segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Orelhas de Abade

Ministério da Agricultura e Branca Miraflor: O Mel, Livraria Barateira, Lisboa, 1938 - Pág.20


Orelhas de Abade

Deita-se em uma vasilha, farinha de trigo, e sobre ela um pouco de leite bem quente ou água, mexe-se e envolve-se a farinha de forma que fique um bolo duro. Na água ou leite deve ter-se deitado algum mel.
Vão-se deitando, um a um, os ovos precisos para ficar um polme grosso, mas que corra, e amassando ou batendo muito bem com a mão. Deixa-se descansar umas duas horas e depois vai-se deitando com uma colher de sopa, colheradas de massa em azeite fervente. Em estando louras de um lado e doutro, colocam-se numa travessa, polvilham-se com canela e açúcar, calda de açúcar ou melhor ainda calda de mel. 

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Bolinhos


Bolinhos

Batem-se 4 gemas com 220 gramas de açúcar e casca ralada dum limão. Junta-se 150 de margarina amolecida e mexe-bem. Leva depois pouco a pouco, batendo sempre, 190 gr. de farinha e 2 colheres (de chá) de fermento, alternando com as claras batidas em castelo.
Põe-se a massa em forminhas untadas.
Cozem em forno esperto e polvilham-se com açúcar.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Fatias Chinesas

Autores Vários: O Cozinheiro dos Cozinheiros, Edição de Paul Plantier, 
Lisboa, 1877 - 2ª Edição. Pág.787
Fatias Chinesas

Duas duzias de gemas de ovos, meio arratel de açúcar areado, uma mão cheia de amêndoas pisadas, mistura-se tudo e bate-se até engrossar. Depois se deita em uma lata bem tapada, que esteja untada de manteiga, e meta-se a lata em um tacho de água a ferver, por tempo de meia hora, tendo cuidado em pôr sobre uma rodilha, que deve ter-se metido dentro do tacho para que a lata se não pegue; pondo-se em cima dela um peso para que esteja segura, e cobrindo-a com um pano de boril, até ferver pelo referido espaço de tempo, depois se tira a lata e a massa se põe a esfriar em pratos, e depois de enxuta se corta com uma faca em fatias finas, que vão passando por calda de açúcar em ponto de espadana (em porção igual à que acima se disse) e polvilhando com canela e grangeia.

Dicionário

ar·rá·tel (árabe ar-ratl) substantivo masculino [Metrologia] Antiga unidade de medida de peso equivalente a 459 gramas. = LIBRA

"arrátel", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/arr%C3%A1tel [consultado em 12-08-2015].

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Pastéis do Cocó

Cozinha de Lisboa e seu termo: Alfredo Saramago, Assírio e Alvim

Pastéis do Cocó

Faça uma massa folhada e depois de descansar estenda-a e corte, com uma carretilha, rodelas de massa e ponha no meio uma colher de sopa de recheio, que são ovos-moles com um pouco de amêndoas torradas muito picadas. Dobre, faça meias luas e leve ao forno a cozerem.

Nota de Rodapé: O cocó tinha uma confeitaria na Rua de São Nicolau conhecida com o mesmo nome. O Cocó, de nome Araújo, foi pai de José Gregório de Rosa Araújo, o homem da Avenida da Liberdade e do início da Lisboa moderna. Eram os melhores pastéis de Lisboa, segundo Francisco Câncio que conheceu a casa, os pastéis e os bons almoços que lá serviam. Francisco Câncio, in Arquivo Alfacinha, V, II, C.M.L. 1954.
Na década de 1920 eram fabricados em Mafra uns bolinhos também conhecidos como cocós, pelas manas Sousa, da Leitaria Modesta.

"O "Cócó"
Rosa Araújo, o "Cócó", nasce a 17 de Novembro de 1840 e morre a 26 de Janeiro de 1893.

Confeiteiro, burgês, capitalista, vereador, presidente da Câmara Minicipal de Lisboa, par do Reino, tendo por vezes recusado o título de visconde.

Filho de Manuel José da SIlva Araújo, dono da Confeitaria Portuguesa, na Rua de S. Nicolau, célebre à época pelos seus pastéis de ovo de folhado muito fino, mais conhecidos por pastéis do cócó, esta designação passou também para os referidos pastéis. Herdou-a também o seu filho, numa época em que já era um político influente.

Rosa Araújo, membro do Partido Regenerador, integrou a lista para as eleições municipais de 1981, tendo sido eleito. A sua intervenção na Câmara Municipal de Lisboa vai prolongar-se por dezoito anos.

Desse longo período, onde naturalmente teve a seu cargo inúmeros projectos, destaca-se a longa polémica de encerramento do Passeio Público, para abertura da Avenida."

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Orgèas

 
Phulano DE THAL: Cozinha Francesa. Livraria Clássica Editora, Lisboa - [1931]. pág.624/625


Orgèas

Este nome designa certos bolos para chá muito em moda em Paris.
Preparar uma massa, muito leve, com 250 gramas de farinha, 250 gramas de amêndoas assadas na grelha e trituradas, quatro ovos inteiros, uma pitada de sal, uma colher para café de canela em pó.
Polvilhar com farinha um tabuleiro de ir ao forno, dispor sobre ele a massa bem trabalhada, que deverá ter dois centímetros de espessura. Meter no forno durante alguns momentos, espalhar sobre a massa uma pequena quantidade de amêndoas misturadas com açúcar. Quando tudo estiver bem doirado, retirar do forno e polvilhar com açúcar em pó. Enquanto o bolo está ainda quente, talhá-lo em losangos ou em rodelas com um vasador.

sábado, 1 de agosto de 2015

Suspiros de Freira

 
Phulano DE THAL: Cozinha Francesa. Livraria Clássica Editora, Lisboa - [1931]. pág.619/620


Suspiros de Freira

Não é assim, isto é, não é nos termos franceses correspondentes, que este doce é designado em França; mas todas as forças do mundo coligadas não nos decidiriam a traduzir literalmente, num livro que se destina a ser manuseado por tantas gentis leitoras, a denominação carnavalesca original. Ou bem que se é respeitador das conveniências, ou bem que se não é.

Eis a receita, tal qual se praticava na abadia de Baune-les-Dames, donde os... suspiros em questão se exalaram pela primeira vez através do mundo inteiro, com excepção talvez do nosso Portugal, onde supomos que ainda se não fizeram ouvir até esta data.

Dois dedos de água numa caçarola. Logo que ferva, deitem-se nela uma pitada de sal, a pelicula amarela exterior dum limão, finamente picada, um pedaço de manteiga fresca e uma colher para sopa de açúcar em pó. Logo que se manifestarem os primeiros sintomas de ebulição, acrescentar duas colheres para sopa de farinha, avivar ainda o lume, remexer até que a massa adquira certa consistência. Encorporar então nela dois ovos, continuando a remexer e a bater a massa para a fazer levantar. Logo que estiver bem consistente e lisa, formar com ela bolas do tamanho de rainhas-cláudias, que se lançam numa fritura de azeite a ferver, depois de haverem sido roladas em farinha ligeiramente. Quando forem retiradas da fritura, deverão ser polvilhadas com açúcar. É necessário que os suspiros de freira apresentem uma bela cor doirada e sobretudo que não fiquem secos. Para isso, vigiar atentamente a fritura.