domingo, 24 de fevereiro de 2019

Bolas de Berlim com Creme Pasteleiro (receita de Mestre Silva)


Bolas de Berlim
(Mestre Silva) 

Massa: 
0,5 kg de farinha e mais alguma para polvilhar; 30 g. de fermento de padeiro; sal q.b.; 125 g. de margarina; 150 g. de açúcar; raspa do vidrado de limão ou laranja; 3 ovos; 1/2 dl. de leite levemente aquecido; óleo q.b. para fritar as bolas; canela e açúcar misturados, na proporção de 5 colheres (sopa) de açúcar para 1 de canela moída.

O processo de amassar é idêntico ao do bolo rei e do folar: deite a farinha sobre a mesa, abra-lhe uma cavidade ao centro, deite aí o fermento de padeiro e o leite e amasse-os com um pouco de farinha que os rodeia; faça uma bolinha, dê-lhe dois golpes superficiais em cruz e deixe crescer.

Depois de o fermento ter crescido, retire do meio da farinha e amasse aí o açúcar com a margarina e a raspa do limão ou laranja, muito bem amassados; junte-lhe depois o fermento, o sal e os ovos, um a um, e continue a amassar e a bater a massa até que, polvilhando com a ajuda de mais um pouco de farinha, ela se descole da mesa. Forme uma bola e deixe levedar até crescer praticamente para o dobro. Corte pequenas porções com o peso de 50 g. cada e coloque-as, intervaladas, num tabuleiro ou sobre a mesa polvilhada com farinha. Deixe levedar bem e crescer novamente.

Depois de terem crescido bastante, frite-as em óleo pouco quente, lentamente, virando-as de vez em quando para fritarem por igual; trate a massa com muito cuidado para não a deformar.

Depois de fritas, retire-as, escorre-as e polvilhe-as muito bem com a mistura de açúcar e canela.

Depois de polvilhadas, com uma tesoura limpa, faça-lhes uma abertura, na qual, com a ajuda de uma colher, introduz porções de creme pasteleiro frio.

Creme Pasteleiro

75 gr. de açúcar
30 gr. de farinha de trigo (1 colher de sopa bem cheia)
1 ovo inteiro + 1 gema
2,5 dl. de leite
1 casquinha de limão
1 pauzinho de canela

Ferva o leite com a casco do limão e o pauzinho de canela; misture muito bem o açúcar com a farinha, junte os ovos, mexa bem e adicione depois o leite fervido, passado pelo passador, devagarinho e mexendo sempre. Leve ao lume e mexa bem com a colher de pau, sem parar, até ferver, raspando bem no fundo para não pegar. Logo que ferva retire do lume e despeje num recipiente.

Existe outra receita de Bolas de Berlim AQUI.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Pastéis de Neve à Robles Monteiro

Guia da Doceira em sua casa dedicado aos Artistas do Teatro Português,
de Maria Margarida (pseud. Bernardino Alves Lopes ?), [1934], Cartaxo, Tip. Treze, pág.51
 
 
Pastéis de Neve à Robles Monteiro


Põe-se 500 grs. de açúcar em ponto e junta-se 125 grs. de nozes pisadas; logo que levante fervura deixa-se arrefecer. Durante este tempo batem-se muito bem 15 gemas e 3 claras; depois de tudo ligado junta-se-lhe canela e casca de limão ralada; voltando ao lume, brando, mexendo sempre de forma a não pegar, e quando a massa barrar a colher tira-se novamente do lume para esfriar, deitando-se em seguida nas latas untadas de manteiga para irem ao forno. Estando prontos polvilham-se com açúcar pilé e canela.
 
 
Robles Monteiro e Amélia Rey Colaço
 

Felisberto Manuel Teles Jordão Robles Monteiro, ator e empresário em atividade no século XX, tem o seu nome indissoluvelmente ligado a uma das mais importantes companhias de teatro portuguesas – a Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro –, justamente a que durante mais tempo marcou um estilo no teatro português.

Discípulo de Augusto Rosa, Robles Monteiro integrou a companhia residente do Teatro Nacional D. Maria II, mas insatisfações crescentes com o meio teatral estabelecido levaram-no, em 1921, a criar a sua própria companhia com a sua mulher, Amélia Rey Colaço. Foi aqui que revelou os seus dotes de empresário, sendo responsável pela gestão administrativa da companhia, mas provando ter também uma competência de ensaiador, o que lhe valeu elogios à sua capacidade de formar novos atores e dirigir em cena nomes já estabelecidos da cena teatral.

Nascido em São Vicente da Beira, Robles Monteiro iniciou a sua vida num percurso totalmente distinto daquele que o iria notabilizar: frequentou o seminário (algumas fontes indicam o Colégio de S. Fiel, perto de casa, outras o seminário da Guarda) com o objetivo de seguir a vida clerical. Segundo consta, foi durante uma récita escolar que o próprio bispo, perante o talento do jovem, o aconselhou a enveredar pela arte teatral (SANTOS 1989a: 4). Numa mudança de rumo, frequentou o Curso Superior de Letras como voluntário, modalidade que lhe permitia assistir às aulas sem, no entanto, ser submetido a avaliação e, como tal, isento do pagamento de propinas. Este interesse pelas Letras levou-o ainda a trabalhar como noticiarista e jornalista em Lisboa, mas apenas por um breve período, uma vez que o teatro falou mais alto e, a 27 de dezembro de 1913, estreou-se no espetáculo A caixeirinha, no Teatro República.

Foi acolhido como discípulo por Augusto Rosa, com quem aprendeu não só a arte dramática, mas também uma atitude perante a vida e os costumes, sendo presença assídua na casa do mestre e participando nas receções que este ali organizava, um privilégio partilhado por muito poucos, mas incluindo Amélia Rey Colaço, também ela discípula de Rosa. Poucos anos mais tarde, a 4 de dezembro de 1920, mas já após a morte do mestre (1918), os dois discípulos acabariam por casar (um destino bastante desejado por Augusto Rosa, segundo Amélia), e essa união revelou ser uma das mais fortes do teatro português, tanto a nível pessoal como profissional.

Durante a época de 1920-21, o casal integrou o Teatro Nacional D. Maria II, que atravessava um período de algum desprestígio, devido não só a limitações artísticas (praticando um naturalismo já relativamente fora de moda) e à falta de meios económicos para produções de qualidade, mas também à indisciplina entre os atores da companhia, movidos sobretudo por egoísmos e guerras de vaidades. A apresentação de Zilda, de Alfredo Cortez, a 5 de março de 1921 (onde Robles desempenhou o papel de Manuel de Castro, e Amélia o da protagonista) pareceu despoletar conflitos internos que levaram à saída de ambos da companhia do Nacional. Determinados a contrariar a aparente decadência do teatro português, criaram a sua própria companhia.

A Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro estreou-se precisamente com Zilda, no Teatro Nacional de S. Carlos, a 18 de junho de 1921, ainda com encenação de António Pinheiro, e o casal de atores a assegurar os mesmos papéis que haviam desempenhado no Nacional. Na primeira fase da companhia, Robles participou na interpretação de todos os espetáculos, partilhando a direção artística do grupo com Amélia. Após uma primeira época no S. Carlos, a companhia instalou-se no Politeama e, posteriormente, no Ginásio e no Trindade, até 1930. Robles Monteiro passou a assinar com maior frequência a encenação dos espetáculos, muitas vezes em conjunto com a mulher, e desligou-se progressivamente da interpretação.

As qualidades de Robles Monteiro como organizador e ensaiador tinham-se manifestado já cedo – em 1919 havia dirigido a sua própria companhia no Teatro do Ginásio – mas foi durante o longo percurso da Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro que elas mais se revelaram. Assim, enquanto Amélia brilhava na interpretação e na direção artística dos espetáculos (era famoso o seu bom gosto na decoração dos cenários e no cuidado que a eles dedicava, mesmo quando eram convidados artistas para a criação dos cenários e figurinos), Robles afirmava a sua apetência pela marcação dos espetáculos e distribuição dos papéis, os ensaios e a formação dos atores. Esta última valência foi particularmente importante para a consolidação de um elenco notável, entre atores novos e outros consagrados, e que se manteve com uma qualidade muito apreciável. Foram muitos os atores de renome que fizeram questão de passar pela companhia, e muitos os atores novos (alguns sem passagem pelo Conservatório) que, junto de Robles Monteiro, tiveram a sua formação e lançaram a sua carreira teatral, como foi o caso de Raul de Carvalho, Álvaro Benamor, Maria Lalande, Assis Pacheco e Eunice Muñoz, entre outros, incluindo, naturalmente, Mariana Rey Monteiro, filha de Amélia e Robles. Foi visto por muitos como uma figura quase paternal, a quem recorriam para conselhos acerca da carreira e da vida em geral, sendo disso exemplo a correspondência entre o casal e Carlos Avilez, Carmen Dolores, ou Helena Félix.

Foi também responsável pela gestão administrativa da companhia, tarefa particularmente difícil a partir de 1929, ano em que lhes foi concedida a exploração do Teatro Nacional D. Maria II. As condições da exploração eram desfavoráveis a qualquer companhia com alguma ambição a nível artístico, pelo desequilíbrio entre as exigências estipuladas (a nível de repertório) e as ajudas concedidas para o efeito. No entanto, e apesar das inúmeras crises financeiras mais ou menos graves por que passaram ao longo dos anos, a gestão de Robles Monteiro permitiu o equilíbrio da companhia e a marca de algum prestígio que trouxeram ao Teatro Nacional D. Maria II.

Durante os ensaios de O processo de Jesus, Robles Monteiro sentiu-se mal, acabando por morrer pouco depois em casa, a 28 de novembro de 1958. Ficou para a história como o “homem, de fala lenta, simples e metódico, de uma sensibilidade exquise que nem todos captavam” (Diário de Lisboa, 29-11-1958, p. 8), conhecido também pelo seu cavalheirismo e figura elegante, tendo como “imagem de marca o distinto monóculo e o sotaque beirão, que nunca abandonaria” (BARROS 2009: 129).

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Bolinhos de Amor


 Bolinhos de Amor

6 ovos inteiros
375 gr. de açúcar
200 gr. de manteiga
Raspa de um limão
1/2 [meia] colher de chá de bicarbonato de soda.

Bate-se primeiro o açúcar com a manteiga, até ligar bem. Em seguida junta-se-lhe os ovos e o limão e a 1/2 [meia] colher de bicarbonato. Junta-se a farinha precisa, formando-se uns bolinhos redondos, devendo pintar-se com gema de ovo e leva-se ao forno. Querendo em vez do limão pode deitar-se baunilha.