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| J. M. Souza Pereira: A Cozinha Moderna. Empreza Editora e Tipográfica Henrique Torres. p. 358 |
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| J. M. Souza Pereira: A Cozinha Moderna. Empreza Editora e Tipográfica Henrique Torres. p. 362 |
DOBRADA DE VACA À MODA DO PORTO
(modo de a preparar)
Lave-se a dobrada em bastantes águas e limpe-se muito bem. Corte-se depois em bocados da largura de três dedos, ponha-se a ferver com um bom ramo de salsa, tomilho, louro e alho: Deite-se sal, pimenta, três cebolas regulares e coza-se durante quatro horas. Tirem-se então todos os bocados da dobrada e ponham-se a escorrer. Depois de feito isto pode cozinhar-se a dobrada de qualquer maneira.
Dobrada de vaca à moda do Porto
Preparada e cozida como se indicou (Veja modo de a preparar), corte-se em bocados que se fazem saltear em bom lume, com sal, pimenta, cebolas e salsa picadas. Depois de bem loura a dobrada, sirva-se, juntando-lhe um pouco de vinagre.
E agora um poema : Dobrada à Moda do Porto,
de Álvaro de Campos:
de Álvaro de Campos:
Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.
Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.
Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo...
(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje).
Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.
Jacinto Ramos lê Dobrada à Moda do Porto,
retirado do disco "Cantarei espalharei"



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