sábado, 28 de outubro de 2017

Aletria de Leite com Ovos - Fotoreportagem

Branqueia-se 200 gr. de aletria em muita água fervente.
Ao mesmo tempo, coloca-se numa vasilha à parte 800 ml. de leite,
com vidrado de limão e um pau de canela [opcional] a aquecer.
Estando a massa branqueada, escorre-se a massa e torna-se a vertê-la
para o tacho onde se branqueou,
adicionando-se o leite, o vidrado e o pau de canela que se foi amornando
e juntam-se 200 gr. de açúcar, mexendo bem. Deixa-se a massa cozer
e estando cozida retira-se do lume.
Retira-se o vidrado de limão e o pau de canela e deixa-se esfriar um pouco.
Adicionam-se, muito lentamente e em fio, as 6 gemas de ovos
já misturadas com um pouco de leite e mexe-se sempre.
Volta o tacho ao lume para cozer as gemas,
tendo cuidado para não agarrar ao fundo.
Quando estiver com a consistência que pretende, retire do lume e...
cá está ela, amarelinha e excelente.
BOM APETITE

Esta receita de Aletria, que já a fiz dezenas de vezes, é garantidamente um sucesso. Eu sou o fã nº 1. Fica sempre excelente. Mais uma vez, o excelente Carlos Bento da Maia a não desiludir... quem sabe se o nosso leitor este ano não introduz uma nova tradição na sua Ceia de Consoada? 
Experimente e diga-me de sua justiça... partilhe comigo os seus resultados.

Veja a receita original AQUI.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Manjar Real

Jornal das Senhoras, ano 1, nº 19 - 10 de Abril de 1905

Manjar Real


Deita-se em um tacho um peito de galinha, meio cozido e desfiado, desfaz-se muito bem, delindo-se no mesmo tacho com a colher, misture-se com o miolo de meio pão ralado, 125 gr. de amêndoas bem picadas e um quilo e quinhentas gr. de açúcar em ponto de espadana; depois de batido tudo isto, ponha-se a cozer em lume brando, até que engrosse; quando estiver grosso deita-se nos pratos e manda-se à mesa.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Pudim de Pão à Brasileira, de Madame Z

Portugal Feminino, nº 12, Janeiro de 1931, pág. 37

Pudim de Pão à Brasileira

Ralam-se 250 gramas de pão, que deve ser meio duro, põe-se de molho em 3 decilitros de leite e deixa-se aboborar; em estando bem macio e desfeito, juntam-se 5 gramas [aqui é nitidamente um erro, devendo ser '5 gemas'] e uma clara, 180 gramas de açúcar, 50 gramas de manteiga derretida, meia colher de canela em pó, casca de limão ralada, e uma porção de passas de Corinto. Mexe-se tudo isto até que fique muito bem misturado e ligado como um polme grosso; unta-se uma forma com manteiga e deita-se esta massa na forma. Vai a lume que não esteja muito forte, cobre-se a forma com um papel, para se não queimar o pudim e em estando cozido e corado por cima, tira-se do forno. É conveniente deixá-lo arrefecer para se desenformar com mais facilidade. Conhece-se quando o pudim está cozido, metendo-se-lhe um palito. Se o palito vier seco, está pronto.
Madame Z

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Restaurante Abadia e os Makavenkos

Livro de Anísio Franco: Lisboa Desconhecida & Insólita,
Porto Editora, 2017
Club dos Makavenkos
Sala de refeições onde se reuniam os Makavenkos
Entrada para o "telúrico" espaço da Abadia
Palácio Foz, Restauradores, Lisboa
Eu a transbordar de alegria
Naquela chaminé faziam-se os oníricos banquetes
O poço [iniciático] do restaurante Abadia, sempre com água
Pormenores do restaurante Abadia
Os Makavenkos?
Vamos jantar?

Finalmente, graças ao lançamento do mais recente livro de Anísio Franco: Lisboa Insólita & Desconhecida - que recomendo vivamente a sua leitura -, que ocorreu no dia 19 de Outubro de 2017 no Palácio Foz, pude conhecer a célebre Abadia, restaurante subterrâneo do sumptuoso Palácio, onde se reuniam os famosos Makavenkos. Fiquei emocionado e estarrecido. Que espaço incrível. 

Informem-se junto do Palácio Foz, em Lisboa, e não percam uma das visitas guiadas mensais que ali se realizam.

"Em Abril de 1917 foi inaugurado no velho edifício do Palácio Castelo Melhor, então propriedade dos condes de Sucena, um estabelecimento denominado "Pastelaria Foz", propriedade da firma Leitão & Cª. O salão de Pastelaria, que já não existe, era uma pastiche concebida ao estilo de Luís XV e rocaille, por Viriato da Silva, e com a colaboração do escultor José Neto. Ocupava diversas dependências do andar térreo e também uma cave secreta, nela está guardada uma jóia da cidade de Lisboa, o "Restaurante Abadia", lugar de reuniões da maçonaria - "Os Makavenkos".

Reinando ainda D. Luís I, o Clube dos Makavenkos foi fundado em 1884 por 13 sócios (rapidamente subindo de número chegando ter mais de 100 filiados) cuja principal ocupação aparente não passaria da comensal e boémia: o prazer da boa mesa, da “alegre rapioqueira” e a compensação dos “pecados” com actos de benemerência. Todos eram iguais perante a sopa, o copo e as makavenkas, e nenhum podia namoriscar com a mesma por mais de 15 dias. Findo esse período, ela seria declarada “praça aberta” e ele, se insistisse, levava o título de “lamechas” e a intimidação para pôr fim ao relacionamento em 24 horas. Nisto ficou famoso o makavenko Santos Joya, que exercia “extraordinário poder magnético sobre as mulheres, convidando-as às dezenas para os jantares”, e por essa razão já merecera “as honras dum festim à romana e respectiva coroa de louros, para se lhe exaltar as suas qualidades de macho”. Quando ele não aparecia, faltavam “damas e melhores exemplares da raça luso-espanhola” que “abrilhantassem a encantadora festa, porque as flores animadas são sempre bem cabidas e apreciadas”. Foi o próprio Francisco Grandella quem fundou o clube, e o seu presidente honorário, depois de 1898, foi Ferreira do Amaral, e após a sua morte o cargo foi ocupado pelo dr. Azevedo Neves. Em Lisboa, “quando começaram (os makavenkos) iniciaram as suas reuniões em Santa Isabel, no palacete do Conde das Antas, no quintal onde se achavam vários animais, denominado Parque Zoológico, (…) que às sextas-feiras jantavam no dito parque”. Todavia, os makavenkos não deixaram de saltitar por outras casas e restaurantes, até que Francisco Grandella comprou o terreno do velho Teatro Condes e mandou reconstruir este em 1888, reservando a cave para implantar a sede makavenkal (que a partir de 1916 seria partilhada com a Abadia, do outro lado da avenida). Apesar de levemente ligada à dramaturgia, não obstante a cave do Condes vulgarmente enchia-se de autores, actores e actrizes para jantares, festas e banquetes, tendo passado por ele uma boa parte da alta sociedade e da intelectualidade masculina da Lisboa de então, sobretudo nobres com títulos de fancaria comprados a outros titulares arruinados.

Imaginemos o secretismo de entrar neste local de culto original de 1917, quem entra dá de caras com um velho poço onde ainda corre agua, de uma das imensas nascentes lisboetas, este fica localizado num espaço que copia um antigo claustro conventual, de influência manuelina. A restante decoração é feita com dragões, cachos de uvas, pombas, elefantes e muitos outros símbolos com segundos sentidos, entre os quais os bustos de 24 maçons que utilizavam este espaço.a cave, onde ficou instalado um restaurante anexo, a "Abadia". Trata-se de um exemplar demonstrativo da interpretação que os arquitectos e decoradores portugueses então faziam do gosto "belle époque", em que o "revivalismo" de sabor medieval europeu, aparece metamorfoseado na atracção por um manuelino sobrecarregado de formas e repassado de elementos simbolistas.

A Abadia está dividida em três partes - o CLAUSTRUM (com a sua "taberna vínica", conforme se pode ler num dístico em ferro forjado), o REFECTORIUM (inspirado nos claustros do românico cisterciense peninsular) e as "CELAS", pequenas dependências de carácter reservado suspensas sobre o "Claustrum"." - Texto página de Facebook do Palácio Foz.

Para mais leituras: AQUI e AQUI

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Bolo Mulato - Fotoreportagem

Batem-se os 4 ovos com 250 grs. de açúcar
junta-se 1 chávena de leite
250 grs. de farinha
1 chávena de manteiga ou azeite ou óleo (eu usei azeite)
1 colher de chá de canela
1 colher de chá de bicarbonato [e de fermento] e bata muito bem.
Quer fogo forte e a forma é untada com manteiga.
Coloquei também pão ralado.
E cá está ele, lindo e saboroso.
Belíssimo Bolo Mulato. Cresce lindamente, rápido e fica super-fofo. Maravilhoso para um chá ou para acompanhar um geladinho. Fiquei fã.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Ovos Moles, Fatias da China e Pudim Lisboeta

Almanaque d'O Século para 1927 - pág 109

Ovos Moles

250 gramas de açúcar, 6 gemas de ovos, 3 claras batidas em castelo.
Leva-se o açúcar a ponto de pasta; tira-se para fora do lume e deixa-se arrefecer um pouco. Juntam-se-lhe as gemas que já devem estar batidas, não sendo preciso batê-las muito. Leva-se esta mistura ao lume a engrossar. Em estando grossa, misturam-se rapidamente as claras. Querendo, leva-se ainda um pouco ao lume.

Fatias da China

Misturam-se e batam-se até engrossar 2 dúzias de gemas de ovos, uma mão cheia de amêndoas pisadas, e 250 g. de açúcar areado.
Deite-se depois tudo isto numa lata untada com manteiga, tape-se bem e introduza-se num tacho com água a ferver, conservando-se aí por espaço de meia hora e tendo-se o cuidado de colocar a lata sobre uma rodilha que se colocará no fundo do tacho, pondo ao mesmo tempo um peso sobre a mesma lata a fim de a conservar segura. Decorrida meia hora retira-se a lata da água, deita-se o seu conteúdo num prato para esfriar; corte-se em seguida a massa em fatias finas e passem-se estas por calda de açúcar em ponto de espadana, polvilhando-as depois de esfriarem novamente, com canela e grangeia.

Pudim Lisboeta

Batem-se 3 ovos com canela em pau, casca de limão ralada, uma chicara de leite e açúcar. Deita-se esta massa numa forma untada de manteiga e vai ao forno cozer.  

domingo, 8 de outubro de 2017

Covilhetes de Amêndoa

Revista Eva, 13 de Junho de 1925

Covilhetes d'Amêndoa

Tomam-se 750 gramas em ponto de secar, deite-se-lhe uma quarta de amêndoa bem pisada, e assim que levantar fervura, tira-se o tacho do lume a esfriar, e neste meio tempo batem-se bem quinze ovos, três destes com clara, deitam-se no tacho este polme, com canela, algumas cascas de limão e torna ao lume, que seja brando; sempre mexendo para que não se pegue, e quando a massa pegar à colher, tira-se outra vez o tacho para esfriar de novo. Untam-se latas com manteiga, e deite-se-lhe a massa dentro sem as acabar de encher para quando crescer não deitar por fora. Vão ao forno que deve ser também brando, e quando estiverem louros, estão cozidos.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Bolo de Laranja - Fotoreportagem

Mistura-se o açúcar [250 gr.] com a manteiga [150 gr.] e bate-se bem.
Junta-se o sumo de duas laranjas
as gemas e as claras [4 ovos] e bate-se mais.

Deita-se depois a farinha [250 gr.]
e o fermento [1 colher de sopa].
Unta-se a forma e polvilha-se com pão ralado ou farinha.
Já sabem... eu prefiro pão ralado.

E vai ao forno.


E eis um Bolo de Laranja muito fofo, apetitoso e fácil de fazer. Excelente para um chá. Com um bocadinho de gelado ou chantilly a acompanhar também não fica nada mal.
Experimentem e digam-me o que acharam.. espero que gostem.

Pode ver a receita manuscrita AQUI.
Existe outra receita de Bolo de Laranja AQUI.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Higiene Publica: Envenenamentos involuntários no uso dos alimentos diários.



O museu portuense: jornal de historia, artes, sciencias industriaes e bellas letras, 
N.º 3, 01 de Setembro 1838

Muito engraçado este artigo de 1838 que nos dá uma perspectiva dos perigos/riscos que as pessoas no séc. XIX enfrentavam no consumo diário de alimentos. Através da sua leitura conseguimos perceber os utensilios mais utilizados na conservação e armazenagem de alimentos - sólidos e líquidos - e de como, de facto, a cozinha é uma alquimia... reacções químicas entre componentes e materiais podiam ser fatais, numa altura onde o frigorífico ainda era uma miragem.

Para melhor leitura do texto, clique em cada uma das imagens e na tecla direita do seu rato em "ver imagem".

Frango à Arte Nova

Azulejos : semanario illustrado de sciencias, lettras e artes.
Ano 1, série 1, n.º 22, 17 de Fevereiro de 1908
Frango à Arte Nova

Corte-se o frango e ponha-se a cozer numa caçarola, meio coberto de água, com sal e pimenta, cenouras, cebolas e um pouco de tomilho. Depois de cozido, tirem-se e escorram-se os bocados, polvilhem-se de farinha e frijam-se.
Ponham-se a fritar igualmente cebolas cortadas em rodas, e prepara-se o prato com as cebolas por cima. Deve servir-se sobre um molho de tomate.