4º - Cozido em água ou em leite, só deve adquirir uma consistência fraca.
 
[Chocolate - Bebida]
 
O modo mais usado de preparar o chocolate (bebida) consiste em deitar tantos bocados quantas as chicaras, cada um deles partidos noutros bocados mais pequenos, num pouco de leite, depois, deitá-los numa chocolateira, vasilha de cobre estanhado ou de folha de Flandres com tampa furada ao meio, por cujo buraco passa o cabo duma batedeira a que se dá à mão movimento rotatório, tendo posto a vasilha sobre lume forte, com a quantidade de água ou de leite correspondente ao número de chávenas que se querem servir.
Quando o chocolate espuma, está pronto para servir-se.
Algumas pessoas temperam ainda o chocolate com mais açúcar e outras juntam-lhe gemas de ovos, para tomar o alimento mais substancial.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Melindres à Maria Matos

Guia da Doceira em sua casa dedicado aos Artistas do Teatro Português,
de Maria Margarida (pseud. Bernardino Alves Lopes ?), [1934], Cartaxo, Tip. Treze, pág. 43
 
 
Melindres à Maria Matos
 
Batem-se 8 gemas e 2 claras com 500 grs. de açúcar branco a formar castelo, em seguida leva a farinha suficiente para fazer uns bolinhos redondos, tendidos com a colher, com a massa branda, indo em seguida em tabuleiros untados com banha de porco ao forno pouco forte.
 
  Maria Matos


De seu nome completo Maria da Conceição de Matos Ferreira da Silva (Lisboa/29.09.1886-19.09.1952/Lisboa), desenvolveu uma notável carreira enquanto atriz, escritora dramática e professora.

 Casa onde nasceu Maria Matos, em ruína completa, 
na Calçada Engenheiro Miguel Pais, 22, em Lisboa

Estudou  Piano, Canto e Arte Dramática no Real Conservatório de Lisboa, fazendo exame final com a peça Rosas de Todo Ano escrita para ela por Júlio Dantas e, concluiu o seu curso de teatro com o 1º Prémio da Arte de Representar, em 1907. Nesse mesmo ano estreou-se no palco do Teatro D. Maria II, na peça Judas e logo no ano seguinte tornou-se «societária» daquele palco com Eduardo Brazão, Ferreira da Silva e Adelina Abranches. Em 1912, mudou-se para a companhia de Lucinda Simões, no Teatro Ginásio e, para a comédia. Casou com o ator Francisco Mendonça de Carvalho em 1913, com quem fundou a empresa teatral Maria Matos – Mendonça de Carvalho, e com teve uma filha, Maria Helena Matos, que também viria a ser atriz e,  foi nessa companhia do casal que interpretou centenas de obras, especialmente do género farsa, e assim se tornou um verdadeiro ídolo das plateias onde estiveram sediados, primeiro no Teatro Ginásio e depois, no Avenida. Para além de digressões pelo país e Brasil, Maria Matos também subiu aos palcos alfacinhas do Teatro Apolo, Variedades, Politeama e Trindade.
Esta mulher do teatro também sentiu necessidade de ser ela a escrever as próprias peças a levar à cena como Escola de Mulheres (1937), Direitos de Coração (1937), A Tia Engrácia (1936), para além de ser autora de outra obra – Dizeres de Amor e Saudade (1935). Postumamente, foram ainda publicadas As Memórias da Actriz Maria Matos (1955).
Maria Matos, a partir de 1940 foi também professora do Conservatório Nacional de Lisboa nas cadeiras de Estética Teatral e de Arte de Dizer, até ao ano de 1945 em que se demitiu.
Maria Matos ficou também célebre no cinema, em filmes como O Costa do Castelo (1943), A Menina da Rádio e  Um Homem às Direitas (ambos em 1944) ou As Pupilas do Senhor Reitor (1935) , a Varanda dos Rouxinóis (1939) ou ainda, A Morgadinha dos Canaviais  e Heróis do Mar (ambos em 1949).
Foi ainda agraciada com um louvor publicado no Diário do Governo pelos serviços prestados ao Teatro (1915), o Hábito de Santiago da Espada (1934) e, em 22 de 0utubro de 1969, abriu em Lisboa o Teatro com o seu nome.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Bolo Nevado

Doces e Gelados de Café, Edição da Divisão de Propaganda da Junta de Exportação do Café 
[Ministérios do Ultramar e da Economia], Oficinas Gráficas da Papelaria Fernandes, 1960 - pág.10
 
Bolo Nevado
 
6 ovos; o mesmo peso de açúcar branco; metade do peso dos ovos de farinha; raspa de limão; uma colher de sopa de fermento em pó.
Batem-se as gemas com o açúcar, juntam-se as claras batidas em castelo (metade); depois a farinha e o fermento e, finalmente, o resto das claras. Vaza-se a mistura em forma de pão bem untada com margarina. Deita-se um terço da massa, depois colocam-se ao comprido, palitos La Reine embebidos em café, vaza-se outro terço da massa e novamente outra ordem de palitos La Reine; finalmente o resto da massa que deve estar bem espessa. Coze em forno quente durante vinte a trinta minutos. Retira-se do forno e desenforma-se. Logo que esfrie cortam-se as côdeas de baixo e dos lados. Deixa-se esfriar completamente. Barram-se os lados do bolo com creme de chocolate (chocolate derretido com uma colher de sopa de margarina e outra de açúcar). Pincela-se o bolo à volta de modo a ficar inteiramente lisa a película de chocolate. Cobre-se o bolo com massa de suspiro (uma chávena de açúcar branco para cada clara). Barrada a parte de cima do bolo enfeita-se com frutas cristalizadas: figos partidos em folhas, metades de cerejas e tiras de casca de laranja.
Veja-se na gravura como deve ficar o bolo ao partir-se.
  

domingo, 26 de junho de 2016

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Melindres à Amélia Rey Colaço

Guia da Doceira em sua casa dedicado aos Artistas do Teatro Português,
de Maria Margarida (pseud. Bernardino Alves Lopes ?), [1934], Cartaxo, Tip. Treze, pág. 43
 
 
Melindres à Amélia
Rey Colaço
 
Batem-se 10 gemas e 3 claras com 300 grs. de açúcar branco, depois de muito bem batido, adiciona-se-lhe 7 grs. de canela em pó e 120 grs. de farinha peneirada; volta-se a bater muito bem e deitam-se em latinhas barradas com manteiga, indo em seguida ao forno.
 
 
Amélia Lafourcade Schmidt Rey Colaço de Robles Monteiro, de seu nome completo, nasceu em Lisboa a 2 de Março de 1898.  Era a mais nova das quatro filhas de Alice Lafourcade Schmidt e de Alexandre Rey Colaço, pianista e figura de renome no meio artístico. Cresceu num ambiente economicamente confortável e culturalmente rico, em contacto com uma elite intelectual e artística. Em Dezembro de 1911 foi com a irmã Maria para Berlim, para casa da avó materna, com o objectivo de estudarem música. Também aqui encontrou um ambiente cultural estimulante, nas constantes tertúlias em casa da sua avó, Madame Kirsinger, frequentadas por vários artistas da capital alemã. Foram os espetáculos de Max Reinhardt com o Deutsches Theater, que seguiu atentamente nas suas estadias em Berlim, que atraíram Amélia para a carreira de atriz. A grande amizade entre o pai de Amélia e Augusto Rosa (ator, co-fundador da Companhia Rosas & Brazão) determinou que fosse este a iniciar Amélia na arte teatral, com lições particulares de exigente disciplina. Então discípula de Augusto Rosa estreou-se no Teatro República com 19 anos, em 1917 em Marianela, logo despertando o interesse da crítica e do público. Amélia ficou no São Luiz até 1919, recusando convites para integrar companhias espanholas e só saindo para se juntar à Companhia de Lucinda Simões, no Teatro do Ginásio, que, de resto, abandonou em abril de 1920, porque fora entretanto contratada para a época estival do Teatro Nacional. Acabou por ficar como societária deste teatro na época de 1920-21. Através de Augusto Rosa, Amélia conheceu Robles Monteiro, ator e também discípulo daquele, e com ele casou em dezembro de 1920, de quem virá a ter uma filha que igualmente seguirá a carreira teatral, Mariana Rey Monteiro. Criou com o seu marido, a Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro, cuja longevidade – 53 anos, 35 dos quais à frente do Teatro Nacional – se mantém, até hoje, inigualável. Além da interpretação, destacou-se pelo requinte e bom gosto que aplicou à concepção plástica de grande parte dos seus espectáculos. Responsável pela gestão administrativa da companhia após a morte de Robles Monteiro, dirigiu este grupo até à sua extinção, em 1974.  Destacou-se em peças como Zilda (1921), de Alfredo Cortez, peça escolhida para a estreia da companhia, a 18 de junho de 1921, no Teatro de S. Carlos; A Castro (1934), de António Ferreira, Electra e os fantasmas (1943), de Eugene O’Neill, A visita da velha senhora (1960), de Dürrenmatt.  Como atriz, foi aplaudida nos mais variados géneros e papéis, como a sua personagem em O lodo (1923), de Alfredo Cortez, para a qual estudou as posturas e gestos de prostitutas, e com a qual escandalizou o público. A morte de Robles Monteiro em 1958 foi um golpe duríssimo para Amélia tanto a nível pessoal como profissional. Assumiu as responsabilidades de gestão administrativa até aí desempenhadas pelo marido e passou a partilhar a direção da companhia com a filha de ambos, Mariana Rey Monteiro. A situação da companhia ficou dramaticamente comprometida com o incêndio no Teatro Nacional, a 2 de dezembro de 1964, na medida em que, juntamente com o edifício, desapareceu todo o espólio da companhia, incluindo cenários, figurinos e adereços acumulados ao longo de 43 anos de atividade. Menos de duas semanas depois, a 15 de dezembro, Amélia e a companhia apresentaram Macbeth (o espetáculo em cena aquando do incêndio) no Coliseu dos Recreios, como prova da sua determinação em não desistir. No entanto, Amélia ainda teve que ultrapassar, em dezembro de 1967, outro incêndio no Teatro Avenida, onde a companhia estava instalada desde a sua saída do Nacional. Sem esmorecer, levou a companhia para o Capitólio (1968-70) e de seguida para o Trindade, que partilhou com uma companhia de opereta, apresentando apenas dois ou três espetáculos por temporada. Com a revolução de abril de 1974, com um panorama teatral mudado e crescentes dificuldades financeiras, Amélia encerrou a atividade da Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro.  O seu interesse pelo teatro manteve-se vivo e voltou a pisar os palcos em 1985 no espetáculo El-Rei Sebastião, de José Régio, encenado por Carlos César. Fez também uma incursão pela televisão, na série da RTP Gente fina é outra coisa, experiência que muito a desiludiu. A sua paixão pelo teatro voltou a refletir-se, no final da sua vida, no apoio que deu à concretização do projeto do Museu Nacional do Teatro. Morreu em Lisboa a 8 de Julho de 1990.
Fonte: Cinema Português  

Guia da Doceira em sua casa dedicado aos Artistas do Teatro Português

Guia da Doceira em sua casa dedicado aos Artistas do Teatro Português,
de Maria Margarida (pseud. Bernardino Alves Lopes ?), [1934], Cartaxo, Tip. Treze

Chamado "ouro sobre azul". Um livro que mistura doçaria e Teatro só podia ter sido feito por encomenda. Maravilha. O prefácio é do actor João Gaspar e o autor, pseudónimo, é Maria Margarida (embora na primeira página esteja a assinatura do autor, que assina como Bernardino Alves Lopes). O livro é de 1934, segundo informação da Biblioteca Nacional, e foi impresso na Papelaria e Tipografia "Treze", do Cartaxo. Venham as pancadas de Molière e suba o pano (e rapa o tacho).

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Bacalhau à Provençal (entrada)

jornal Ribaltas e Gambiarras, redacção Guiomar Torresão, S. 1, n.º 31, 03 Jul. 1881


Bacalhau à Provençal
(entrada)

 O bacalhau depois de ter estado 24 horas em água fria a largar o sal, põe-se a cozer, retirando-se quando começa a levantar fervura. Deita-se em um tacho manteiga, azeite, alho e salsa, deixando-se derreter em um lume brando. Limpa-se o bacalhau, corta-se em bocados e deita-se no tacho. De espaço a espaço, junta-se-lhe uma porção de azeite, manteiga ou leite, e quando esteja tudo bem passado agite-se o tacho, com o que se consegue que o bacalhau se reduza a uma espécie de creme.
É um guisado excelente. 

terça-feira, 14 de junho de 2016

Chá (e pequeno louvor à Companhia Portugueza do Chá)

jornal Ribaltas e Gambiarras, redacção Guiomar Torresão, S. 1, n.º 7, 12 Fev. 1881


Chá

Toda a gente imagina que sabe fazer chá; o resultado é delegarem as donas de casa esse encargo ao primeiro criado boçal que lhe aparece. Como se sabe, a maioria das ladyes preparam o chá e servem-o por suas próprias mãos.
O chá para ter um aroma agradável e um sabor fino deve fazer-se misturando um terço de chá verde com dois terços de chá preto, mediante o seguinte processo: escalda-se o chá em meia chávena de água a ferver, e deixa-se de infusão por espaço de 5 minutos, deita-se no bule a quantidade necessária de água para o número de chávenas que se deseje e junta-se-lhe depois a infusão do chá.

E porque falamos em chá, não podia deixar de falar de uma maravilhosa casa que existe em Lisboa - A Companhia Portugueza do Chá - Vieira & Pinto Importação e Comércio de Chá - liderada pelo simpático, atencioso, estudioso e excelente fazedor de chá, Sebastian Filgueiras. É uma casa em constante transformação, onde a tradição e a inovação se conjugam num espaço único de beleza, despertando os sentidos e convidando-nos à paz e harmonia, entre bules e folhas de chá, entre biscoitos e compotas, entre dois dedos de conversa e os tesouros que guardam. 
Visitem este casa e garanto-vos que não se arrependerão.
(P.S. - Isto não é publicidade, é partilha de coisas genuínas e verdadeiramente únicas, que vão faltando em Lisboa.)

Morada: Rua do Poço dos Negros, 123. 1200-337 Lisboa




 Interior da loja, que se renova constantemente

 Sebastian Filgueiras, o Alquimista do Chá

Pormenores