sábado, 1 de agosto de 2015

Suspiros de Freira

 
Phulano DE THAL: Cozinha Francesa. Livraria Clássica Editora, Lisboa - [1931]. pág.619/620


Suspiros de Freira

Não é assim, isto é, não é nos termos franceses correspondentes, que este doce é designado em França; mas todas as forças do mundo coligadas não nos decidiriam a traduzir literalmente, num livro que se destina a ser manuseado por tantas gentis leitoras, a denominação carnavalesca original. Ou bem que se é respeitador das conveniências, ou bem que se não é.

Eis a receita, tal qual se praticava na abadia de Baune-les-Dames, donde os... suspiros em questão se exalaram pela primeira vez através do mundo inteiro, com excepção talvez do nosso Portugal, onde supomos que ainda se não fizeram ouvir até esta data.

Dois dedos de água numa caçarola. Logo que ferva, deitem-se nela uma pitada de sal, a pelicula amarela exterior dum limão, finamente picada, um pedaço de manteiga fresca e uma colher para sopa de açúcar em pó. Logo que se manifestarem os primeiros sintomas de ebulição, acrescentar duas colheres para sopa de farinha, avivar ainda o lume, remexer até que a massa adquira certa consistência. Encorporar então nela dois ovos, continuando a remexer e a bater a massa para a fazer levantar. Logo que estiver bem consistente e lisa, formar com ela bolas do tamanho de rainhas-cláudias, que se lançam numa fritura de azeite a ferver, depois de haverem sido roladas em farinha ligeiramente. Quando forem retiradas da fritura, deverão ser polvilhadas com açúcar. É necessário que os suspiros de freira apresentem uma bela cor doirada e sobretudo que não fiquem secos. Para isso, vigiar atentamente a fritura.