sábado, 2 de janeiro de 2016

Marmelada de Laranja


Revista Serões, nº 70, de 1911 - págs. 319-320
 
Marmelada de Laranja

Ingredientes necessários: 1 kilo de laranjas, 4 kilos de açúcar branco, o sumo de dois limões, e água.
Processo: tenham-se à mão duas tigelas, uma maior e outra mais pequena. Dividam-se em quartos as laranjas, e tirem-se-lhes as pevides e as fibras brancas, as quais se deitarão na tigela pequena juntamente com duas chávenas de água. Esses quartos deverão ser cortados às tirinhas muito finas depois de se lhe ter espremido todo o sumo para dentro da tigela grande, juntando-se-lhe vinte e duas chávenas de chá cheias de água.
Deixa-se descansar durante vinte e quatro horas. Ferva-se o conteúdo da tigela grande durante meia hora, e deixe-se novamente descansar durante vinte e quatro horas. Ferva-se o conteúdo da tigela pequena durante cinco minutos e coe-se para dentro do tacho de fazer o doce juntando-lhe o conteúdo da tigela grande e 4 kilos de açúcar branco. Deixe-se ferver durante três quartos de hora; junte-se-lhe o sumo de limão quando a fervura esteja em meio. É necessário todo o cuidado para que não ferva demasiadamente, pois isso prejudicaria o gosto e a cor. Para se fazer a experiência afim de se ver se está em boa conta, deita-se um pouco num pires depois de ferver durante meia hora, devendo já começar a gelar.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Bem Viver - Boa Mesa


Encontra-se já digitalizada toda a revista Bem Viver, Boa Mesa:
(clique nas respectivas páginas)

- Capa, Publicidade Inicial e Sumário
- Páginas 2 a 9
- Páginas 10 a 17
- Páginas 18 a 25
- Páginas 26 a 33
- Páginas 34 a 41
- Páginas 42 a 49
- Páginas 50 a 58 (contra-capa)
- Sumário Condensado

Nada como começar 2016 com uma belíssima novidade de 1953. O nº 2 da revista Bem Viver, dedicado à Boa Mesa. 

A Bem Viver foi uma revista mensal fundada e dirigida por Fernanda de Castro entre 1953 e 1954. 

Para além de Fernanda de Castro, colaboraram nesta publicação, da qual saíram 10 números, António Ferro (marido da escritora), António Quadros (filho), Natércia Freire, Delfim Santos, Matos Sequeira, Ramalho Ortigão, Maria da Graça Azambuja, Azinhal Abelho, Abel Viana, Antero de Figueiredo, Cecília Meireles, Ofélia Marques, António d'Eça de Queirós, Álvaro Ribeiro, Esther de Lemos, Júlio Dantas, Orlando Vitorino, António Manuel Couto Viana, entre outros. 

A ilustrações e o arranjo gráfico dos 10 números estiveram a cargo da pintora Inês Guerreiro.

Números publicados:

N.º 1 - A Casa
N.º 2 - Boa Mesa
N.º 3 - A Criança
N.º 4 - A Moda
N.º 5 - É assim a nossa gente
N.º 6 - Enfeites
N.º 7 - Recreio
N.º 8 - Vida do Espírito
N.º 9 - Beleza e Higiene
N.º 10 - Jardins e Janelas Floridas

Números que não chegaram a sair:

N.º 11 - Mobiliário
N.º 12 - Arte de Bem Viver


Na casa dos meus Avós fui descobrir exactamente os oito primeiros números desta revista e fiquei logo empolgado quando me deparei com este Nº 2. "Tem de ir já para o blog", pensei. 

Assim sendo, e sempre no espírito de partilha que caracteriza este espaço e por amizade com os meus amigos leitores, irei publicar, pouco a pouco, toda a revista dedicada à Boa Mesa digitalizada, por ordem das páginas. A revista merece e homenageia-se, deste modo, a figura extraordinária de Fernanda de Castro.

 Fernanda de Castro

Espero que gostem e que fiquem tão deslumbrados como eu fiquei.

Um 2016 cheio de luz e paz para todos, com serenidade e felicidade em todos os dias do ano. 

E porque não Poesia?

Não Fora o Mar!

Não fora o mar,
e eu seria feliz na minha rua,
neste primeiro andar da minha casa
a ver, de dia, o sol, de noite a lua,
calada, quieta, sem um golpe de asa.

Não fora o mar,
e seriam contados os meus passos,
tantos para viver, para morrer,
tantos os movimentos dos meus braços,
pequena angústia, pequeno prazer.

Não fora o mar,
e os seus sonhos seriam sem violência
como irisadas bolas de sabão,
efémero cristal, branca aparência,
e o resto — pingos de água em minha mão.

Não fora o mar,
e este cruel desejo de aventura
seria vaga música ao sol pôr
nem sequer brasa viva, queimadura,
pouco mais que o perfume duma flor.

Não fora o mar
e o longo apelo, o canto da sereia,
apenas ilusão, miragem,
breve canção, passo breve na areia,
desejo balbuciante de viagem.

Não fora o mar
e, resignada, em vez de olhar os astros
tudo o que é alto, inacessível, fundo,
cimos, castelos, torres, nuvens, mastros,
iria de olhos baixos pelo mundo.

Não fora o mar
e o meu canto seria flor e mel,
asa de borboleta, rouxinol,
e não rude halali, garra cruel,
Águia Real que desafia o sol.

Não fora o mar
e este potro selvagem, sem arção,
crinas ao vento, com arreio,
meu altivo, indomável coração,

Não fora o mar
e comeria à mão,
não fora o mar
e aceitaria o freio.

Fernanda de Castro, in "Trinta e Nove Poemas"

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Feliz Ano de 2016


A todos os meus familiares, amigos e seguidores/leitores deste cantinho de memórias e partilha de saudades, o blog As Receitas da Avó Helena e da Avó Eduarda deseja um ano de 2016 muito feliz, em que a serenidade e a Paz seja uma constante. Um bem-haja por mais este ano que passaram comigo.

Beijos e abraços 

Daniel Ferreira

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

FELIZ NATAL


Junto ao azevinho, com bolinhas vermelhas e tudo, desejo a todos os familiares, amigos e leitores do blog As Receitas da Avó Helena e da Avó Eduarda uma noite de Consoada muito feliz, quente e serena, cheia de luz e paz.

FELIZ NATAL 

domingo, 20 de dezembro de 2015

Nova compilação de doces de Natal


Aqui deixo um apanhado de receitas de doces que estão aqui no blog de As Receitas da Avó Helena e que tornarão a sua Ceia de Natal ainda mais aconchegante.

Arroz doce -
http://asreceitasdaavohelena.blogspot.pt/2013/10/arroz-doce.html?m=0












E BOM NATAL!!!!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Filhós

Serões : revista mensal ilustrada, N.º 73, Jul. 1911, pág. 80


Filhós

Ingredientes necessários: Um copo (dos de água) com leite, dois ovos, quatro colheres (de sopa) de farinha, uma colher (das mesmas) de água, e uma pitada de sal. 
Processo: Põe-se em uma tigela, o sal e a farinha a qual se deverá amolecer com um pouco de leite; batem-se separadamente os ovos, e junta-se depois à farinha e mexe-se tudo bem; no fim, deita-se-lhe o resto do leite e a água. Fregem-se em pouca manteiga, e salpicam-se de açúcar, podendo ser servidas com rodas de limão.

Existem outras duas receitas de filhós: AQUI e AQUI.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Mousse de Laranja

Mousse de Laranja

50 grs. de manteiga, 50 de farinha, sumo de 4 laranjas, 100 grs. de açúcar, 3 ovos.
Derrete-se a manteiga, junta-se o açúcar, o sumo e a farinha. Mexe-se tudo bem e leva-se ao lume a engrossar um pouco. Retira-se e juntam-se as 3 gemas, mexendo bem. Por fim, as claras em castelo, deita-se tudo num pirex, polvilha-se com açúcar e vai ao forno só por uns minutos (poucos).
Existe outra receita de Mousse de Laranja AQUI

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Pudim de Pão - Fotoreportagem

 Ferve-se meio litro de leite com casca de limão 
que se deita por cima do

 miolo de uma carcaça grande esfarelada
e tapa-se.

 Bate-se 250 grs. de açúcar com 4 gemas e 2 claras,

 junta-se ao pão

 com mais um cálice de Vinho do Porto.

 Leva-se a cozer em forma barrada com açúcar queimado.

E já está 
(sem grande aspecto porque desenformei ainda quente... BURRO)

Das várias receitas de Pudim Pão que existem neste blog, resolvi fazer aquela que me pareceu mais simples para a minha estreia neste género de Pudim. Apesar do aspecto mostrado na fotografia - por culpa minha - o Pudim de Pão ficou óptimo (quem o disse foi o meu Pai que é fã deste género de doce). Eu também não desgostei... tirava, talvez, o vinho do Porto pois confunde o sabor com o do limão.
De textura fica mais ou menos parecido com um Pudim Flan caseiro. Super fácil de se fazer, rápido e dá um bom tamanho. Vale a pena.

Quem quiser experimentar, pode consultar a receita aqui. No entanto, relembro que existem outras receitas de Pudim de Pão no blog. Consulte a lista e veja aquela que mais lhe convém.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Dicionário Prático da Cozinha Portuguesa - Virgílio Nogueiro Gomes



Deixo aqui uma sugestão... não é sugestão de leitura mas sugestão de consulta. O Dicionário Prático de Cozinha Portuguesa, do historiador Virgílio Nogueiro Gomes, é um daqueles livros indispensáveis para profissionais, amadores, conhecedores ou curiosos da "arte da cozinha" portuguesa.

Escrito de uma forma concisa, precisa e simples, ao longo das suas quase 400 páginas vamos desfolhando, alfabeticamente, tudo aquilo que - directa ou indirectamente - diz respeito à cozinha e, muito especialmente, à cozinha portuguesa.

Mas ATENÇÃO: este não é um livro de receitas... um dicionário não diz como se faz mas descreve o que é e o processo para se chegar ao produto final. Ou seja, há entradas do livro que descrevem como os pratos x ou y são realizados, os ingredientes e o método de confecção mas não indica as porções, quantidades ou pesagens. 

Foi um trabalho hercúleo mas, como qualquer outro dicionário, sempre incompleto e em actualização. Não é de estranhar, por isso, o pedido do autor para que o ajudem a completar, aumentar e rever o dicionário para futuras edições (o email é: virgiliosngomes@gmail.com). Isto é válido, sobretudo, para os produtos e doces regionais. Não tem, por exemplo, uma entrada para os meus mais que tudo Pastéis de Vouzela. Não é de estranhar e ninguém leva a mal... este é. sem sombra de dúvida, um enorme trabalho de Virgílio Gomes e que merece estar em local de destaque em todas as cozinhas portuguesas.

Os meus mais sinceros parabéns ao autor e à editora Marcador por esta edição.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Rabanadas à (H)espanhola

Thesouro de Cosinha - Colecção de Manuaes Modernos
por Jorge Cavalheiro, Imprensa Nacional, Porto, 1928, pág.63
Rabanadas à (H)espanhola
Este saboroso doce, com que se classifica o Natal, e sem o qual não há festas completas do Deus-Menino, obtém-se da forma seguinte:
Pão de fôrma, escolhido, de padaria afamada; vinho bom, branco; açúcar refinado; ovos; azeite; manteiga; açúcar pilado.
Forma de Cozinhar: - Posto o pão em fatias, colocam-se estas a abeberar em vinho branco com açúcar; em seguida mergulham-se em ovos batidos por algum tempo.
Vão ao lume sobre azeite fino com manteiga, bem fervido; deixam-se frigir bem.
Completando a receita: - Escorrem-se e polvilham-se com açúcar pilado ou regam-se com calda.