sexta-feira, 13 de março de 2015

Pantagruel da Avó Eduarda

 Capa e lombada d'O Livro de Pantagruel
Cozinha - Doçaria - Bebidas

 Assinatura da Avó
Maria Eduarda Athayde Sá e Mello Amaral Marques Teixeira
Local de compra: Coimbra
Data: 1 de Julho de 1948

 O número das receitas favoritas - Parte I

O número das receitas favoritas - Parte II
(Papel timbrado da Assembleia Nacional)

E eis que fiquei fiel depositário da grande biblia da cozinha: O Livro de Pantagruel, de Berta Rosa-Limpo. Este exemplar pertencia à minha Avó Eduarda. Estão profusamente marcadas as receitas mais utilizadas e apresenta ainda algumas receitas acrescentadas pela Avó, nos espaços em branco. No seu interior tem também diversos recortes de jornal e uma folha escrita em colunas com os números das receitas favoritas inseridas no Pantagruel. Estas escolhas estão em papel timbrado da Assembleia Nacional. Infelizmente, a Avó não seleccionou os seus doces favoritos. Cabe-me essa escolha.
O livro foi adquirido em Coimbra, um ano antes do nascimento do primeiro filho da minha Avó, o meu Tio João José.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Do que se comia no Hospital de Todos os Santos



José Leone – Elementos para a história dos serviços clínicos nos Hospitais Civis de Lisboa: Separata do Boletim Clínico dos Hospitais Civis de Lisboa, vol. 16, nº 3, ano de 1952. Cota BN S.C. 14633//1 V.

Curiosidades...

Nuvens Chinesas

Alda de Azevedo, Cozinheira Ideal, Livraria e Editora Civilização, 3ª Edição, 1943, 
pág. 293 (Menú de 18 de Setembro)

Nuvens Chinesas

Batem-se, 8 claras, em castelo duro, a que se juntam, uma a uma, 3 colheres de açúcar refinado e o vidrado de duas cascas de laranjas.
Bate-se sempre com um garfo, até que fique tudo bem firme. Dispõem-se em pirâmide num prato, enfeitam-se com cerejas de compota e vai ao forno quente, a tostar levemente.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Arroz do Japão

Arte de Cozinha, de Rosinha Costa, pág. 86


Arroz do Japão


Cozem-se com um pouco de sal, 250 g. de arroz bem lavado, escorrem-se, deitam-se em 460 g. de açúcar em ponto e ferve-se durante algum tempo. Tira-se o tacho do lume e deitam-se-lhe doze gemas batidas, misturadas com alguma canela em pó; leva-se ao lume e vendo-se o fundo do tacho quando se mexe, está pronto. Depois de estar no prato polvilha-se com canela.
 

Sericá (vulgo Sericaia) - Especialidade de Elvas

Cozinha Apetitosa e Acessível, de Carlota Alves da Guerra, pág. 156

Sericá (vulgo Sericaia)
Especialidade de Elvas


Porções: 6 ovos; 1/2 [meio] litro de leite; 6 colheres de sopa de farinha, bem cheias; açúcar q.b.

Dissolvem-se a frio as gemas com o leite, a farinha e o açúcar bastante para adoçar. Leva-se ao lume, mexendo devagar, para o creme engrossar. À parte, batem-se as claras em castelo e misturam-se levemente ao creme. Vai ao forno a tostar um pouco na travessa de serviço. Há quem acompanhe este doce de ameixas verdes, as chamadas ameixas de Elvas.

Duas novas aquisições para o blog



Duas novas aquisições para o blog As Receitas da Avó Helena e da Avó Eduarda. 

O primeiro chama-se Arte de Cozinhar, de Rosinha Costa, editado em 1975, pela Livraria Progresso Editora. O segundo, com o nome sugestivo de Cozinha Apetitosa e Acessível tem a excelente coordenação de Maria Carlota Alves da Guerra, editora da Crónica Feminina e Mãe da actriz Maria do Céu Guerra e Avó da também actriz Rita Lello. Este foi editado pela Agência Portuguesa de Revistas, por volta de 1986 (data de Depósito Legal) e era vendido ao preço de 250 escudos.

Mais duas jóias para abrilhantar e adoçar o blog. 

Espero que gostem...

quarta-feira, 4 de março de 2015

Torta Enrolada

Comércio do Porto, 23 de Fevereiro de 1936


Torta Enrolada

Batem-se muito bem 9 ovos com 250 grs. de açúcar durante uns 30 minutos. A seguir junte-se-lhe 125 grs. de farinha de trigo e volte a bater-se tudo até ligar tudo bem.
Barre-se o tabuleiro com manteiga e deite-se-lhe dentro a massa feita de maneira que fique estendida por igual pelo tabuleiro todo e leve-se ao forno.
Estando cozida a massa, volta-se o tabuleiro sobre um guardanapo polvilhado com açúcar, em seguida dispõe-se sobre ele uma camada de doce de fruta e enrola-se enquanto a massa está quente.
  

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Queijadinhas de Nata


Queijadinhas de Nata

Para pequena porção, junta-se a meio quartilho de nata que deve bater bem até ficar desfeita, juntam-se-lhe 6 gemas de ovos que se desfazem juntamente, tem 250 gramas de açúcar em ponto de fio, deita-se-lhe na calda mexendo sempre para não pegar, até que fique uma massa espessa. Passam-se as forminhas com massa folhada ou tenra, vão ao forno do fogão que deve estar bem quente.
É bom deitar 3 cravinhos e 1 pau de canela na calda para serem mais saborosos.
 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Cocadas


Cocadas

Batem-se 4 claras bem batidas em castelo, juntam-se-lhe 200 gramas de açúcar, mexe-se bem, juntam-se 250 gramas de côco e tornando a mexer polvilham-se latas com farinha de triga, e com uma colher põem-se bocados da massa, ajeitando-se as cocadinhas com a mão polvilhada de farinha para não agarrar. Vão ao forno a dourar e tiram-se com uma faca.

Quando o almoço era pequeno-almoço e o almoço era jantar


Este pequeno excerto retirado de um livro de 1896 sobre a Real Casa Pia de Lisboa, relata-nos como eram distribuidas as refeições ao longo do dia na referida instituição em dois momentos distintos: antes e depois de uma grande reforma institucional ocorrida por volta de 1880.
Este excerto levou-me a questionar como, em menos de cem anos, esta distribuição e o modo como chamamos cada refeição tanto se alterou. 

Eis que Ana Motta Veiga desfaz as minhas dúvidas, dizendo:

"Nem sempre as três principais refeições do dia (pequeno-almoço, almoço e jantar) tiveram o mesmo nome e o mesmo significado...sendo que os "lanches" tão pouco existiam e apenas se conheciam as merendas...
A primeira refeição da manhã (apesar de pequena) seria chamada de Almoço ou o Almorço, com r: "Almoçar. Comer alguma cousa antes de jantar. (...) O que se come pela manhãa. Por ser em pequena quantidade, parece derivado do Arabico Al, & do Latim Morsus, que vale o mesmo, que mordeduras, porque almoçar he dar quatro mordeduras, & comer quatro bocados.";
Seguia-se o Jantar ou Iantar, com i, "Tomar sua refeição pellas horas do meyo dia", ao que actualmente chamamos de almoço;
Ao "lanche", ou aos lanches do dia, chamar-se-iam de merendas: "Merenda. Comida entre dia. O que se come entre o jantar, & a cea.";
A ceia, ou o "Tomar a refeição da noite.", é ao que hoje chamamos de jantar, e que pelo ditado popular se supõe que seria tomada cedo: "Quem cea, & se vay deitar, mâ noite hâ de passar.";
É curioso que os nomes das refeições se alteraram, ou seja, avançaram no horário, e pergunto-me se não terá sido também um dos impactos do aparecimento da luz eléctrica, fazendo "o dia" mais longo. Ao que chamamos hoje de ceia, refeição após o jantar, era hábito que nem se colocava no tempo em que as pessoas se deitavam "com as galinhas" e acordavam "com o cantar do galo"..."